~ BIANCA ~
— Nós escolhemos esperar!
As palavras pairaram no ar entre nós, e eu me peguei encarando Nico, segurando seu olhar por um longo segundo.
E então explodi em gargalhadas.
Não consegui me controlar. A risada veio do fundo da minha barriga, alta e descontrolada, ecoando pelas paredes do banheiro minúsculo.
— Escolhemos esperar? — repeti entre risadas, mal conseguindo respirar. — Pelo amor de Deus, Nico, não é como se fôssemos adolescentes virgens!
Ele riu também, mas era uma risada sem graça, desconfortável. Aproveitou minha distração momentânea para finalmente se livrar da minha proximidade, deslizando pela parede e escapando de volta para o quarto.
— Não, claro que não... — disse ele, passando a mão pelo cabelo molhado em um gesto nervoso. — Mas... foi uma decisão nossa.
Saí do banheiro atrás dele, ainda com um sorriso nos lábios.
— Uma decisão nossa — repeti, incrédula. — Por quê?
— Pra tornar tudo mais... significativo — continuou Nico, e ele parecia cada vez mais desconfortável. — Depois que nos casarmos.
Parei onde estava e o encarei. Realmente encarei. Estudei suas feições, a forma como ele evitava meu olhar direto, como seus ombros estavam tensos, como suas mãos se mexiam inquietas.
— Então nós nunca...?
— Nunca!
Definitivamente aquilo não parecia algo que eu faria. Esperar até o casamento? Ainda mais tendo um noivo tão absurdamente gostoso quanto ele? Não fazia o menor sentido
Mas... por que ele mentiria para mim?
Não havia razão lógica. Éramos noivos. Íamos nos casar. Se ele quisesse transar comigo, eu claramente estava mais do que disposta. Mentir sobre algo assim seria... idiota.
E além do mais, eu tinha essa sensação estranha. Essa necessidade urgente, quase desesperada. Como se estivesse vivendo no limite da libido, precisando muito de sexo, como se não fizesse há muito, muito tempo.
E isso só faria sentido, tendo Nico como noivo, se nós realmente tivéssemos... escolhido esperar. Por mais ridículo que isso soasse quando dito em voz alta. Ou na minha própria cabeça.
— Sempre podemos mudar de ideia — sugeri, dando um passo na direção dele.
— Não, não — ele respondeu rapidamente, levantando as mãos como se criando uma barreira invisível entre nós. — Eu sempre levo muito a sério quando... me comprometo com algo.
Bufei, deixando minha frustração escapar em um suspiro longo.
— Mas então seu comprometimento comigo não é sério o suficiente pra colocar um anel no meu dedo?
As palavras saíram mais afiadas do que eu pretendia, mas era verdade. Aquilo tinha ficado na minha cabeça, incomodando como uma pedra no sapato. Ele tinha deixado de responder quando perguntei pela primeira vez no tour pela vinícola. Tinha desviado, mudado de assunto.
E não era pelo valor ou pela ostentação. Não me importava se fosse um anel caro de joalheria ou algo simples que ele tivesse comprado em uma lojinha local.
Nico me olhava com uma expressão que eu não conseguia ler completamente. Surpresa, talvez. Ou algo mais profundo, mais complicado.
Mas eu estava longe demais na minha própria alegria para analisar muito.
— Prometo me fazer de surpresa!
Ri novamente, sentindo aquela felicidade boba e efervescente enchendo meu peito. Dei um pulinho pequeno, como uma criança que acabou de ganhar o presente de aniversário que queria.
Um anel. Ele ia me dar um anel. Uma proposta de verdade, do jeito certo, do jeito que deveria ser.
E de repente, tudo aquilo — a memória perdida, a confusão, o acidente — parecia um pouco menos assustador. Porque eu tinha isso. Tinha Nico. Tinha um futuro pela frente, um casamento para planejar, uma vida para construir juntos.
Abri meu maior sorriso, aquele que mostrava todos os dentes e fazia meus olhos brilharem.
— Mal posso esperar — disse, ainda segurando suas mãos.
E era verdade. Pela primeira vez desde que acordara naquele hospital confusa e perdida, eu tinha algo concreto para esperar. Algo bom. Algo que fazia meu coração acelerar de excitação em vez de medo.
Não importava que eu não lembrasse como nos conhecemos. Não importava que houvesse buracos na minha memória do tamanho de crateras. Não importava nada disso.
Porque este homem, este homem incrível e gentil que me carregara quando cai, que cuidara de mim no hospital, que estava me dando espaço para me recuperar mesmo claramente lutando contra a mesma atração que eu sentia — ele tinha me escolhido.
E eu tinha escolhido ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...