~ NICOLÒ ~
— Papai, olha!
Bella correu até mim segurando um desenho que tinha acabado de fazer, todo colorido com giz de cera, mostrando o que aparentemente eram três figuras: ela, eu, e uma terceira pessoa com cabelo comprido e o que parecia ser uma estrela no pescoço.
— Muito bonito, princesa — disse, pegando o desenho para examinar melhor. — Quem é essa aqui?
— A tia Bia! — respondeu Bella como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Desenhei nós três assistindo Miraculous, lembra?
Claro que lembrava. Lembrava perfeitamente daquela tarde no sofá, os três espremidos debaixo de um cobertor pequeno demais, Bella no paraíso, completamente alheia à tensão elétrica que existia entre mim e Bianca.
— Está perfeito — disse honestamente. — Vamos colocar na geladeira?
Bella concordou entusiasticamente e correu para a cozinha, provavelmente para mostrar primeiro para a avó antes de pendurá-lo com os ímãs ao lado de todos os outros desenhos que já decoravam o eletrodoméstico antigo.
Fiquei ali parado por um momento, observando minha filha desaparecer pelo corredor, seu riso ecoando pelas paredes da villa.
Tinha sido assim pelos últimos trinta e poucos dias. Bella mencionando Bianca constantemente. Perguntando quando ela voltaria. Se ela tinha esquecido de nós. Se ainda eram amigas de verdade ou se o colar que usava religiosamente tinha perdido o significado.
E cada vez que Bella perguntava, sentia aquele aperto familiar no peito. Aquela mistura de saudade e frustração e algo mais profundo que não queria nomear.
Bianca mandava mensagens. Não muitas, mas algumas. Fotos engraçadas que encontrava na internet e achava que eu ia gostar. Memes sobre vinhos ou sobre vida no campo que a faziam pensar em mim. Perguntava como estava Bella, como estavam as coisas na pousada, se a neve tinha finalmente derretido completamente.
Conversas superficiais. Amigáveis. Completamente inadequadas para depois do que tinha acontecido entre nós naquela última noite.
Porque eu ainda lembrava. Lembrava de cada detalhe com uma clareza que deveria ter diminuído com o tempo mas que teimosamente permanecia vívida. A forma como ela tinha se sentido nos meus braços. O som dos suspiros dela. O gosto da pele dela. A forma como tinha dito meu nome quando...
Balancei a cabeça, forçando esses pensamentos para longe. Não ajudava ficar relembrando. Não mudava o fato de que ela vivia em Florença, imersa em um mundo que eu nem conhecia. E eu estava aqui, preso nestas montanhas por escolha e por necessidade, cuidando de uma pousada que mal conseguia se manter à tona.
Não havia futuro entre nós. Não podia haver
Mesmo que eu quisesse — e como eu queria! — não havia como fazer funcionar. Ela não ia deixar sua vida para vir morar no meio do nada. E eu não podia abandonar minha mãe, minha filha, este lugar que era tudo que restava do legado da minha família.
Peguei meu celular, olhei para a última mensagem dela. De três dias atrás. Um meme sobre um cachorrinho bebendo vinho acidentalmente e fazendo careta. Tinha respondido com um emoji de coração e uma piada sobre como do nosso vinho artesanal provavelmente ele gostaria. Ela tinha rido — pelo menos, tinha mandado aqueles emojis de risada — e a conversa tinha morrido ali.
Sempre morria em algum ponto. Porque nenhum de nós estava disposto a ter a conversa de verdade. A conversa sobre o que aquela noite tinha significado. Sobre se significava algo além de dois adultos cedendo a uma atração física óbvia.
Guardei o celular no bolso e fui verificar as reservas da semana. Três quartos ocupados de segunda a quinta. Um final de semana quase completo graças a um grupo de ciclistas que tinham escolhido a região para um tour. Não era ruim, mas também não era suficiente.
Nunca era suficiente.
Estava no meio de revisar as contas do mês quando ouvi o som de um carro chegando no pátio. Motor caro. Não era o tipo de carro que nossos hóspedes normalmente dirigiam.
Quarenta e dois mil euros.
O número me atingiu como um soco no estômago mesmo já sabendo que estava por volta daquilo.
— Estamos trabalhando nisso — disse, mantendo minha voz firme mesmo que por dentro estivesse entrando em pânico. — Tivemos um inverno difícil. Menos turistas que o esperado. Mas a temporada de primavera está começando e...
— Senhor Montesi — Ferri me interrompeu, sua voz ainda educada mas firme — compreendo as dificuldades. Realmente compreendo. Mas o banco também tem suas obrigações. Não podemos continuar estendendo prazos indefinidamente.
Ele colocou outro papel na mesa entre nós.
— Este é um aviso formal. Vocês têm sessenta dias para regularizar o débito ou apresentar um plano de pagamento concreto e viável. Se não conseguirem... — ele fez uma pausa significativa — o banco será forçado a iniciar procedimentos de execução de garantias.
Execução de garantias. Palavras bonitas para dizer que tomariam a propriedade.
— Sessenta dias — repeti, minha voz saindo mais rouca do que pretendia.
— Sessenta dias — confirmou Ferri, já guardando seus papéis e se levantando. — Espero sinceramente que consigam resolver isso, senhor Montesi. Seria uma pena ver uma propriedade com tanta história mudar de mãos dessa forma.
Ele saiu, deixando aquele aviso formal em cima da mesa, e eu fiquei ali parado olhando para o papel como se fosse uma sentença de morte.
Quarenta e dois mil euros. Sessenta dias.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...