(Thales)
A dor era uma coisa viva, pulsante, grudada no meu rosto.
O lado direito era um inferno de carne cozida e crua ao mesmo tempo, uma massa úmida e latejante sob as ataduras grossas que o médico de merda tinha colocado.
Cada respiração puxava a pele, fazendo um fogo novo brotar.
E a visão… essa merda do lado direito era só um borrão de luzes e sombras, uma névoa permanente de agonia.
A facada na barriga doía a cada movimento, era uma pontada constante que me lembrava da traição final dela.
Ela tentou me matar.
Eu entrei no apartamento-fortaleza mancando, o gosto do ódio tão forte na boca quanto o gosto do pus que eu sentia escorrer da minha cara.
O cheiro do lugar, mofo e tensão, piorou minha náusea.
O médico, um cara baixo e assustado que trabalhava para o esquema, se aproximou, seus olhos fugindo dos meus.
— Senhor Thales, eu insisto… o senhor precisa de repouso. A queimadura é de segundo grau, pode infeccionar, e a facada…
— Cale a boca! — grunhi, e a dor no rosto disparou com o movimento da boca.
Eu não precisava de repouso. Precisava de sangue. Precisava fazer alguém pagar pelo que ela fez.
Ele recuou, amedrontado. Era um lixo, como todos os outros.
Minha atenção foi para o canto da sala, onde a Joyce estava sentada num banquinho, com as mãos amarradas nas costas.
Ela estava pálida, os olhos inchados de tanto chorar, mas intacta. Eu tinha dado ordens expressas. Ninguém tocava nela.
Ela era a minha isca perfeita, a peça que ia trazer a Lorena de volta, de joelhos, implorando. Mas agora… agora a raiva era um ácido comendo minha lógica por dentro.
Avancei em direção a ela.
Ela tentou se encolher, um tremor percorrendo seu corpo magro. Agarrei um punhado do seu cabelo sujo e puxei, forçando-a a levantar a cabeça.
Ela gritou, um som fraco e quebrado.
— Olha pra mim, sua puta! — cuspi, aproximando meu rosto horrendo do dela.
Ela fechou os olhos, soluçando.
— Olha o que a sua amiguinha fez! A mulher que você defende, que você esconde as mentiras… ela fez isso comigo!
— Argentina, é? — eu disse, cético. — Quero que me dêem a certeza de que ele desceu daquele avião na Argentina. O irmão dela, aquele delegado de merda, deve estar escondendo as duas.
Andei até a janela, olhando para a cidade lá embaixo através do vidro à prova de balas.
— Mas eu não preciso mais dele vivo pra pegar ela. Só preciso saber que ele não vai mais ser um problema.
Virei-me para o Tom, com a decisão tomada.
— Manda homens atrás dele. Descobre onde aquele jatinho vai parar de verdade e quando descobrir… acaba com ele. Não preciso mais daquele desgraçado, só me traz a confirmação de que o problema foi resolvido. Entendeu? Quero ele morto.
Tom assentiu, uma inclinação só de cabeça.
— Entendido, chefe.
Meu olhar voltou para a Joyce, que tentava se sentar no chão, encolhida. A raiva voltou, mais fria agora, mais calculista. Caminhei até ela e agarrei seu braço, puxando-a para cima com força. Ela gemeu de dor.
— Escuta bem, sua vaca. O seu tempo de espera acabou. Você vai ajudar a trazer a sua amiguinha de volta pra mim e quando ela estiver aqui… — apertei o braço dela até ela gritar. — …o pesadelo de vocês duas vai começar de verdade. E dessa vez, não vai ter panela quente ou faca de cozinha pra salvar ninguém.
Joguei ela de lado, e ela caiu de novo, chorando em silêncio. A dor no meu rosto era um tambor constante, martelando a promessa de vingança na minha cabeça.
Lorena ia pagar caro pelo o que fez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...