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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 381

Entrei no carro já com o peito apertado. A manhã inteira parecia torta, como se tudo tivesse sido empurrado para eu perder o controle.

Levei Alana até a escola. Ela desceu, me deu um beijinho meio automático e entrou no portão. Fiquei olhando até ela sumir no corredor, tentando respirar fundo e acreditar que tudo ia dar certo.

Mas parecia que o universo estava só esperando eu ligar o carro de novo pra continuar me testando.

Peguei a avenida principal, já imaginando o atraso. Respirava fundo, batendo o dedo no volante, tentando não chorar, tentando não pensar em como Thales era bom em derrubar o meu dia só com um detalhe.

Foi então que aconteceu.

Um carro azul escuro entrou do nada na minha frente quando eu estava passando no verde. Eu juro, ele simplesmente jogou o carro. Pisei no freio, mas bati na lateral dele.

O barulho me fez gelar por dentro.

— Não… não hoje, pelo amor de Deus…

Encostei o carro, tremendo. O motorista já saiu bufando, apontando pra mim como se eu tivesse atropelado ele.

— Minha senhora, você não viu que eu estava entrando?!

— O sinal estava verde pra mim — respondi, tentando ser calma, mas minha voz tremia. — O senhor avançou.

— Verde nada! Você não sabe dirigir!

Um nó subiu na minha garganta. Minhas mãos tremiam tanto que eu tive que apoiar no carro.

As buzinas começaram atrás da gente, era hora de pico. Todo mundo querendo chegar no trabalho e o sujeito simplesmente parou o trânsito.

— Olha — respirei fundo — Não vou prestar queixa. Eu só preciso ir trabalhar, vamos resolver isso depois…

— Você não vai sair daqui! — ele gritou, abrindo os braços. — A senhora tá errada e ainda quer ir embora?!

Eu fechei os olhos. Quis sumir.

E eu nem estava com o meu celular para mandar uma mensagem para Gael ou qualquer pessoa para segurar o cliente pra mim.

A polícia chegou uns dez minutos depois.

Dez minutos de buzina, gente xingando, e o motorista inventando mil versões diferentes do acontecido.

— Senhora, o que aconteceu? — perguntou o policial.

Expliquei e o cara argumentava contra, mas graças a Deus, tinha testemunhas no local que confirmaram a minha versão.

O policial anotou tudo e encarou o homem.

— O senhor estava errado. A senhora tem direito de prestar queixa.

O sujeito ficou vermelho.

— Ela que foi imprudente!

— Eu vou prestar queixa, sim — respondi, cansada demais pra ser gentil.

Ele bufou, chutou o próprio pneu, começou a xingar baixinho e o policial continuou:

— O senhor será responsável pelo conserto do carro dela.

Mais xingamentos.

Troquei contato com ele, com nojo. Só queria sair dali.

E eu juro que meu coração deu um solavanco.

Lorena saiu de lá, com uma expressão cansada, exausta. Parecia que tinha corrido uma maratona emocional. Quando ela me viu, seus olhos ficaram enormes, totalmente surpresa. O cliente, simpático como sempre, sorriu para ela e deu tchau antes de seguir para a saída.

Assim que o elevador fechou, eu me virei totalmente para Lorena.

— O que aconteceu? — perguntei, tentando manter a voz calma, mas sentindo a preocupação me corroendo.

Ela soltou um suspiro, um daqueles longos, carregados.

— Um idiota bateu no meu carro — resmungou.

Eu pisquei, meio sem acreditar. Nunca tinha ouvido Lorena falar “idiota”. Ou nada parecido. Mesmo irritada, ela costumava ser educada até demais. Acabei rindo baixinho, mas o sorriso morreu na minha boca quando ela ergueu a mão para tirar a franja do rosto.

O brilho dourado da aliança acendeu como um farol bem diante de mim.

E foi como se alguém tivesse fechado um punho no meu peito de repente.

A garganta apertou, o estômago virou, aquela sensação ruim, que eu já tinha sentido antes, mas que tinha feito questão de ignorar, voltou com força.

Ela nem percebeu minha reação.

Claro que não percebeu.

Lorena apenas passou por mim, indo em direção à copa como se precisasse urgentemente de água para continuar de pé. Eu fiquei parado por uns segundos, tentando entender o que tinha acontecido, se ela tinha voltado na decisão do divórcio.

E antes que eu pudesse racionalizar qualquer coisa, a pergunta veio, silenciosa, mas forte:

Eu tinha o direito de questionar alguma coisa?

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