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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 427

A imagem daquela janela iluminada parecia queimar um buraco na minha alma. Era só um ponto de luz no meio de tantos outros, mas era dela.

Lorena estava lá. Provavelmente assustada, contando os segundos, talvez deitada ao lado da Alana, ouvindo cada barulho do apartamento como uma sentença.

E eu estava aqui. Preso neste carro, numa rua escura, com uma perna que não obedecia e um plano que tinha acabado de desmoronar.

A frustração era um gosto de metal e cinzas na boca. A conversa com o Eduardo ainda ecoava. O cara era bom e meticuloso.

Mas a meticulosidade dele não ia salvar ela se o Thales a colocasse num carro e sumisse do mapa amanhã.

A raiva, então, começou a substituir a impotência.

Não era mais um calor explosivo, agora, era uma chama fria e estável, que queimava tudo por dentro.

Eu não podia ficar parado nem esperar por outro plano ou outra jogada de xadrez.

Olhei para a janela dela uma última vez, como se pudesse mandar uma mensagem pelo pensamento.

Espera. Só mais um pouco. Dessa vez, eu vou até ele.

— Raul — minha voz saiu surpreendentemente estável no silêncio abafado do carro.

— Chefe.

— Esquece o ponto de observação.

Virei-me para ele, e ele deve ter visto algo novo nos meus olhos, porque sua expressão neutra ficou ainda mais séria.

— Vamos para o aeroporto executivo, agora.

Ele não questionou, apenas assentiu, com uma única inclinação de cabeça, e ligou o carro.

O motor roncou suavemente e ele deu uma última olhada no prédio pelo retrovisor e então mergulhou o carro na noite, deixando a rua escura e aquela janela solitária para trás.

Enquanto ele dirigia, escolhendo ruas rápidas e escuras, eu peguei o celular. A dor na perna era um latejar insistente, mas eu a ignorei e achei o número do Alessandro.

Ele atendeu no primeiro toque. Sua voz veio limpa, em alerta. Ele sabia da operação e provavelmente não conseguiu dormir.

— Rafael. Que houve? Como foi a operação?

— Não houve, mas te explico isso depois. Preciso saber agora se o seu jatinho está disponível?

Houve uma pausa mínima do outro lado, apenas o tempo dele processar a urgência na minha voz.

— Tá. O piloto está de prontidão 24h por causa dessa situação toda. O que você pretende?

Eu olhei pela janela, vendo os postes de luz formarem um rastro contínuo.

— Fazer o que a gente devia ter feito desde o início. Parar de reagir e começar a atacar. Mas preciso contar no caminho.

Alessandro não hesitou.

— Tá feito. Já mando a autorização. Mas, Rafawl… você com essa perna… você não deveria…

— Não tem ‘não deveria’, Alessandro! — cortei, a emoção escapando por um segundo. — Ele vai tirar ela daqui amanhã! Eu não vou ficar numa cadeira de rodas assistindo! Meus homens, os seus contatos em São Paulo… eu vou precisar de tudo.

Outra pausa, mais carregada dessa vez.

— Vai dar merda.

— Já tá dando merda. A diferença é que agora a merda vai ser no quintal dele. — Respirei fundo. — Eu te explico tudo por áudio. Só… confia em mim.

— Sempre confiei. É por isso que tô com medo agora. — Ele suspirou, com um som pesado. — O piloto vai te esperar na sala Vip 3. Os meus contatos… eu vou avisando. Manda a localização quando pousar.

— Obrigado.

Desliguei e deixei a cabeça cair no encosto. A adrenalina começava a bater, misturada com a dor. O aeroporto já aparecia à frente, suas luzes de pista piscando como um farol perverso.

Raul estacionou na área reservada. Mal o carro parou, eu já estava abrindo a porta, me arrastando para fora com a ajuda da muleta. A perna protestou, uma facada aguda subindo pela coxa. Eu grunhi, engoli o grito, e finquei a muleta no asfalto.

— Vem comigo — disse para Raul, que já estava ao meu lado, com minha pequena bagagem, um laptop, armas e dinheiro frio na mão dele.

Não sabia que iria viajar, mas tinha trazido por precaução.

A sala Vip estava vazia, exceto pelo piloto, um homem grisalho e sério que apenas acenou com a cabeça.

— Sr. Fonseca. Autorização recebida. Podemos decolar em quinze minutos. Destino?

— São Paulo. O mais rápido que essa máquina fizer.

Enquanto seguíamos pela esteira diretamente para o jato que esperava, com suas luzes de cabine já acesas, eu peguei o celular novamente. Abri o gravador de voz.

Comecei a falar, baixo, rápido, enquanto mancava em direção à escada do avião. Era um áudio para o Alessandro, mas também era para mim mesmo. Para solidificar o plano insano que estava nascendo na minha cabeça.

"Vou te passar tudo por aqui. O Alvo é Marilene Rocha, ela é a chave financeira do Thales, a laranja dele… e do possivelmente NOTÁRIO. Vamos tirá-la do jogo, e sim, estou falando de sequestro mesmo. Posso não parar o Thales de vez, mas isso vai atrasá-lo e ele não leva ela embora… Eu sei que pode ser perigoso, mas eu preciso fazer isso. Ele não pode viajar com a Lorena… Essa pode ser a distração que o irmão dela precisa para agir e achar a babá. Assim que eu estiver com essa mulher, te informo. Até mais.”

Minha voz soava estranha, plana e estratégica. Mas por trás de cada palavra, havia a imagem do rosto dela. Era por isso. Tudo era por isso.

