~ BIANCA ~
— Provavelmente...
Preciso fazer alguma coisa. Pensa rápido, Bianca. Pensa rápido antes que seja tarde demais.
— ... de alguma...
Meus olhos escanearam a bancada desesperadamente. Há uma faca ali, bem ao meu lado. Um tomate grande e vermelho na tábua de corte. Finjo que vou ajudar, que vou cortar o tomate para contribuir.
— ... festa...
Ah, céus. Isso vai doer. Vai doer muito. Mas não há outra opção.
— ... da Be...
Deixei a faca escorregar. Propositalmente. Com força suficiente para cortar de verdade.
A dor foi instantânea e muito real.
Soltei um grito que não precisei fingir.
Sangue jorrava da minha mão esquerda, escorrendo entre os dedos quando automaticamente a apertei contra o peito.
— Ah, meu Deus, você está bem? — Lavinia abandonou completamente o que estava dizendo, correndo até mim.
Todos se viraram imediatamente. Martina largou a colher que segurava. Dario parou fazer a massa. Nico estava ao meu lado em dois passos largos.
— Bianca! — sua voz saiu preocupada, firme. — Me deixa ver.
— Eu cortei — disse desnecessariamente, minha voz saindo trêmula. Não estava fingindo o tremor. A dor era genuína e pulsante. — Eu cortei a mão.
Nico pegou minha mão com cuidado, afastando suavemente meus dedos para avaliar o estrago. Sangue continuava escorrendo, vermelho vivo contra minha pele pálida.
— Vem aqui — disse ele, me puxando gentilmente em direção à pia. — Precisamos lavar isso.
Abriu a torneira, ajustando a temperatura da água, então colocou minha mão embaixo do jato. A água fria contra o corte fez a dor aumentar por um momento antes de começar a amenizar levemente.
— Não parece tão profundo — disse ele, seus dedos segurando meu pulso com firmeza enquanto observava. — Mas está sangrando bastante.
Tirou o lenço do bolso da camisa, um quadrado de tecido limpo que provavelmente tinha colocado ali de manhã sem imaginar que seria usado assim, e enrolou cuidadosamente ao redor da minha mão.
— Vou buscar o kit de primeiros socorros — disse Martina imediatamente, já se movendo em direção ao armário.
— Não precisa — disse Nico. — Tenho um no meu quarto. A senhora continua com a aula. Paola pode ajudar enquanto isso.
— Mas...
— Eu cuido dela — disse ele firmemente, já me guiando para fora da cozinha.
Subimos as escadas em silêncio. Minha mão pulsava com cada batida do coração, o lenço já começando a ficar manchado de vermelho.
Ele me levou direto para o banheiro anexo ao seu quarto, me fazendo sentar na beirada da banheira enquanto pegava uma caixa de primeiros socorros debaixo da pia.
— Deixa eu ver de novo — disse, se ajoelhando na minha frente e cuidadosamente removendo o lenço ensanguentado.
O corte tinha parado de sangrar tão intensamente agora, mas ainda era uma linha vermelha feia atravessando a palma da minha mão esquerda.
Ele limpou com algodão embebido em soro fisiológico, depois aplicou antisséptico que ardeu o suficiente para me fazer franzir o rosto.
— Desculpa — murmurou, soprando gentilmente sobre o local como se isso ajudasse com a dor.
— Tudo bem — disse, observando-o trabalhar.
Ele levantou os olhos, me dando um pequeno sorriso.
— O sangue faz parecer pior do que é.
— A dor também faz — eu disse honestamente.
— Está melhor? — perguntou, sua voz ficando mais suave.
— Acho que sim — respondi, olhando para a mão enfaixada.
— É melhor você descansar um pouco agora — disse ele. — Pelo menos até a dor passar completamente. Posso lidar com os influenciadores sozinho. Não deve ser muito difícil. Eles parecem empolgados com tudo.
Talvez fosse melhor mesmo. Se conseguisse ficar longe da Lavinia, provavelmente ela não teria motivos para voltar ao assunto Bellucci. Não que pudesse ficar fugindo disso indefinidamente. Mas se conseguisse conversar com ela longe do Nico e da família, poderia explicar que não queria o nome Bellucci associado ao negócio. Que era melhor que ninguém soubesse.
— Tudo bem — concordei com a cabeça. — Mas qualquer coisa que precisar, pode me chamar. Mesmo com a mão assim, ainda posso tirar fotos com a outra ou ajudar de alguma forma.
— Na verdade — disse Nico, e havia algo diferente em seu tom agora — preciso sim. Quero dizer, não agora. Mais tarde.
Olhei para ele, curiosa.
— Tive uma ideia para a Torre Medieval — continuou ele. — E gostaria da sua opinião profissional.
— Claro — disse imediatamente. — Quando você quiser.
— À noite — especificou ele, me dando um sorriso enigmático. — Depois do jantar. Quando os influenciadores já estiverem acomodados. Só nós dois.
Senti algo se apertando no meu peito com aquele "só nós dois".
Ele se levantou, caminhando em direção à porta.
— Descansa um pouco — disse, olhando para mim por cima do ombro. — E tenta não cortar mais nada até lá.
Fiquei ali sentada na cama dele por um longo momento. Então me joguei para trás, deitando completamente, encarando o teto branco com pequenas rachaduras que provavelmente estavam ali há décadas.
Tinha escapado por pouco.
Muito pouco.
Mas quantas vezes mais conseguiria escapar antes que a verdade finalmente aparecesse?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
A autora, você vai colocar o extra que falou, aqui?...
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...