(Visão de Rafael)
A tarde estava se arrastando, e a impotência era uma companhia constante, mais incômoda que a dor na perna.
Eu estava no sofá da sala, com a perna esticada num puff, rodeado por telas de computador e papéis. Raul estava na cozinha, falando baixo ao telefone com um dos nossos contatos.
O celular na mesa de centro vibrou, com um número restrito. Meu coração deu um pequeno salto. Era a linha segura da Glayce.
Atendi rápido, levando o aparelho ao ouvido.
— Fale.
— Chefe. — A voz dela era calma, profissional, mas havia um fio de urgência por baixo. — Estabeleci contato. Breve, mas estabeleci.
Meu corpo ficou alerta.
— E?
— A situação é ruim. Ela está sob um controle muito apertado. A sogra é uma carcereira, e o marido… ele está a mantendo ali sob vigilância. E ela confirmou…
Um frio começou a se espalhar pelo meu peito.
— Confirmou o quê?
— Fui até o apartamento da senhora Lorena.
Ela fez uma pausa, e eu senti o nó na minha garganta apertar.
— Ela me puxou para dentro, desesperada. Disse que não pode se envolver com o senhor. Que não quer trazer problemas. Ela pediu especificamente para eu avisar a você… — Glayce hesitou, como se medindo as palavras. — Que o irmão dela, o Eduardo, já está ciente de tudo. E que ele vai cuidar.
Eduardo, o delegado.
Então ela tinha ido até ele. Um alívio áspero e amargo me atingiu. Pelo menos ela não estava completamente sozinha.
Mas a ideia de que ela confiava mais no irmão do que em mim… doía. Mesmo eu entendendo o porquê.
— Ela disse mais alguma coisa? Como ela pareceu? — a pergunta saiu antes que eu pudesse pará-la.
Houve um silêncio mais longo do outro lado da linha. Quando Glayce falou de novo, sua voz estava ainda mais baixa, carregada de uma seriedade diferente.
— Ela pareceu… assustada até a alma, chefe. Mas foi algo específico. Quando ela me puxou para um canto, a luz do corredor bateu no pescoço dela. — Glayce fez uma pausa, e eu senti cada músculo do meu corpo se contrair. — Tinham marcas de dedos. Roxas e amareladas, muito recentes.
O mundo parou.
A imagem explodiu na minha mente com uma clareza brutal e doente das mãos daquele homem fechadas no pescoço dela.
Apertando, sufocando. Deixando marcas em sua pele macia.
Um rugido surdo começou a subir do meu estômago, uma onda de fúria pura, primitiva e assassina, que queimou cada centímetro do meu corpo.
A dor na perna desapareceu, aniquilada por um ódio tão quente que era branco. Meus dedos se cerraram em torno do celular com tanta força que o plástico rangiu.
— Chefe? — a voz de Glayce veio distante, através do zumbido ensurdecedor no meu ouvido.
Respirei, ou tentei e o ar entrou como lâminas.
— Ele tocou nela — a frase saiu rouca, não era uma pergunta. Era a confirmação de um pesadelo.
— Parece que sim. E não foi a primeira vez, pela aparência das marcas.
A vontade de levantar, arrancar essa perna gessada, de ir até aquele apartamento e despedaçar o Thales com as próprias mãos foi tão avassaladora que me deixou tonto.
Eu podia sentir o seu pescoço dele esmagando entre meus dedos.
Podia ouvir o estalo dos ossos.
Mas eu estava preso a um sofá. E ela estava presa com ele.
— Glayce — minha voz saiu estranhamente controlada, o que era um contraste grotesco com o furacão de violência por dentro. — Você fica aí e não sai de perto. A sua prioridade absoluta, acima de qualquer disfarce, acima de qualquer ordem minha, é a segurança dela. Você entende? Se você suspeitar, por um segundo, que ele vai tocar nela de novo… pode interferir. Custe o que custar.
— Entendido. — Não havia hesitação na sua voz. — Vou manter a vigilância 24/7.
O irmão dela, Eduardo, era a peça que faltava. Ele sabia de algo e eu precisava saber o que.
Peguei o celular novamente, com meus dedos ainda um pouco trêmulos da descarga de adrenalina. Encontrei o número dele e então disquei.
O toque pareceu durar uma eternidade, mas ele atendeu na quarta chamada.
Sua voz do outro lado era cansada, profissional, e carregava uma desconfiança imediata.
— Senhor Fonseca?
— Delegado Eduardo…
Houve um silêncio pesado do outro lado.
— O que você quer, Fonseca? — a pergunta foi direta, sem rodeios. Um tom de "não tenho tempo para joguinhos".
Isso era bom. Eu também não tinha.
— Preciso falar com você. É sobre a Lorena e o marido dela.
O silêncio dessa vez foi diferente. Mais carregado e eu conseguia quase ouvir os pensamentos dele rodando, as engrenagens de um policial experiente se movendo.
— O que você sabe sobre eles? — sua voz ficou mais baixa e perigosa.
— Não é uma conversa para telefone — respondi, firme. — Preciso que você venha até a minha casa. De preferência, agora.
— Sua casa? — ele pareceu surpreso. — Por que eu iria até aí?
— Porque a sua irmã está com marcas roxas no pescoço, delegado. — Joguei a informação como um soco, sem delicadeza. — E porque, apesar de você não me conhecer, eu me importo com ela. E acho que nós dois queremos a mesma coisa, tirá-la das garras daquele homem. E para isso, você precisa saber de coisas que eu sei, e eu preciso saber de coisas que você sabe.
A respiração dele mudou do outro lado da linha. Ficou mais ofegante, controlada por um esforço visível. Eu tinha acertado o nervo.
— Que tipo de coisas você sabe? — a pergunta saiu quase como um rosnado.
— Acredito que sei mais do que deveria e talvez, a possível ligação daquele homem, com os doze selos. — Fiz uma pausa. — E sobre o fato de que eu sou o próximo alvo, e que usar a Lorena pode ser parte do plano para me atingir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....