(Visão de Lorena)
O trajeto até o hospital foi feito em um silêncio pesado dentro do carro de Eduardo.
Alana estava segura com meus pais na casa do Rafael, uma imagem que ainda me aquecia por dentro, mas a ansiedade pelo que eu ia encontrar naquele lugar branco e frio era um nó apertado na minha garganta.
Minhas mãos suavam no colo, e eu as esfregava no vestido emprestado de Milena, tentando me acalmar.
Eduardo, ao volante, lançava olhares rápidos para mim. Ele estava cansado, os olhos fundos de noites mal dormidas, mas sua determinação em me levar até lá era inabalável.
— Ela vai ficar bem, Lorena— ele disse, pela terceira vez, como se repetir a frase a tornasse mais verdadeira. — Os médicos disseram que o pior já passou.
Eu só consegui acenar, sem confiança.
Eu não tinha visto Joyce desde muito tempo, não conseguia nem lembrar direito a última vez.
A culpa, um monstro familiar e persistente, deu as caras, sussurrando que eu não merecia estar ali, ilesa, enquanto ela estava deitada em uma cama de hospital.
O hospital era um labirinto de corredores claros, cheiros antissépticos e sons abafados.
Cada passo ecoava na minha cabeça como um tambor. Eduardo seguiu à frente, já que ele conhecia o caminho.
Paramos em frente a uma porta entreaberta no setor de terapia intensiva.
Meu coração parecia querer sair pela boca. Eduardo colocou a mão no meu ombro, um gesto firme.
— Vai, Lorena, ela está dormindo. Só vai estar você e ela.
Respirei fundo, puxando coragem de um lugar que não sabia que ainda existia, e empurrei a porta suavemente.
O quarto era pequeno, iluminado pela luz suave de uma janela e pelos monitores silenciosos ao lado da cama. E ali, no centro de tudo, estava Joyce.
Ela parecia tão pequena e frágil. O rosto estava pálido e inchado, uma série de tubos e fios saindo do seu corpo, conectados às máquinas que faziam o trabalho de mantê-la viva.
Sua respiração era regulada por um aparelho, um som rítmico e artificial que preenchia o quarto. Meus olhos encheram de lágrimas instantaneamente.
Não era a Joyce vibrante e sorridente que eu conhecia. Era a sombra dela, lutando para não se apagar.
Aproximei-me devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrá-la. Sentei na cadeira dura ao lado da cama, com minhas mãos tremendo.
Estiquei uma delas e, com a ponta dos dedos, toquei a parte de sua mão que não estava perfurada por agulhas.
Sua pele estava fria.
— Joyce… — sussurrei, a voz um fio de som rouco. — Eu… eu estou aqui. Sou eu, Lorena.
Claro que ela não ouviu. Mas eu precisava dizer.
Precisava que ela soubesse, em algum nível, que ela não estava sozinha.
Senti Eduardo entrar e ficar parado atrás de mim, uma presença silenciosa e solidária.
Foi quando a porta se abriu novamente e um homem de jaleco branco, com a postura cansada mas os olhos gentis de quem já viu de tudo, entrou.
Era o médico.
— Senhora Lorena? — perguntou, com um aceno discreto.
— Sim — levantei-me rapidamente, enxugando as lágrimas com as costas da mão.
— Sou o Dr. Vinícius, o neurocirurgião responsável pela Joyce. O Eduardo me avisou que você viria.
Ele se aproximou, olhando para os monitores antes de voltar a atenção para mim.
— A Joyce passou por um trauma grave devido ao impacto da bala. A cirurgia foi para remover fragmentos e aliviar a pressão na médula. Foi bem-sucedida, mas o caminho agora é de recuperação lenta.
As palavras do meu irmão caíram sobre mim com o peso da verdade.
Eu entendia.
Deus, como eu entendia. Quantas vezes eu tinha mentido para meus pais, dizendo que estava tudo bem no meu “casamento perfeito”, só para não ver a preocupação e a decepção nos olhos deles?
Quantas vezes a Joyce, com seu sorriso sempre pronto, tinha escondido a solidão e a rejeição atrás de histórias felizes?
A raiva por ela, por aquela menina doce que merecia tanto mais, quebrou algo dentro de mim.
— Mas… por quê? Como podem ser assim com ela? Ela é a pessoa mais boa que eu conheço!
— Não sei, irmã. Algumas famílias são assim, quebradas e as pessoas que saem delas carregam os cacos a vida toda. — sua voz estava carregada de uma compreensão amarga.
O Dr. Vinícius pareceu desconfortável com a direção da conversa.
— Bem… se não houver mais nada, tenho que fazer a ronda. Ela está em boas mãos. — e com um aceno, ele saiu nos deixando sozinhos enquanto eu observava Joyce dormindo…
Fiquei olhando para ela, sua fragilidade agora tingida por uma camada ainda mais profunda de injustiça.
Ela não tinha ninguém.
Ninguém além de um delegado, e de mim, a pessoa por quem ela quase morreu.
Foi então que Eduardo quebrou o silêncio, sua voz mais leve.
— O Rafael… ele falou uma coisa.
Me virei para ele, confusa.
— O quê?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...