Entrei no jato e sentei em uma poltrona de couro, com Raul ao meu lado, guardando as coisas.

O piloto fechou a porta e o ruído do mundo exterior cessou. O avião começou a se mover.

Eu olhei pela janela escura, de volta para a cidade que estava desaparecendo abaixo de nós. Para aquela janela iluminada que eu não podia mais ver.

Logo, Lorena. Segura mais um pouco. Dessa vez, eu vou trazer a guerra até a porta deles.

O pouso em Congonhas foi suave, mas cada solavanco na pista ecoava como uma martelada na minha perna.

A ansiedade, no entanto, era um combustível mais forte que a dor. Mal a porta do jato se abriu, o ar quente e pesado de São Paulo nos atingiu.

E lá, estacionados na área restrita, estavam dois SUVs pretos, com vidros fumês, e homens de Alessandro.

Não houve apresentações longas. Apenas acenos de cabeça e um deles, o mais velho, com cicatrizes nas mãos, se aproximou.

— Ele disse que é pra seguir suas ordens. Sou o Marco.

— Marco — repeti, segurando a muleta com força. — Obrigado. Precisamos de um lugar pra montar base, e de informações. Agora.

Já estávamos nos movendo para os carros. Raul me ajudou a entrar no primeiro SUV, enquanto Marco e os outros dois entravam no segundo.

— Já temos um lugar vazio e seguro, no Jardins — Marco informou pelo interfone entre os carros. — E sobre o alvo?

— Marilene Rocha — disse, abrindo meu laptop, já conectado a um hotspot seguro.

A foto que eu tinha dela, de documentos corporativos, encarava a gente. Morena, cabelo preso, olhos duros.

— Meu contato, já tá de olho nela há dois dias.

Peguei o celular e fiz contato com ela.

A voz da Susy veio pelo meu celular, em um aplicativo seguro.

— Boa viagem, chefe. Ela segue a rotina. Acordou, tomou café. Agora tá se arrumando e em 20, 25 minutos, ela sai para a academia. O clube ‘Vitalis’, na Faria Lima. Tem estacionamento subterrâneo.

Com um empurrão suave mais firme, Raul a guiou até a porta do carro. O homem ao volante a abriu de dentro.

Marilene entrou, praticamente sendo jogada ao meu lado no banco junto com Susy.

Raul jogou a bolsa dela no porta-malas, entrou no banco da frente.

— Revista ela. Agora — ordenei, minha voz soando estranha no confinamento do carro.

Susy se virou para ela.

— Quietinha, princesa. Isso vai ser rápido e indolor se você colaborar.

— Seus filhos da puta, vocês vão se arrepender disso!

Susy pegou as algemas, e ela começou a se debater dentro do carro minúsculo e sem paciência, agarrei seu cabelo, empurrando sua cabeça no encosto do banco do motorista. Ela gritou, mas Susy conseguiu puxar seus braços para trás e prendê-los.

Susy foi metódica e profissional, começando a revistá-la, até tirar seus brincos pequenos e de ouro. Quando ela o examinou direitinho, havia rastreadores GPS minúsculos nos dois.

Ela os descartou num saco plástico.

Susy continuou, passando as mãos pelo sutiã esportivo, encontrando algo no fecho

— Mais um para o saco.

Então, com um gesto ainda mais invasivo, ela apontou para a virilha do short de Marilene.

— Lá.

Ela ficou rígida, o nojo e a humilhação queimando em seu rosto.

— Vocês são uns animais.

— E você é uma lavadora de dinheiro de facção criminosa. — a voz da Susy era gelada.

Ela começou a procurar qualquer coisa em Marilene e eu virei o rosto. Susy murmurou alguma coisa e quando me virei, ela segurava um pequeno rastreador.

— O mesmo. Mandaram você bem equipada, hein?

Três rastreadores. O nível de paranoia, ou controle, era altíssimo.

Peguei o saco plástico com os dispositivos. Abri a janela um pouco e entreguei para o homem do Alessandro que estava próximo.

— Leva isso direto para o apartamento dela no Morumbi. Deixa em algum lugar óbvio. Depois some.

Ele pegou o saco e entrou no carro, que saiu primeiro do estacionamento e em seguida, o nosso.

Enquanto isso, Susy já tinha vendado os olhos de Marilene. Colocou uma mordaça de pano enquanto ela se contorcia, tentando protestar, mas era inútil.

O carro acelerou, deixando a Faria Lima para trás, mergulhando em ruas menores, rumo ao esconderijo.

A primeira parte estava feita.

Tínhamos a chave financeira. Agora, era fazer ela abrir os cofres. E, com um pouco de sorte, fazer o barulho que ia trazer Thales correndo para São Paulo, bem longe de Lorena.

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Oie, meus amores. Infelizmente hoje vou conseguir lançar só esse. Mas amanhça faço como das outras vezes e mando uns quatro para vocês. Ah, quem aqui está lendo a história de Mariana e Rodrigo? Da babá super inteligente que quer vingar a prisão do pai, mas não faz ideia que seu novo chefe está envolvido nisso?? Sabe aquela relação de amor e odio? Pois bem...

E para quem não conseguiu achar o especial de natal de Larissa e Alessandro, é só pesquisar ALIANÇA PROVISÓRIA, que aparece os dois livros, o original e esse especial. ... Ah, não é sempre, mas os comentários de vocês me ajudam aqui na plataforma ao livro ter mais alcance. Conto com vocês e até amanhã... Hoje, tenho um jantar as 20hrs pra ir e já são 18:30 e nem me arrumei ainda. Beijos, amos vocês...

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