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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 463

— Pare de mentir, Sara — minha voz saiu baixa, plana, e cem vezes mais ameaçadora do que se eu estivesse gritando. — Pare com os joguinhos. Você sabe por que tranquei a porta.

Ela balançou a cabeça, desesperada.

— Eu não… eu não sei do que o você está falando! Eu não fiz nada! Eu só…

Avancei.

Não rápido, mas com uma determinação que a fez parar de recuar, congelada pelo medo.

Parei a um passo dela, invadindo seu espaço pessoal completamente.

— Eu confiei em você — disse, cada palavra uma facada de gelo. — Te trouxe pra cá e você entregou a Lorena na mão daquele monstro. Por quê, Sara? Por dinheiro? Ele pagou bem? Valeu a pena trocar a segurança de uma mulher, de uma criança, por alguns trocados a mais?

— Não foi eu! — ela gritou, as lágrimas começando a escorrer, mas eram lágrimas de medo, não de remorso. — Juro por Deus, não fui eu!

A raiva, contida por tanto tempo, finalmente encontrou uma válvula. Não era uma raiva quente. Era gelada, calculista e perigosamente silenciosa.

— Chega — cortei, e minha mão se moveu.

Agarrei seu queixo, forçando-a a erguer o rosto e me olhar nos olhos.

Ela tentou se soltar, mas meu aperto era firme, imóvel.

— Admita essa merda e você sai daqui, ou você vai presa. Fala!

Ela chorou e então assentiu.

— Ele… disse que ela estava o traindo e ele queria provas… ele ofereceu um dinheiro e…

A raiva quase me dominou e apertei seu queixo, mas respirei fundo me controlando.

— Escute bem, porque só vou dizer isso uma vez. Você vai juntar suas coisas, tudo e vai sumir da minha vista. E é melhor você se enfiar em um buraco, um lugar onde eu nunca, jamais, pense em te encontrar.

Meus dedos pressionaram seu queixo, e vi o pavor genuíno no seu olhar.

— Porque enquanto eu estiver vivo, Sara, vou fazer da sua vida um pesadelo. Não com violência, mas darei meu jeito. Com cada centavo que você ganhou dele, com cada e-mail, cada registro que eu vou garimpar até achar. Vou te processar por quebra de confidencialidade, por cumplicidade em sequestro, por Deus sabe o que mais.

— Você nunca mais vai trabalhar em um lugar decente. Vai viver olhando por cima do ombro, esperando alguém chegar. A Lorena confiou em você. E você acabou com a vida dela. Agora, eu acabo com a sua.

A soltei como se estivesse suja.

Ela cambaleou para trás, encostando na janela, com uma mão no queixo. Ela estava ofegante, chorando silenciosamente agora, com o desespero estampado no rosto.

— Saia — ordenei, virando as costas para ela. Não aguentava mais olhar. — Agora.

Ouvi o som de seus passos apressados, tropeçando, o puxar da maçaneta com dificuldade até destrancar e sair correndo rapidamente, sumindo do meu campo de visão.

Fiquei de costas para a porta, encarando a paisagem da cidade. Passei a mão no rosto, sentindo uma exaustão profunda e nauseante tomando conta de mim.

Não era só a traição.

Era o luto por uma confiança que morreu. A confirmação de que até no meu círculo mais próximo, a podridão do Thales tinha conseguido se infiltrar.

Não tive tempo de processar. Poucos minutos depois, ouvi uma batida firme na porta.

— Entre — disse, minha voz recuperando um pouco da força, mas ainda carregada.

Alessandro e Diogo entraram.

Cap.162 1

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