~ BIANCA ~
A batida na porta foi suave, quase tímida. Três batidas rápidas seguidas de uma pausa.
— Entre — chamei, esperando talvez ver Nico.
Mas quem abriu a porta foi Bella, segurando uma pilha de toalhas brancas que eram quase do tamanho dela. Seu rostinho aparecia por cima do tecido, os cachos castanhos escapando da trança desfeita, e aquele sorriso largo que mostrava o dente de leite que estava começando a amolecer.
Não pude deixar de sorrir de volta.
— Toalhas? — perguntei, genuinamente surpresa.
Bella entrou no quarto com passos cuidadosos, claramente tentando não derrubar sua carga preciosa.
— Gosto de ajudar a vovó — explicou ela com seriedade de quem tem uma missão importante. — Ela disse que você precisava de toalhas extras e eu pedi pra trazer porque queria ver seu quarto.
Peguei as toalhas das mãos dela e coloquei sobre a cama, sentindo o tecido macio e cheirando a lavanda fresca.
— Muito obrigada, Bella. Você é muito prestativa.
Deixei a porta entreaberta, não completamente fechada, mas o suficiente para dar uma sensação de privacidade enquanto ainda mantinha o decoro apropriado. Afinal, era apenas uma criança.
Bella não perdeu tempo. Seus olhos curiosos começaram a vagar pelo quarto, absorvendo cada detalhe com a atenção absoluta que só crianças possuem. Ela se aproximou da escrivaninha onde eu havia deixado algumas coisas espalhadas, tocou levemente a capa do bloco de anotações, observou minha bolsa pendurada na cadeira.
— Você é muito bonita — declarou ela de repente, virando-se para me encarar. — Tipo princesa.
Ri, sentindo uma onda inesperada de carinho por aquela criaturinha.
— Obrigada, querida. Você também é muito bonita.
— E você tem roupas de princesa também — continuou Bella, apontando para a mala aberta onde algumas das minhas roupas ainda estavam visíveis. — Suas roupas são brilhantes e macias. A vovó tem roupas assim também, mas só usa quando vai na igreja nos dias importantes.
Olhei para a mala, vendo o que ela via: cashmere, seda, tecidos claramente caros demais. Mais uma inconsistência que meu cérebro confuso não conseguia explicar.
— Eu gosto de me vestir bem — respondi, porque era a única explicação que conseguia dar.
Bella se aproximou mais, subindo na beirada da cama e sentando com as pernas balançando no ar. Ela me observava com aqueles olhos castanhos grandes e sinceros, sem qualquer filtro ou malícia.
— Você faz o papai rir — disse ela suavemente, e havia algo quase reverente em sua voz.
— Faço?
— Faço sim. Vi vocês lá fora. — Bella balançou as perninhas com mais energia. — Ele estava rindo. Tipo de verdade. Não aquele riso pequenininho que ele dá quando está sendo educado com os hóspedes. Um riso de verdade.
Senti algo quente se expandir no meu peito.
— Você gosta quando seu pai ri?
— Gosto muito — respondeu ela com ênfase. — Ele não ri muito. Fica muito ocupado e sério e preocupado com coisas chatas de adulto. Mas quando você chegou, ele riu. — Ela inclinou a cabeça, me estudando. — Gostei disso.
Não sabia o que dizer. Aquela declaração simples e honesta de uma criança de seis anos me atingiu com uma força inesperada. Sentei-me ao lado dela na cama, sentindo o colchão ceder levemente sob nosso peso combinado.
— Fico feliz em saber disso — disse finalmente.
— Fiz! — Bella pulava de empolgação. — A vovó só me ajudou no nó porque é difícil, mas eu que escolhi as cores e coloquei tudo! É presente!
Senti minha garganta apertar, emoção subindo inesperadamente. Era apenas um colar de miçangas de criança, provavelmente havia custado alguns centavos e levado vinte minutos para fazer. Mas era tão genuíno, tão cheio de carinho e esforço sincero que não consegui segurar as lágrimas que picaram meus olhos.
— Bella... é lindo — disse, e minha voz saiu embargada. — Muito obrigada.
— Coloca! Coloca! — ela insistiu, batendo palminhas.
Coloquei o colar ao redor do pescoço imediatamente, sentindo o peso leve das miçangas de plástico contra minha pele. Era ridiculamente infantil e não combinava nem um pouco com a blusa de seda que eu estava usando. Mas era absolutamente perfeito.
Olhei para meu próprio reflexo na janela escura e sorri. Então, sem pensar muito, levei as mãos ao meu próprio pescoço e removi o colar que estava usando — uma correntinha simples e delicada com uma pequena estrela como pingente.
— Então isso — disse, virando-me para Bella — é um presente pra você também.
Coloquei o colar no pescoço dela com cuidado, fechando o fecho minúsculo enquanto Bella segurava o cabelo para cima. O pingente de estrela caiu perfeitamente no centro do peito dela, brilhando suavemente contra o tecido rosa do vestido.
Bella tocou a estrela com dedos curiosos.
— Tipo um cordão da amizade? — perguntou, seus olhos se arregalando.
— Tipo um cordão da amizade — confirmei, sorrindo.
Ela me abraçou então, jogando os bracinhos ao redor do meu pescoço com força surpreendente para alguém tão pequena. Retribuí o abraço, sentindo aquele corpo pequeno e quente contra o meu, e algo dentro de mim se apertou.
Uma imagem piscou na minha mente. Rápida. Fugaz. Um teste de gravidez na minha mão, duas linhas cor de rosa vibrantes. Eu, anos mais nova, estava comemorando, rindo, mostrando para um homem ao meu lado. Tentei ver o rosto dele, focar nos traços, mas estava tudo embaçado, como se alguém tivesse borrado a imagem propositalmente. Quando tentei segurar a memória, alcançá-la, puxá-la para mais perto, ela se dissolveu como fumaça.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Alguém me indica um livro parecido com esse. Gostei muito...
Eu queria um site pra ler todo o livro...
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....