Saímos juntos, deixando pra trás o brilho do salão, as conversas, os flashes. Lá fora, o ar frio da noite sueca bateu no rosto dela e fez alguns fios de cabelo voarem. Eu estendi a mão, quase num reflexo, e ajeitei uma mecha atrás da sua orelha e ela não se afastou.
— Ainda tem o mesmo perfume. — murmurei.
— E você ainda fala demais quando fica nervoso. — respondeu, com um sorrisinho travesso.
Ri baixo.
— Acho que é você quem me deixa assim.
Ela me encarou, e por um segundo, o tempo voltou. Era como se eu ainda fosse o cara de antes, e ela, a garota que eu tentava segurar no meio da confusão.
Pegamos um táxi. O caminho até o hotel foi quase silencioso, mas o ar entre nós era quente, denso. Eu sentia a tensão no jeito que ela mexia o pé impaciente, na forma como olhava de canto pra mim.
Quando a porta do quarto se fechou atrás de nós, o silêncio ganhou outro peso.
Ela me olhou e deu um passo à frente.
— Então é aqui que você tá hospedado?
— Por uns dias, sim. — respondi, tirando o paletó e jogando sobre a poltrona. — Nada luxuoso, mas quebra o galho.
Ela se aproximou, com o olhar preso em mim.
— Continua modesto. Isso nunca mudou.
— E você continua linda demais pra ser real.
— Cuidado, Rafael. — ela sussurrou, erguendo o rosto. — Eu posso acreditar.
— Quem disse que é mentira? — respondi, já com a voz mais baixa.
Ela sorriu, aquele sorriso que eu conhecia bem, antes de apoiar a mão no meu peito.
— Eu senti falta disso.
— Disso o quê? — perguntei, me inclinando mais perto.
— Do jeito que você me olha, como se o resto do mundo não existisse.
Não deu tempo pra resposta. Ela me puxou pela gola da camisa e me beijou. O gosto familiar, o toque urgente e tudo voltou num turbilhão.
As suas mãos subiram pra minha nuca, e as minhas encontraram a curva da sua cintura. Ela suspirou contra minha boca, e o som fez algo dentro de mim estremecer.
— Ainda lembra o caminho, hein? — murmurou, rindo baixo entre um beijo e outro.
— Como poderia esquecer? — falei, com a voz rouca.
O beijo se aprofundou, intenso e quente. Sophia se encaixou em mim como se o tempo não tivesse passado, como se aqueles anos todos não tivessem existido.
Por um instante, tudo era só ela, o perfume, o toque, o corpo colado ao meu. E a sensação de que, de algum jeito, o passado tinha acabado de bater na minha porta.
Ela afastou o rosto um pouco, ofegante, com os olhos castanhos brilhando.
— Parece que o tempo não mudou nada entre nós.
— Mudou sim. — respondi, passando o polegar pela pele macia do seu rosto. — A gente só aprendeu a disfarçar melhor.
Ela sorriu, antes de me puxar de novo, e o beijo voltou, mais lento, mais consciente.
As mãos dela pararam no meu peito, sentindo a batida do coração e por um segundo, eu pensei no quanto era fácil se perder nela.
Fácil demais.
O beijo foi se intensificando, suas mãos desabotoando rapidamente minha camisa enquanto as minhas lutava contra o zíper de seu vestido.
Em segundos, nossas roupas estavam jogadas no chão e a ergui no colo, suas pernas enlaçando minha cintura enquanto a apoiava na parede, aprofundando ainda mais o beijo, deixando marcas e mordidas por seu pescoço, queixo, busto.
Os gemidos baixos e abafados de Sophia ficaram cada vez mais intensificados. Caminhei com ela até a cama e a deitei, observando como ela era linda, mas um frio esquisito passou pelo meu estomago ate meu peito.
