~ BIANCA ~
A festa estava em pleno andamento.
Bella corria de um lado para o outro com seus amiguinhos da escola, uma pequena multidão de crianças de seis e sete anos que pareciam ter energia ilimitada. Brincavam de pega-pega entre as árvores, riam alto demais, gritavam sem motivo aparente da forma que só crianças conseguem fazer.
Bella estava radiante. Usava um vestido rosa com tule que girava quando ela rodava, o que fazia constantemente apenas para ver o efeito. Tinha insistido em usar também o colar que dei para ela, a estrela brilhando contra o tecido cor-de-rosa.
— Tia Bia! Tia Bia! — gritou ela em certo momento, correndo até onde eu estava sentada. — Vem brincar de esconde-esconde com a gente!
— Daqui a pouco, meu amor — prometi, ajeitando uma mecha de cabelo que tinha escapado do penteado dela. — Deixa a tia descansar só um minutinho primeiro.
Ela aceitou aquilo com facilidade característica das crianças e saiu correndo de volta para o grupo, já gritando algo sobre quem seria o próximo a contar.
Nico estava em todos os lugares ao mesmo tempo, como todo pai em festa de filho. Supervisionando as brincadeiras. Separando brigas ocasionais sobre quem tinha chegado primeiro em algum lugar. Limpando joelhos ralados. Servindo suco. Garantindo que ninguém subisse muito alto nas árvores.
Mas mesmo no meio de todo aquele caos controlado, ele encontrava tempo para mim.
Aparecia ao meu lado com um prato de salgadinhos.
— Martina fez aqueles que você gostou — disse, colocando o prato na minha frente. — Come antes que as crianças descubram e ataquem.
Ou trazia um copo de suco fresco.
— O dia está quente — explicava, mesmo que não estivesse particularmente quente. — Precisa se hidratar.
Ou simplesmente se sentava ao meu lado por alguns minutos quando conseguia uma pausa, seu ombro tocando o meu, sua presença calorosa e reconfortante.
— Está se divertindo? — perguntou em um desses momentos, seus olhos varrendo a festa mas sua atenção claramente em mim.
— Muito — respondi honestamente. — Fazia tempo que não ia em uma festa de criança dessa faixa etária. Esqueci como é... pura. Sem complicações. Só alegria genuína.
Ele sorriu, concordando com a cabeça.
— É por isso que faço questão de fazer festa todo ano, mesmo quando o dinheiro está apertado — disse. — Bella merece ter essas memórias. De ser criança. De ser feliz. De não carregar as preocupações dos adultos ainda.
Senti algo apertar no peito com aquelas palavras.
Em certo ponto, quando Bella estava distraída brincando com uma amiguinha, Nico estendeu a mão para mim.
— Vem — disse simplesmente.
Coloquei minha mão na dele, deixando que me puxasse para levantar. Ele não soltou depois. Em vez disso, entrelaçou seus dedos nos meus, segurando firme enquanto caminhávamos alguns passos para longe da festa, para um cantinho mais tranquilo sob uma árvore.
— Só queria um momento — explicou, sua voz mais baixa agora que estávamos relativamente sozinhos. — Longe do caos.
— O caos é bom — disse, mas não soltei sua mão. — Significa que ela está feliz.
— Ela está — concordou, seus olhos nos meus agora. — E eu também.
Não havia nada de explícito em suas palavras. Não havia declarações ou promessas. Mas a forma como me olhava, a forma como seus dedos apertavam os meus levemente, a forma como ficava perto mesmo quando não precisava...
— Quero que a tia Bia seja minha nova mamãe.
O mundo parou.
Completamente parou.
Senti as palavras me atingirem como um soco físico no peito. Diretas. Honestas. Devastadoras em sua simplicidade infantil.
Silêncio absoluto caiu sobre a festa. As outras crianças olhando confusas, não entendendo completamente o peso do que tinha sido dito. Os adultos congelados, alguns com expressões de surpresa, outros de desconforto, outros de algo que parecia compreensão emotiva.
Meus olhos foram instintivamente para Nico. Ele estava pálido, completamente imóvel, olhando para a filha com uma expressão que misturava amor e pânico.
Então meus olhos foram para Bella. Para aquela criança de sete anos que tinha acabado de expor seu maior desejo para um espaço cheio de pessoas. Que não tinha ideia da complexidade, da impossibilidade, da forma como aquelas palavras simples carregavam tanto peso.
Senti lágrimas queimarem atrás dos meus olhos. Não de felicidade. De algo mais complicado. De querer algo que não podia ter. De ser vista de uma forma que não merecia. De saber que eventualmente ia decepcionar aquela criança maravilhosa quando a verdade saísse.
O silêncio se estendeu. Segundos que pareciam horas. Ninguém sabia o que dizer. Como quebrar aquele momento sem machucá-lo ainda mais.
Foi quando uma voz cortou o ar.
Vinda dos fundos da festa. Clara. Fria. Em um tom que fez meu sangue gelar.
— E para que você precisaria de uma nova mamãe quando já tem uma?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Primeira vez que leio um livro do início ao fim, na qual flutuei imaginando até os cenários. Vou sentir saudades 🥺...
Cadê os extras, autora?...
Nao to gostando do desfecho, simplesmente a mae de bela some depois de várias maldades inescrupulosas, ai do nada vem a calmaria. Os outros livros amei, mas esse nao ta prendendo a atencao. To lendo pra concluir mesmo....
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...