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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 566

~ BIANCA ~

A reunião já durava uma hora e meia e eu mal tinha registrado metade do que estava sendo discutido.

Números piscavam na tela de projeção à minha frente. Gráficos de vendas. Projeções. Análises de mercado que normalmente me deixariam completamente absorta, fazendo perguntas, sugerindo ajustes, otimizando estratégias.

Mas hoje minha mente estava a quilômetros de distância. Ou mais especificamente, a cerca de cento e vinte quilômetros de distância, nas colinas da Toscana, em uma pequena pousada com vinhedos ao redor e uma lareira que crepitava suavemente à noite.

Meu celular vibrou discretamente no meu colo, embaixo da mesa. Dei uma olhadinha rápida, esperando que ninguém notasse.

Era uma foto. Bella usando um chapéu ridiculamente grande, claramente de Nico, que cobria metade do seu rosto. Ela estava sorrindo daquele jeito que só crianças conseguem. A legenda dizia simplesmente: "Ela insistiu que o chapéu a fazia parecer mais velha. Concordei porque sou um bom pai."

Não consegui evitar. Ri. Um som baixo mas genuíno que escapou antes que pudesse contê-lo.

E foi quando percebi que Mia estava me observando do outro lado da mesa, uma sobrancelha levantada em clara interrogação. Ao lado dela, o gerente de vendas continuava apresentando dados sobre inserção de mercado em restaurantes de médio porte, completamente alheio ao meu deslize.

Rapidamente guardei o celular, endireitei a postura e voltei ao modo negócios. Prestando atenção. Ou pelo menos fingindo muito bem que estava prestando atenção.

Quando a reunião finalmente terminou — mais quarenta e cinco minutos torturantes depois — Mia me pegou no corredor antes que eu pudesse escapar para meu escritório.

— Almoço — anunciou, não como pergunta mas como declaração. — Agora.

— Tenho muito trabalho — comecei a protestar.

— Que você claramente não está conseguindo focar porque passou a última hora e meia sorrindo para o celular como uma adolescente apaixonada — rebateu Mia, já me puxando pelo braço. — Vamos.

Acabamos em nossa trattoria favorita a dois quarteirões do escritório. Um lugar pequeno, familiar, onde faziam a melhor pasta carbonara de Florença e onde os donos nos conheciam bem o suficiente para não nos incomodar quando queríamos privacidade.

Mal tínhamos nos sentado e pedido quando Mia atacou.

— Então — disse ela, pegando um pedaço de pão da cestinha e o untando generosamente com azeite — como vão as coisas?

— As coisas? — fingi inocência, sabendo exatamente sobre o que ela estava falando.

— Bianca, por favor — Mia revirou os olhos. — Já faz o quê? Um mês?

— Por aí — respondi casualmente, tomando um gole da minha água com gás. — Não é como se eu estivesse contando.

Mas estava. Estava contando cada dia. Trinta e dois dias desde que tinha deixado a Tenuta Montesi. Trinta e dois dias desde aquela noite na sala de estar que tinha se transformado em algo muito mais na cama dele. Trinta e dois dias desde que tinha acordado nos braços dele e tido que me forçar a sair, a me vestir, a descer para o café da manhã e fingir normalidade antes de entrar no carro com Mia e Dante e vir embora.

— E como vão as coisas com o Nico? — perguntou Mia, indo direto ao ponto como sempre fazia.

— Normais — respondi, pegando meu próprio pedaço de pão apenas para ter algo para fazer com as mãos. — São... normais. Somos amigos. Ele manda fotos da Bella de vez em quando. Alguns memes engraçados. Diz que pensou em mim quando viu algo que me faria rir. Mas... bem, só isso.

— Bianca — disse Mia, me encarando com aquela expressão que usava quando achava que eu estava sendo particularmente densa — não existe amizade depois de sexo selvagem.

Senti meu rosto esquentar.

— Não foi... tão selvagem assim — murmurei.

— Ah, não foi? — Mia arqueou uma sobrancelha. — Porque você voltou para o carro na manhã seguinte com aquela cara de quem tinha sido completamente...

— O assunto parece interessante.

Ambas viramos ao mesmo tempo para encontrar Dante parado ao lado da nossa mesa com um sorriso presunçoso no rosto.

— Então a solução é simples: aluga um quarto lá, vai ver a menina. Você também sente falta dela, não sente? Sei que sente. Eventualmente vocês dois vão acabar conversando de verdade sobre o que querem... ou transando. Provavelmente as duas coisas.

Mia quase cuspiu o suco que estava bebendo, tentando conter um risada.

— Superando todas as expectativas — disse ela, olhando para Dante com genuína surpresa — o conselho dele até que é bom.

Fiquei ali sentada, mexendo na minha massa com o garfo sem realmente comer, processando aquilo.

— Devo mesmo uma visita à Bella — admiti finalmente. — Prometi que voltaria. Mas não é assim tão simples. Não acho que tenha espaço para um relacionamento na minha vida agora. Tenho muito trabalho, muita responsabilidade. A Bellucci Itália não se gerencia sozinha. E relacionamentos à distância são complicados, exigem tempo e energia que eu não sei se tenho para dar.

— Você nunca acha que tem espaço — apontou Mia, sua voz gentil mas firme. — Sempre tem uma desculpa. Sempre tem algo mais importante, mais urgente, mais necessário. Mas no fundo você sabe que é só medo.

Antes que eu pudesse responder, Dante interveio novamente.

— E quem está falando de relacionamento? — perguntou, gesticulando com o garfo de forma dramática. — O assunto aqui não era sexo? Tipo, literalmente estávamos falando sobre sexo selvagem há três minutos atrás.

Não pude evitar rir. Uma risada genuína que aliviou um pouco da tensão que tinha se acumulado no meu peito.

— Nem relacionamento, nem sexo casual, nem nada. Agora podemos terminar o almoço? Tenho muito trabalho na parte da tarde e uma reunião importante às três com a rede Sapori d'Italia.

— Sim, chefa — disse Dante com um sorriso de canto, fazendo uma saudação militar falsa.

Revirei os olhos mas não consegui evitar sorrir também.

Terminamos o almoço conversando sobre coisas mais seguras. Qualquer coisa que não envolvesse discussões sobre minha vida amorosa ou homens impossíveis que viviam em montanhas distantes.

Mas enquanto caminhávamos de volta para o escritório, fiquei com aquela sensação persistente: deveria seguir o conselho deles?

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