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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 416

(Visão de Rafael)

A tarde estava se arrastando, e a impotência era uma companhia constante, mais incômoda que a dor na perna.

Eu estava no sofá da sala, com a perna esticada num puff, rodeado por telas de computador e papéis. Raul estava na cozinha, falando baixo ao telefone com um dos nossos contatos.

O celular na mesa de centro vibrou, com um número restrito. Meu coração deu um pequeno salto. Era a linha segura da Glayce.

Atendi rápido, levando o aparelho ao ouvido.

— Fale.

— Chefe. — A voz dela era calma, profissional, mas havia um fio de urgência por baixo. — Estabeleci contato. Breve, mas estabeleci.

Meu corpo ficou alerta.

— E?

— A situação é ruim. Ela está sob um controle muito apertado. A sogra é uma carcereira, e o marido… ele está a mantendo ali sob vigilância. E ela confirmou…

Um frio começou a se espalhar pelo meu peito.

— Confirmou o quê?

— Fui até o apartamento da senhora Lorena.

Ela fez uma pausa, e eu senti o nó na minha garganta apertar.

— Ela me puxou para dentro, desesperada. Disse que não pode se envolver com o senhor. Que não quer trazer problemas. Ela pediu especificamente para eu avisar a você… — Glayce hesitou, como se medindo as palavras. — Que o irmão dela, o Eduardo, já está ciente de tudo. E que ele vai cuidar.

Eduardo, o delegado.

Então ela tinha ido até ele. Um alívio áspero e amargo me atingiu. Pelo menos ela não estava completamente sozinha.

Mas a ideia de que ela confiava mais no irmão do que em mim… doía. Mesmo eu entendendo o porquê.

— Ela disse mais alguma coisa? Como ela pareceu? — a pergunta saiu antes que eu pudesse pará-la.

Houve um silêncio mais longo do outro lado da linha. Quando Glayce falou de novo, sua voz estava ainda mais baixa, carregada de uma seriedade diferente.

— Ela pareceu… assustada até a alma, chefe. Mas foi algo específico. Quando ela me puxou para um canto, a luz do corredor bateu no pescoço dela. — Glayce fez uma pausa, e eu senti cada músculo do meu corpo se contrair. — Tinham marcas de dedos. Roxas e amareladas, muito recentes.

O mundo parou.

A imagem explodiu na minha mente com uma clareza brutal e doente das mãos daquele homem fechadas no pescoço dela.

Apertando, sufocando. Deixando marcas em sua pele macia.

Um rugido surdo começou a subir do meu estômago, uma onda de fúria pura, primitiva e assassina, que queimou cada centímetro do meu corpo.

A dor na perna desapareceu, aniquilada por um ódio tão quente que era branco. Meus dedos se cerraram em torno do celular com tanta força que o plástico rangiu.

— Chefe? — a voz de Glayce veio distante, através do zumbido ensurdecedor no meu ouvido.

Respirei, ou tentei e o ar entrou como lâminas.

— Ele tocou nela — a frase saiu rouca, não era uma pergunta. Era a confirmação de um pesadelo.

— Parece que sim. E não foi a primeira vez, pela aparência das marcas.

A vontade de levantar, arrancar essa perna gessada, de ir até aquele apartamento e despedaçar o Thales com as próprias mãos foi tão avassaladora que me deixou tonto.

Eu podia sentir o seu pescoço dele esmagando entre meus dedos.

Podia ouvir o estalo dos ossos.

Mas eu estava preso a um sofá. E ela estava presa com ele.

— Glayce — minha voz saiu estranhamente controlada, o que era um contraste grotesco com o furacão de violência por dentro. — Você fica aí e não sai de perto. A sua prioridade absoluta, acima de qualquer disfarce, acima de qualquer ordem minha, é a segurança dela. Você entende? Se você suspeitar, por um segundo, que ele vai tocar nela de novo… pode interferir. Custe o que custar.

— Entendido. — Não havia hesitação na sua voz. — Vou manter a vigilância 24/7.

O irmão dela, Eduardo, era a peça que faltava. Ele sabia de algo e eu precisava saber o que.

Peguei o celular novamente, com meus dedos ainda um pouco trêmulos da descarga de adrenalina. Encontrei o número dele e então disquei.

O toque pareceu durar uma eternidade, mas ele atendeu na quarta chamada.

Sua voz do outro lado era cansada, profissional, e carregava uma desconfiança imediata.

— Senhor Fonseca?

— Delegado Eduardo…

Houve um silêncio pesado do outro lado.

— O que você quer, Fonseca? — a pergunta foi direta, sem rodeios. Um tom de "não tenho tempo para joguinhos".

Isso era bom. Eu também não tinha.

— Preciso falar com você. É sobre a Lorena e o marido dela.

O silêncio dessa vez foi diferente. Mais carregado e eu conseguia quase ouvir os pensamentos dele rodando, as engrenagens de um policial experiente se movendo.

— O que você sabe sobre eles? — sua voz ficou mais baixa e perigosa.

— Não é uma conversa para telefone — respondi, firme. — Preciso que você venha até a minha casa. De preferência, agora.

— Sua casa? — ele pareceu surpreso. — Por que eu iria até aí?

— Porque a sua irmã está com marcas roxas no pescoço, delegado. — Joguei a informação como um soco, sem delicadeza. — E porque, apesar de você não me conhecer, eu me importo com ela. E acho que nós dois queremos a mesma coisa, tirá-la das garras daquele homem. E para isso, você precisa saber de coisas que eu sei, e eu preciso saber de coisas que você sabe.

A respiração dele mudou do outro lado da linha. Ficou mais ofegante, controlada por um esforço visível. Eu tinha acertado o nervo.

— Que tipo de coisas você sabe? — a pergunta saiu quase como um rosnado.

— Acredito que sei mais do que deveria e talvez, a possível ligação daquele homem, com os doze selos. — Fiz uma pausa. — E sobre o fato de que eu sou o próximo alvo, e que usar a Lorena pode ser parte do plano para me atingir.

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