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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 391

(Visão de Rafael)

Quando a porta se fechou atrás da Lorena, eu fiquei encarando por um segundo o espaço vazio, como se pudesse puxá-la de volta só com o pensamento.

Merda… ela ouviu aquilo e eu senti na hora o jeito que ela me olhou antes de sair…

Doeu em mim mais do que eu queria admitir.

Viro para Sophia, já com a paciência no limite.

— Por que você falou isso aqui? — minha voz saiu mais dura do que eu pretendia.

Ela dá de ombros, fingindo inocência.

— Porque não achei que fosse segredo.

Ela dá alguns passos na minha direção, me analisando como quem tenta juntar peças de um quebra-cabeça.

— Tem alguma coisa rolando entre você e a… secretariazinha?

Passei a mão no rosto, tentando não perder a cabeça.

— Não tem nada, Sophia. — E isso é mais verdade do que eu queria que fosse. — E eu preciso trabalhar.

Ela dá mais um passo, sempre tentando invadir um espaço que não é mais dela. Ou talvez nunca tenha sido.

— Ai, Rafael, para de ser chato — ela faz um biquinho, como se isso fosse resolver alguma coisa.

— Sophia. — Olho firme. — Para. O que quer que você esteja pensando, desiste. Eu realmente preciso trabalhar.

Ela revira os olhos, claramente irritada por não estar conseguindo o que quer.

— Tá bom… eu só vim deixar o seu anel mesmo. — limpou a expressão, forçando um sorriso e pegou a bolsa da poltrona. — Vou viajar hoje, aliás.

— Boa viagem — respondo num tom neutro, cansado.

Ela sorri, j**a o cabelo para trás e finalmente sai, deixando o perfume forte no ar… e não é nada disso que eu quero sentir.

Assim que a porta fecha, solto o ar como se estivesse segurando desde cedo. Passo as mãos no rosto outra vez, massageando as têmporas.

Por que tudo tem que virar uma confusão? Por que justo hoje, justo agora… e por que a Lorena tinha que ouvir aquilo?

Antes que eu consiga pensar por mais de dois segundos, meu celular vibra na mesa e vejo que era da delegacia.

Meu estômago trava por instinto, mas eu atendo.

— Alô?

A voz do outro lado é direta, sem rodeios:

“Senhor Rafael Fonseca, gostaríamos que o senhor comparecesse à delegacia hoje à tarde.”

Fecho os olhos por um instante e inspiro fundo. Só o que faltava.

— Certo… eu vou — respondo, tentando manter a voz firme.

Quando desligo, fico olhando para o nada por alguns segundos.

O que será que o delegado Almeida quer comigo agora?

E… como eu vou encarar a Lorena depois do que acabou de acontecer?

Uma dor de cabeça começa a latejar de novo.

Consigo trabalhar um pouco, mas não demora para o meu celular tocar de novo. Nem tinha me recuperado da ligação da delegacia e já vinha mais coisa.

Quando vi o nome “Wesley” na tela, respirei fundo antes de atender.

— Fala, cara.

“Rafa, desculpa te ligar assim de repente, mas… você acha que tem como adiarmos a reunião de amanhã? Preciso viajar hoje à tarde. Acha que conseguimos fazer na hora do almoço?”

Fechei os olhos. O dia hoje estava empenhado em testar meus limites.

— Dá sim… nos encontramos hoje.

“Valeu, irmão. Eu te devo uma, nos vemos no almoço então.”

— Beleza.

Desliguei e fiquei um segundo encarando a tela apagada. Precisava falar com a Lorena.

Caminhei até a sala dela, tentando organizar na cabeça o que eu ia dizer, tanto sobre a reunião quanto… sobre o resto.

Quando cheguei na porta e bati, ela deu um pequeno salto na cadeira. O jeito que evitou olhar pra mim… doeu mais do que eu esperava.

— O Wesley ligou — comecei, encostando a mão na lateral da porta. — Perguntou se dava pra adiarmos a reunião de amanhã. Ele precisa viajar, então vai ser na hora do almoço… hoje. E… eu vou precisar de você lá.

Ela assentiu rápido demais, sem me encarar.

— Tudo bem. Eu só… preciso avisar a babá da Alana.

Sentamos, eu de frente pra ela.

Lorena ajeitou o cabelo, olhando ao redor, claramente desconfortável.

Ótimo. Era tudo que eu precisava hoje: parecer um idiota emocionalmente inepto diante da mulher que eu não consigo ter.

A porta do restaurante abriu com força, porque, claro, Wesley nunca chegava discreto e lá veio ele: alto, bonito, bronzeado, jeitão de galã de comercial de perfume.

— Rafael, meu amigo!— ele quase gritou, já atravessando o salão com um sorriso enorme.

Levantou a mão e me puxou pra um abraço daqueles que quase deslocam a costela.

— Você sumiu, em? Pensei que tinha virado monge.

Soltei uma risada sem humor.

— Só trabalhando, Wesley. Alguém nessa mesa faz isso.

— É, é… — ele disse, desviando o olhar para a pessoa sentada à minha frente.

E aí… pronto. O seu sorriso se abriu um pouco mais, o olhar demorou um segundo além do aceitável. Ele praticamente estudou Lorena.

E isso me irritou instantaneamente.

— E quem é essa joia rara? — ele perguntou, estendendo a mão.

— Lorena, sou a assistente do Rafael.

Lorena sorriu educadamente, um sorriso que ela não me deu o dia inteiro, e apertou a mão dele. Só que Wesley segurou um pouco mais do que eu achei necessário.

Fechei a mão em punho debaixo da mesa.

— Assistente… — ele continuou, ainda olhando pra ela, ignorando completamente minha expressão fechada. — Ele não comentou que tinha alguém tão… competente na equipe.

Lorena abriu um sorriso tímido, meio sem graça.

Eu não.

— Tá bom, Wesley — cortei, forçando um sorriso — senta logo.

Ele riu, completamente alheio à minha irritação, e só então soltou a mão dela.

Mas já era tarde e o estrago estava feito.

Porque naquele instante, vendo o olhar dele sobre ela, senti o ciúme bater tão forte que quase me fez perder o ar.

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