Enquanto a gente jantava, o silêncio era confortável, só o barulho dos talheres preenchendo o espaço. Diogo mastigou mais um pedaço de frango e me olhou por cima do prato.
— E aí… como foi com a Larissa? — ele perguntou, a voz curiosa, mas calma.
— Foi tranquilo — respondi, mexendo no purê com o garfo. — Quer dizer… tranquilo depois. Quando eu contei da gravidez, ela quase surtou.
Diogo soltou um riso baixo, balançando a cabeça.
— Imaginei. Larissa e as reações dramáticas… — Ele me olhou com aquele brilho divertido nos olhos. — E ela comentou algo sobre você deixar de ser assistente dela?
Neguei com a cabeça, dando um meio sorriso.
— Ainda não. Vou fazer isso depois, com calma.
Ele assentiu, voltando a cortar o frango.
Ficamos alguns segundos só ouvindo o som da faca no prato. Suspirei mais fundo do que queria, o peso do próximo passo voltando pra minha mente.
— Amanhã… eu vou falar com meus pais — falei, sem conseguir encará-lo de imediato. — Você sabe se eles ainda estão no hospital?
Diogo largou o garfo, atento.
— Posso mandar uma mensagem pro meu amigo e ver se tem alguma atualização.
— Tá. — Assenti, ainda focada na comida, como se olhar pro prato fosse mais fácil do que encarar tudo que vinha junto com aquela conversa. — Obrigada.
— Ei. — Ele tocou de leve minha mão. — Vai dar tudo certo.
Respirei fundo de novo, apertando a mão dele em resposta, antes de terminar a refeição em silêncio.
Quando acabamos, eu me levantei.
— Deixa que eu lavo a louça.
— Eu posso… — ele começou.
— Diogo, nem tenta. — Cruzei os braços, apontando pra perna dele. — Você vai ficar sentado.
Ele ergueu as mãos em rendição, rindo.
— Tá bom.
Lavei tudo rapidinho, tentando manter a mente ocupada. Depois fomos pra sala, nos jogando no sofá pra assistir qualquer coisa na TV, sem nem prestar muita atenção no que estava passando.
Meu celular vibrou e a tela acendeu com o nome do Júlio em uma chamada de vídeo. Atendi na hora.
— Olha só quem resolveu aparecer — falei, ajeitando o celular na mão. — Oi, Júlio!
— E aí, Alice! — ele sorriu largo, mas logo fez uma expressão dramática ao ver Diogo ao meu lado. — Então é esse o cara que roubou a minha Alice?
Antes que eu respondesse, Diogo puxou meu corpo contra o dele com um sorriso cheio de orgulho.
— Roubei mesmo. Sem arrependimentos.
Revirei os olhos, mas não consegui segurar um sorriso.
— Vocês dois… — olhei pra Júlio. — Tá se alimentando direito?
Ele fez uma careta divertida.
— Tô sim, mãe Alice.
— E a conta de luz? — perguntei, arqueando a sobrancelha.
Júlio começou a rir.
— Paguei, pode ficar tranquila. Já coloquei no débito automático, pra você não ficar me pertubando toda vez.
— Assim que eu gosto. — Sorri satisfeita.
Ele inclinou um pouco a câmera, como se quisesse criar suspense.
— Mas, ó… tenho uma novidade pra vocês.
— O que é? — perguntei, curiosa.
— Lembra daquele estúdio bonito que eu queria comprar um tempo atrás?
— Lembro sim. — Meus olhos se arregalaram. — Não me diga que…
— Comprei! — ele explodiu, quase gritando. — Foi uma correria louca, mas finalmente consegui. Agora eu tenho um lugar de verdade pra receber meus clientes.
Meu sorriso se abriu no mesmo instante.
— Júlio, isso é incrível! — bati palmas, empolgada. — Quando for ajeitar tudo, me chama. Quero ajudar a decorar, organizar, qualquer coisa.
— Ah, pode deixar — ele respondeu, com um sorriso cheio de orgulho. — Vai ser uma força e tanto ter você lá.
Olhei pra Diogo, que sorria com a notícia, e depois de volta pra tela.
— Eu tô muito feliz por você, Júlio. Você merece.
— Valeu, meu amor. — Ele piscou, brincalhão. — Mas olha, não some, hein? Mesmo roubada, você ainda é minha melhor amiga.
Ri, balançando a cabeça.
— Pode deixar, eu não sumo.
Diogo apertou minha cintura de leve, ainda com aquele sorriso satisfeito.
Terça, 22 de novembro
Quando o despertador vibrou ao meu lado, abri os olhos devagar, ainda sonolenta.. Estiquei a mão até o criado-mudo, peguei a caixinha e, no impulso, também peguei o de Diogo. O quarto estava em meia penumbra com a luz fraca da manhã filtrando pelas cortinas.
Me virei para ele. Diogo dormia de lado, o cabelo um pouco bagunçado e a respiração profunda. Mesmo com a perna enfaixada, ele parecia completamente à vontade, dono do espaço, dono de mim. Um sorriso escapou antes que eu pudesse evitar.
— Consegui, sim. Seu pai ainda está internado, e o tratamento está surtindo efeito. Tá tudo indo muito bem, Alice.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo um peso enorme sair dos meus ombros.
— Graças a Deus… — sussurrei, soltando o ar devagar. — Já estava imaginando mil coisas.
Ele apertou minha mão, firme.
— Fica tranquila, tá?
— Vou aproveitar o horário de almoço pra ir lá hoje e conversar com eles. — continuei, ainda respirando fundo. — Melhor não ficar adiando.
Diogo franziu levemente a testa.
— Quer que eu vá com você?
Balancei a cabeça de imediato.
— Não precisa, amor. — passei a mão no rosto dele, tentando tranquilizá-lo. — Eu sei que a Linda vem hoje pra te atualizar sobre a empresa e algumas reuniões… você pode trabalhar tranquilo. Qualquer coisa eu te aviso.
Ele me puxou de repente para mais perto, e eu pude sentir sua mão quente na minha cintura.
— Se eles tentarem qualquer coisa, Alice… — sua voz ficou mais firme. — Se começarem a falar o que você não precisa ouvir, levanta e vai embora. Sem discussão. Entendeu?
Assenti, sentindo a preocupação dele como um abraço apertado.
— Entendi e eu prometo. — beijei de leve a boca dele, um gesto pequeno, mas cheio de certeza. — Não vou ficar lá ouvindo o que não preciso.
Diogo soltou um suspiro pesado, como se quisesse me passar um pouco da calma que ele tentava manter.
— Boa menina.
Sorri, mesmo com o coração apertado, e encostei minha testa na dele.
— Vou ficar bem.
Ele me beijou de novo, mais demorado, um beijo que parecia querer me segurar ali por mais um instante.
— Eu te amo — murmurou, a voz quase um sussurro.
— Também te amo. — beijei de volta, sentindo o calor dele antes de finalmente me afastar. — Agora eu preciso levantar antes que você invente desculpa pra eu ficar.
Ele sorriu de canto, aquele sorriso perigoso que eu já conhecia bem.
— Quem disse que eu preciso de desculpa?
Revirei os olhos rindo, e deslizei para fora da cama.
— Nem tenta, Montenegro. — provoquei, já indo em direção ao banheiro. — Eu vou tomar um banho antes que você me faça perder a hora.
— Vai lá, mas não demora. — ele respondeu, ainda sorrindo, enquanto eu fechava a porta atrás de mim com o coração um pouco mais leve, mas já sentindo a tensão do encontro que estava por vir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...