~ BIANCA ~
Acordei cedo, antes mesmo do sol nascer completamente. Não conseguia mais ficar deitada na cama. Precisava fazer alguma coisa. Precisava de respostas.
Peguei as chaves do carro que tinha visto ontem quando estava analisando a mala — um chaveiro discreto de couro com o logo de uma marca que eu não reconheci. Desci as escadas em silêncio e saí para o estacionamento gelado da manhã.
Apertei o botão no chaveiro e luzes de um carro que parecia caro piscaram em resposta. Entrei, ajustei o banco e os espelhos como se tivesse feito aquilo mil vezes antes, e liguei o motor. Ele roncou suavemente, respondendo imediatamente.
Dirigir era fácil. Não era como se eu tivesse esquecido as coisas básicas — pisar na embreagem, trocar de marcha, verificar os espelhos. Meu corpo sabia o que fazer mesmo quando minha mente não conseguia lembrar de aprender.
A estrada para o centro estava coberta com uma fina camada de gelo que requeria atenção extra. Dirigi devagar, cuidadosamente, focando em cada curva, cada descida.
O centrinho de Montepulciano era pequeno mas charmoso, com ruas de pedra estreitas e construções medievais que pareciam ter saído diretamente de um cartão-postal. Mesmo na manhã cedo de sábado, algumas lojas já estavam abrindo, comerciantes varrendo as calçadas e preparando suas vitrines.
Estacionei perto da praça principal e saí, puxando meu casaco mais apertado contra o frio cortante. Caminhei pelas ruas até encontrar o que procurava: uma cafeteria moderna que também funcionava como workspace.
A placa dizia "Caffè & Co-working" em letras elegantes.
Perfeito.
Entrei, e o calor me recebeu junto com o cheiro maravilhoso de café fresco e algo doce assando. O interior era acolhedor — paredes de tijolos expostos, mesas de madeira rústica, sofás confortáveis, e o mais importante: uma área claramente designada para trabalho, com mesas com notebooks disponíveis para os clientes.
Me aproximei do balcão onde uma jovem de cabelos curtos e sorriso simpático me cumprimentou.
— Bom dia! O que vai querer?
Abri a boca para pedir um café normal, mas o que saiu foi:
— Um cappuccino com canela e uma pitada de noz-moscada, por favor. Leite de aveia, se tiver
As palavras saíram tão naturalmente, tão automaticamente, que levou um segundo para eu processar o que havia dito.
A garota anotou sem pestanejar.
— Claro! Mais alguma coisa?
— Não, obrigada.
Paguei e fui me sentar em uma das mesas da área de trabalho enquanto esperava meu pedido. Peguei um dos notebooks disponíveis e o abri, esperando ele inicializar.
Aquele pedido específico... cappuccino com canela e noz-moscada, leite de aveia. Não era algo comum. Não era algo que alguém pediria por acaso.
Talvez fosse meu pedido de sempre.
Percebi um padrão: às vezes, quando agia no automático, quando não pensava muito, as coisas apenas... vinham. Como dirigir. Como aquele pedido de café. Mas isso não funcionava quando eu tentava ativamente buscar informações específicas. Quando tentava me lembrar do nome da minha filha, ou onde morava, ou qualquer detalhe importante, havia apenas vazio.
A garota trouxe meu café — perfeitamente preparado, com desenho de folha na espuma — e eu agradeci antes de virar minha atenção completamente para o notebook.
Abri o navegador e fui direto ao G****e.
Respirei fundo e digitei: Bianca Ricci.
Apertei enter e esperei enquanto os resultados carregavam.
Quase nada.
Havia algumas menções a outras Bianca Riccis — uma professora em Roma, uma artista em Milão, uma dentista em Nápoles. Nenhuma foto que se parecesse comigo. Nenhum artigo. Nenhum perfil em redes sociais. Nada.
A frustração começou a ferver no meu peito. Como alguém simplesmente não existia online hoje em dia? Todo mundo tinha presença digital. Todo mundo.
A menos que...
Bellucci.
O nome surgiu na minha mente como um sussurro. Aquele nome que tinha me deixado com um frio na espinha quando vi nos documentos. Aquele nome que vinha com um instinto automático de esconder, de não deixar ninguém saber.
Mas por quê?
Por que esse nome parecia tão errado? Por que ninguém podia saber?
Mas... bem... eu podia saber, não podia? Era sobre mim. Sobre quem eu realmente era.
Com dedos levemente trêmulos, deletei "Ricci" da barra de busca e digitei: Bianca Bellucci.
Apertei enter.
E desta vez, as informações começaram a preencher a tela.
Vários resultados. Links. Imagens.
Meu coração disparou.
Me apeguei rapidamente a algo sobre um reality show — algo relacionado a relacionamentos e vinho. Havia uma foto pequena na prévia do resultado, mas era difícil ver claramente.
Movi o cursor para clicar no link, para abrir a página, para finalmente descobrir algo, qualquer coisa, sobre quem eu realmente era.
— Bianca?
Segurei meu café com mais força, absorvendo cada palavra.
— Mas eles se casaram. Bella veio. Nico estava feliz... — Paola deu de ombros. — Até não estar mais.
Ela sorriu, mas era um sorriso triste, carregado de memórias dolorosas.
— E o resto você sabe no que deu.
Mas eu não sabia. Ou talvez soubesse e simplesmente não lembrava. De qualquer forma, não me sentia no direito de perguntar pelas costas de Nico.
— Eu só tento defender ele e Bella ao máximo, sabe? — Paola me olhou diretamente nos olhos. — São minha família.
— São a minha também — respondi, porque era verdade. Ou deveria ser. Eu ia me casar com Nico. Bella seria minha enteada. Martina, minha sogra. E Paola... bem, Paola seria minha cunhada, de certa forma.
Mas Paola sorriu, e havia algo afiado naquele sorriso agora.
— Não. Não são.
Fiquei imóvel.
Ela se inclinou levemente para frente, seus olhos escuros me estudando com intensidade.
— Você realmente não se lembra de nada? — perguntou, e sua voz era baixa, quase um sussurro. — Ou está fingindo que não se lembra?
Olhei para ela, séria, analisando. Pensando. O que ela estava insinuando? Que eu estava mentindo sobre a perda de memória? Por quê? Com que propósito?
— Do que você está falando? — perguntei, e minha voz saiu mais fria do que pretendia.
Foi a vez de Paola me analisar. Seus olhos percorreram meu rosto como se estivesse olhando no fundo da minha alma, procurando por mentiras, por falhas, por qualquer coisa que revelasse a verdade.
Então ela recuou, aquele sorriso voltando — mas agora era diferente. Mais cauteloso. Mais calculado.
— Nada — disse ela, dando de ombros. — Nada não.
Mas o olhar que me lançou era inconfundível. Era um olhar de "ficarei de olho em você".
Então Paola estendeu a mão.
— Amigas?
Segurei sua mão e apertei com firmeza. Por mais que não tivesse certeza de que, de fato, ela estava me oferecendo sua amizade sincera.
— Amigas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Acabou foi? Não entendi nada.....
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...