O empurrei o mais fundo na minha mente, não era noite para isso. Me inclinei sobre seu corpo, deixando beijos e mordidas, chegando ao seu umbigo lindo e lambendo levemente sentindo sua pele arrepiando. Desci mais, deixando marcas até chegar em seu ponto úmido e suplicante.
Hoje, eu iria esquecer qualquer problema que me atormentava a semana toda.
(Lorena)
17 de Abril, Domingo.
O sol estava começando a se pôr quando sentei no banco debaixo do pé de manga, aquele mesmo de sempre, que o tempo já tinha deixado meio gasto. O cheiro da terra úmida misturado com o das frutas maduras no pé trazia uma sensação boa, de infância. Alana estava um pouco mais à frente, brincando com o Thor, o cachorro que minha mãe insistia que era “o verdadeiro dono da casa”.
Eu peguei o celular, meio distraída, vendo as mensagens que pipocavam no grupo da empresa em que Rafael era o único a não estar nele. Eles falavam coisas de rotina, piadas, comentários bestas… até que uma mensagem específica me chamou atenção.
“Olha aí, gente, parece que o chefinho andou aprontando nessa viagem 😏”
Meu estômago deu um leve frio e sem nem pensar direito, cliquei no link.
A página abriu devagar, ou talvez fosse eu quem não queria ver o que vinha a seguir. As fotos eram bem nítidas de Rafael saindo do baile chique, de terno, e ao lado dele…
Meu coração pulou.
Sophia Levin.
Ela correu de volta pra brincar, e eu fiquei olhando. Tentando me concentrar nela, no momento, no fim de tarde bonito... mas a imagem de Rafael segurando a mão de Sophia insistia em voltar.
O sorriso dele. O jeito como ele a olhava. O brilho nos olhos.
Por que isso me incomodava tanto?
Suspirei, apoiando o cotovelo no joelho e o queixo na mão. Talvez eu estivesse ficando maluca. Talvez fosse só cansaço, confusão. Isso era muito errado, qualquer coisa que sentisse fora do normal era errado e eu me culpava amargamente por isso.
***
Beijei a testa de Alana e ajeitei o cobertor sobre ela. Ela já estava com aquele soninho leve, abraçada no coelhinho de pelúcia.
Fiquei um tempo ali, só observando o seu rostinho relaxado e o jeitinho calmo de respirar. Era nessas horas que eu lembrava por que aguentava tanta coisa.
Meu celular vibrou no criado-mudo e o peguei, tentando não fazer barulho. O nome de Thales piscava na tela.
Suspirei. Tarde da noite, e ele ligando.
Sai do quarto com cuidado e fechei a porta devagar antes de atender.
— Oi, Thales.
A voz dele veio séria do outro lado.
— Lorena, eu tô te ligando pra avisar que não vou poder voltar na próxima semana.
— Como assim? — franzi o cenho, sentando no sofá. — Você não disse que voltava segunda?
— Mudou. — Ele soltou um suspiro pesado. — A gente conseguiu uma pista nova, parece que tão chegando perto do grupo da facção, do chefão. Eu vou ter que ir com a equipe.
Meu peito se apertou.
— E pra onde você vai?
— Você sabe que eu não posso te dizer isso. — respondeu firme. — É sobre o trabalho.
Eu fiquei em silêncio por alguns segundos. Aquela mesma conversa de sempre. Ele nunca podia contar. Nunca podia dizer nada e eu só precisava aceitar.
— Tá bom… — murmurei, tentando não deixar transparecer o cansaço. — Só se cuida, Thales.
— Pode deixar. — A voz dele ficou mais baixa por um instante, mas logo voltou o tom frio. — E Lorena… lembra do que eu te disse.
— Sobre o quê? — perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
— Não acha que porque eu tô longe você pode fazer o que quiser. — ele disse, em um tom que me fez engolir seco. — Eu ainda tenho gente de olho em você. Então é melhor não dar liberdade demais pro seu chefe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....