Ela fechou os olhos por um segundo, e meu estômago virou. Quando abriu, Lorena soltou um suspiro que parecia sair dos pés.
— Não — ela disse, e o alívio que tomou conta de mim foi quase físico. Mas então ela balançou a cabeça, um “mas…” mudo pendendo nos seus lábios.
Eu entendi. Claro que entendi.
— É o Thales — completei, com a voz saindo plana.
O nome tinha um gosto amargo.
Ela apenas assentiu, com os olhos baixos. Comecei a abotoar minha própria camisa, os dedos desajeitados. A realidade era uma roupa molhada e pesada caindo sobre mim.
— Lorena, olha pra mim. — Segurei o seu rosto. — Aquele imbecil não te merece. Você já se divorciou dele há muito tempo, em tudo que importa. O papel… o papel é só burocracia.
Ela tentou sorrir, um esgar frágil e lindo.
— Eu sei, vou dar entrada. Prometo, dessa vez eu vou.
— Eu vou estar lá — disse, e era um juramento. Deixei mais um beijo em seus lábios, rápido, doce, um selo naquela promessa. — Não vou deixar ele te machucar de novo. Em nada.
Ela então se jogou no meu peito, em um abraço forte, quase desesperado. Senti a sua respiração, funda e trêmula, contra meu pescoço.
— Isso foi uma loucura — ela murmurou, com a voz abafada na minha camisa. — Uma das maiores loucuras que eu já fiz.
Não pude evitar um sorriso, mesmo com o coração apertado.
— Sério? comigo não. — brinquei, suave.
Ela se afastou, com os olhos arregalados de surpresa, antes de dar um tapinha fraco no meu braço.
— Seu bobo.
Olhei para o relógio.
— É melhor a gente ir. O mundo lá fora não para.
Ela assentiu, passando as mãos no vestido, tentando alisar inexistentes amassados. Foi então que o pensamento me atingiu, um choque de água gelada.
— Lorena… a gente não usou nada.
Ela olhou pra mim, e pela primeira vez desde que nos afastamos, vi um brilho travesso, quase ofegante, nos seus olhos.
— Eu tomo anticoncepcional.
O suspiro que saiu de mim foi de um alívio tão profundo que quase me dobrou ao meio.
— Ah… — soltei, puxando ela de volta pra um abraço rápido e apertado.
A caminho do carro, a grama molhada sob os pés, a realidade era um peso diferente. Ela parou do meu lado, olhando para o carro.
— Agora é a realidade — ela disse, mais pra ela do que pra mim.
Abri a porta para ela.
— A realidade pode esperar mais cinco minutos.
No carro, ela se encolheu no banco do passageiro, olhando pela janela enquanto eu dava partida. O motor roncou, um som invasivo. Eu estendi a mão e apoiei na coxa dela, só para sentir que ainda era real.
— Para a empresa? — perguntei, já sabendo a resposta.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...
Cadê o capítulo 309?...
Alguém sabe do cap 207?...
Capítulo 293 e de mais tá bloqueado parcialmente sendo que já está entre os gratuitos...