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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 262

Enquanto a gente jantava, o silêncio era confortável, só o barulho dos talheres preenchendo o espaço. Diogo mastigou mais um pedaço de frango e me olhou por cima do prato.

— E aí… como foi com a Larissa? — ele perguntou, a voz curiosa, mas calma.

— Foi tranquilo — respondi, mexendo no purê com o garfo. — Quer dizer… tranquilo depois. Quando eu contei da gravidez, ela quase surtou.

Diogo soltou um riso baixo, balançando a cabeça.

— Imaginei. Larissa e as reações dramáticas… — Ele me olhou com aquele brilho divertido nos olhos. — E ela comentou algo sobre você deixar de ser assistente dela?

Neguei com a cabeça, dando um meio sorriso.

— Ainda não. Vou fazer isso depois, com calma.

Ele assentiu, voltando a cortar o frango.

Ficamos alguns segundos só ouvindo o som da faca no prato. Suspirei mais fundo do que queria, o peso do próximo passo voltando pra minha mente.

— Amanhã… eu vou falar com meus pais — falei, sem conseguir encará-lo de imediato. — Você sabe se eles ainda estão no hospital?

Diogo largou o garfo, atento.

— Posso mandar uma mensagem pro meu amigo e ver se tem alguma atualização.

— Tá. — Assenti, ainda focada na comida, como se olhar pro prato fosse mais fácil do que encarar tudo que vinha junto com aquela conversa. — Obrigada.

— Ei. — Ele tocou de leve minha mão. — Vai dar tudo certo.

Respirei fundo de novo, apertando a mão dele em resposta, antes de terminar a refeição em silêncio.

Quando acabamos, eu me levantei.

— Deixa que eu lavo a louça.

— Eu posso… — ele começou.

— Diogo, nem tenta. — Cruzei os braços, apontando pra perna dele. — Você vai ficar sentado.

Ele ergueu as mãos em rendição, rindo.

— Tá bom.

Lavei tudo rapidinho, tentando manter a mente ocupada. Depois fomos pra sala, nos jogando no sofá pra assistir qualquer coisa na TV, sem nem prestar muita atenção no que estava passando.

Meu celular vibrou e a tela acendeu com o nome do Júlio em uma chamada de vídeo. Atendi na hora.

— Olha só quem resolveu aparecer — falei, ajeitando o celular na mão. — Oi, Júlio!

— E aí, Alice! — ele sorriu largo, mas logo fez uma expressão dramática ao ver Diogo ao meu lado. — Então é esse o cara que roubou a minha Alice?

Antes que eu respondesse, Diogo puxou meu corpo contra o dele com um sorriso cheio de orgulho.

— Roubei mesmo. Sem arrependimentos.

Revirei os olhos, mas não consegui segurar um sorriso.

— Vocês dois… — olhei pra Júlio. — Tá se alimentando direito?

Ele fez uma careta divertida.

— Tô sim, mãe Alice.

— E a conta de luz? — perguntei, arqueando a sobrancelha.

Júlio começou a rir.

— Paguei, pode ficar tranquila. Já coloquei no débito automático, pra você não ficar me pertubando toda vez.

— Assim que eu gosto. — Sorri satisfeita.

Ele inclinou um pouco a câmera, como se quisesse criar suspense.

— Mas, ó… tenho uma novidade pra vocês.

— O que é? — perguntei, curiosa.

— Lembra daquele estúdio bonito que eu queria comprar um tempo atrás?

— Lembro sim. — Meus olhos se arregalaram. — Não me diga que…

— Comprei! — ele explodiu, quase gritando. — Foi uma correria louca, mas finalmente consegui. Agora eu tenho um lugar de verdade pra receber meus clientes.

Meu sorriso se abriu no mesmo instante.

— Júlio, isso é incrível! — bati palmas, empolgada. — Quando for ajeitar tudo, me chama. Quero ajudar a decorar, organizar, qualquer coisa.

— Ah, pode deixar — ele respondeu, com um sorriso cheio de orgulho. — Vai ser uma força e tanto ter você lá.

Olhei pra Diogo, que sorria com a notícia, e depois de volta pra tela.

— Eu tô muito feliz por você, Júlio. Você merece.

— Valeu, meu amor. — Ele piscou, brincalhão. — Mas olha, não some, hein? Mesmo roubada, você ainda é minha melhor amiga.

Ri, balançando a cabeça.

— Pode deixar, eu não sumo.

Diogo apertou minha cintura de leve, ainda com aquele sorriso satisfeito.

Terça, 22 de novembro

Quando o despertador vibrou ao meu lado, abri os olhos devagar, ainda sonolenta.. Estiquei a mão até o criado-mudo, peguei a caixinha e, no impulso, também peguei o de Diogo. O quarto estava em meia penumbra com a luz fraca da manhã filtrando pelas cortinas.

Me virei para ele. Diogo dormia de lado, o cabelo um pouco bagunçado e a respiração profunda. Mesmo com a perna enfaixada, ele parecia completamente à vontade, dono do espaço, dono de mim. Um sorriso escapou antes que eu pudesse evitar.

— Consegui, sim. Seu pai ainda está internado, e o tratamento está surtindo efeito. Tá tudo indo muito bem, Alice.

Fechei os olhos por um segundo, sentindo um peso enorme sair dos meus ombros.

— Graças a Deus… — sussurrei, soltando o ar devagar. — Já estava imaginando mil coisas.

Ele apertou minha mão, firme.

— Fica tranquila, tá?

— Vou aproveitar o horário de almoço pra ir lá hoje e conversar com eles. — continuei, ainda respirando fundo. — Melhor não ficar adiando.

Diogo franziu levemente a testa.

— Quer que eu vá com você?

Balancei a cabeça de imediato.

— Não precisa, amor. — passei a mão no rosto dele, tentando tranquilizá-lo. — Eu sei que a Linda vem hoje pra te atualizar sobre a empresa e algumas reuniões… você pode trabalhar tranquilo. Qualquer coisa eu te aviso.

Ele me puxou de repente para mais perto, e eu pude sentir sua mão quente na minha cintura.

— Se eles tentarem qualquer coisa, Alice… — sua voz ficou mais firme. — Se começarem a falar o que você não precisa ouvir, levanta e vai embora. Sem discussão. Entendeu?

Assenti, sentindo a preocupação dele como um abraço apertado.

— Entendi e eu prometo. — beijei de leve a boca dele, um gesto pequeno, mas cheio de certeza. — Não vou ficar lá ouvindo o que não preciso.

Diogo soltou um suspiro pesado, como se quisesse me passar um pouco da calma que ele tentava manter.

— Boa menina.

Sorri, mesmo com o coração apertado, e encostei minha testa na dele.

— Vou ficar bem.

Ele me beijou de novo, mais demorado, um beijo que parecia querer me segurar ali por mais um instante.

— Eu te amo — murmurou, a voz quase um sussurro.

— Também te amo. — beijei de volta, sentindo o calor dele antes de finalmente me afastar. — Agora eu preciso levantar antes que você invente desculpa pra eu ficar.

Ele sorriu de canto, aquele sorriso perigoso que eu já conhecia bem.

— Quem disse que eu preciso de desculpa?

Revirei os olhos rindo, e deslizei para fora da cama.

— Nem tenta, Montenegro. — provoquei, já indo em direção ao banheiro. — Eu vou tomar um banho antes que você me faça perder a hora.

— Vai lá, mas não demora. — ele respondeu, ainda sorrindo, enquanto eu fechava a porta atrás de mim com o coração um pouco mais leve, mas já sentindo a tensão do encontro que estava por vir.

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