(Visão de Rafael)
Quando a porta se fechou atrás da Lorena, eu fiquei encarando por um segundo o espaço vazio, como se pudesse puxá-la de volta só com o pensamento.
Merda… ela ouviu aquilo e eu senti na hora o jeito que ela me olhou antes de sair…
Doeu em mim mais do que eu queria admitir.
Viro para Sophia, já com a paciência no limite.
— Por que você falou isso aqui? — minha voz saiu mais dura do que eu pretendia.
Ela dá de ombros, fingindo inocência.
— Porque não achei que fosse segredo.
Ela dá alguns passos na minha direção, me analisando como quem tenta juntar peças de um quebra-cabeça.
— Tem alguma coisa rolando entre você e a… secretariazinha?
Passei a mão no rosto, tentando não perder a cabeça.
— Não tem nada, Sophia. — E isso é mais verdade do que eu queria que fosse. — E eu preciso trabalhar.
Ela dá mais um passo, sempre tentando invadir um espaço que não é mais dela. Ou talvez nunca tenha sido.
— Ai, Rafael, para de ser chato — ela faz um biquinho, como se isso fosse resolver alguma coisa.
— Sophia. — Olho firme. — Para. O que quer que você esteja pensando, desiste. Eu realmente preciso trabalhar.
Ela revira os olhos, claramente irritada por não estar conseguindo o que quer.
— Tá bom… eu só vim deixar o seu anel mesmo. — limpou a expressão, forçando um sorriso e pegou a bolsa da poltrona. — Vou viajar hoje, aliás.
— Boa viagem — respondo num tom neutro, cansado.
Ela sorri, j**a o cabelo para trás e finalmente sai, deixando o perfume forte no ar… e não é nada disso que eu quero sentir.
Assim que a porta fecha, solto o ar como se estivesse segurando desde cedo. Passo as mãos no rosto outra vez, massageando as têmporas.
Por que tudo tem que virar uma confusão? Por que justo hoje, justo agora… e por que a Lorena tinha que ouvir aquilo?
Antes que eu consiga pensar por mais de dois segundos, meu celular vibra na mesa e vejo que era da delegacia.
Meu estômago trava por instinto, mas eu atendo.
— Alô?
A voz do outro lado é direta, sem rodeios:
“Senhor Rafael Fonseca, gostaríamos que o senhor comparecesse à delegacia hoje à tarde.”
Fecho os olhos por um instante e inspiro fundo. Só o que faltava.
— Certo… eu vou — respondo, tentando manter a voz firme.
Quando desligo, fico olhando para o nada por alguns segundos.
O que será que o delegado Almeida quer comigo agora?
E… como eu vou encarar a Lorena depois do que acabou de acontecer?
Uma dor de cabeça começa a latejar de novo.
Consigo trabalhar um pouco, mas não demora para o meu celular tocar de novo. Nem tinha me recuperado da ligação da delegacia e já vinha mais coisa.
Quando vi o nome “Wesley” na tela, respirei fundo antes de atender.
— Fala, cara.
“Rafa, desculpa te ligar assim de repente, mas… você acha que tem como adiarmos a reunião de amanhã? Preciso viajar hoje à tarde. Acha que conseguimos fazer na hora do almoço?”
Fechei os olhos. O dia hoje estava empenhado em testar meus limites.
— Dá sim… nos encontramos hoje.
“Valeu, irmão. Eu te devo uma, nos vemos no almoço então.”
— Beleza.
Desliguei e fiquei um segundo encarando a tela apagada. Precisava falar com a Lorena.
Caminhei até a sala dela, tentando organizar na cabeça o que eu ia dizer, tanto sobre a reunião quanto… sobre o resto.
Quando cheguei na porta e bati, ela deu um pequeno salto na cadeira. O jeito que evitou olhar pra mim… doeu mais do que eu esperava.
— O Wesley ligou — comecei, encostando a mão na lateral da porta. — Perguntou se dava pra adiarmos a reunião de amanhã. Ele precisa viajar, então vai ser na hora do almoço… hoje. E… eu vou precisar de você lá.
Ela assentiu rápido demais, sem me encarar.
— Tudo bem. Eu só… preciso avisar a babá da Alana.
Sentamos, eu de frente pra ela.
Lorena ajeitou o cabelo, olhando ao redor, claramente desconfortável.
Ótimo. Era tudo que eu precisava hoje: parecer um idiota emocionalmente inepto diante da mulher que eu não consigo ter.
A porta do restaurante abriu com força, porque, claro, Wesley nunca chegava discreto e lá veio ele: alto, bonito, bronzeado, jeitão de galã de comercial de perfume.
— Rafael, meu amigo!— ele quase gritou, já atravessando o salão com um sorriso enorme.
Levantou a mão e me puxou pra um abraço daqueles que quase deslocam a costela.
— Você sumiu, em? Pensei que tinha virado monge.
Soltei uma risada sem humor.
— Só trabalhando, Wesley. Alguém nessa mesa faz isso.
— É, é… — ele disse, desviando o olhar para a pessoa sentada à minha frente.
E aí… pronto. O seu sorriso se abriu um pouco mais, o olhar demorou um segundo além do aceitável. Ele praticamente estudou Lorena.
E isso me irritou instantaneamente.
— E quem é essa joia rara? — ele perguntou, estendendo a mão.
— Lorena, sou a assistente do Rafael.
Lorena sorriu educadamente, um sorriso que ela não me deu o dia inteiro, e apertou a mão dele. Só que Wesley segurou um pouco mais do que eu achei necessário.
Fechei a mão em punho debaixo da mesa.
— Assistente… — ele continuou, ainda olhando pra ela, ignorando completamente minha expressão fechada. — Ele não comentou que tinha alguém tão… competente na equipe.
Lorena abriu um sorriso tímido, meio sem graça.
Eu não.
— Tá bom, Wesley — cortei, forçando um sorriso — senta logo.
Ele riu, completamente alheio à minha irritação, e só então soltou a mão dela.
Mas já era tarde e o estrago estava feito.
Porque naquele instante, vendo o olhar dele sobre ela, senti o ciúme bater tão forte que quase me fez perder o ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....