(Alice)
Estava sentada na minha sala de diretora, recostada na cadeira, tentando absorver tudo o que estava acontecendo. Cada dia era uma descoberta nova e, honestamente, percebi que nem tudo era tão complicado quanto eu tinha imaginado.
Minha barriga estava enorme e eu sentia cada peso dela como um lembrete constante de que a vida estava prestes a mudar de vez.
Flávia, minha vice-diretora, entrou trazendo uma salada de frutas. Ela sempre sabia quando eu precisava de alguma coisa sem precisar perguntar.
— Olá, chefe. Trouxe isso pra você — disse ela, colocando a tigela na minha mesa.
— Obrigada, Flávia. — Suspirei e me recostei na cadeira, pegando uma colher. — Você não precisava…
Ela olhou pra minha barriga e não conseguiu segurar o sorriso.
— Ai, Alice… tô vendo a hora dessa criança nascer aqui na escola mesmo, viu.
Eu ri, balançando a cabeça.
— Relaxa, quando o momento chegar corro pro hospital. Mas, você sabia que ajudei ou fiz o parto de uma amiga em um carro?
Ela arregalou os olhos, chocada.
— Espera… você fez o quê? No carro? — perguntou, incrédula.
— Sim… — dei de ombros, tentando parecer tranquila. — Mas deu tudo certo. Foi só um pouco assustador. Eu fiquei com medo de acontecer algo com ela ou com a bebê, mas graças a Deus, tá tudo bem.
Flávia respirou fundo aliviada e se encostou na mesa.
— Ai, menos mal… ainda bem que correu tudo bem.
— Pois é. — Sorri, mas senti uma pontada nas costas, lembrando das últimas horas. — As contrações de Braxton Hicks começaram já faz uns dias… e hoje acordei com uma dorzinha fina nas costas.
Ela franziu a testa, olhando pra mim com aquele jeito que só ela tinha de se preocupar de verdade.
— Alice, você precisa começar a ficar em casa a partir de hoje.
Neguei com a cabeça, sorrindo.
— Não… eu tô bem. Dá pra segurar mais um pouco.
Ela suspirou, pegando sua garrafa de água e bebendo devagar, antes de soltar outro suspiro pesado.
— Tá, mas pelo menos promete que não vai exagerar, hein? Quero você inteira e essa criança também.
— Prometo… — disse, sorrindo pra ela, sentindo meu coração se aquecer com aquele cuidado todo.
***
O intervalo finalmente chegou, e eu me levantei da cadeira, sentindo minhas costas reclamarem de imediato. As contrações pareciam aumentar, como se quisessem me avisar que a bebê estava se preparando para chegar mais cedo. Apoiei as mãos na mesa e puxei o ar com força quando uma contração mais forte me atingiu e um gemido baixo escapou dos meus lábios.
Passei a mão pelo pé da barriga, sentindo mais firme e suspirei, tentando soltar a respiração devagar. Sorri, meio entre a dor e a ternura.
— Ei, pequena… tá na hora de vir mesmo?
Nesse instante, a porta se abriu com um rangido e Lucas entrou correndo, cheio de energia com os olhos brilhando.
— Mãe, os meus irmãos podem almoçar hoje com a gente?
Sorri pra ele, tentando esconder qualquer sinal da dor que ainda apertava minhas costas.
— Claro, Lucas! Podem sim.
Ele sorriu todo empolgado e se virou pra sair, mas outro gemido meu o fez parar no meio do caminho. Ele se virou com os olhos arregalados e preocupados.
— Mãe? Tá tudo bem? — perguntou, com a voz cheia de cuidado. Mesmo com só oito anos, ele sabia perceber quando algo não estava certo.
Forcei um sorriso, tentando tranquilizá-lo, mas outra contração veio e eu não pude evitar. Me curvei um pouco sobre a mesa, fechando os olhos e deixei escapar mais um gemido.
Lucas arregalou os olhos de novo, aproximando-se devagar, quase com cuidado.
— A minha irmanzinha…vai nascer ? — perguntou, com a voz cheia de expectativa e preocupação.
Respirei fundo, colocando uma mão sobre a dele e sorrindo, tentando acalmá-lo:
— Calma, meu querido… ainda não. Mas a bebê tá quase chegando, e tá tudo bem, tá?
— Mas você tá com dor! — disse ele, franzindo a testa.
— Eu sei, amor… — disse, acariciando a barriga devagar. — Mas a dorzinha faz parte, e a mamãe consegue segurar um pouquinho.
(Diogo)
O cliente japonês não parava de falar, e eu já conhecia cada palavra do que ele dizia. Pesquisei a empresa dele à exaustão antes da reunião, mas não podia interromper porque o contrato era importante demais.
Olhei no relógio e suspirei, não daria tempo de almoçar com a Alice e o Lucas.
Me inclinei brevemente para Linda, que estava ao meu lado.
— Linda, avisa a Alice que eu não vou conseguir almoçar com eles hoje, tá?
Ela assentiu, pegando o celular para mandar a mensagem. Foi então que o meu próprio celular começou a vibrar no bolso. Franzi a testa, peguei o aparelho e vi o número da Alice.
— Desculpe… — murmurei para o cliente, — só um instante.
Atendi.
— Agora não dá, Lucas. Espera só um pouquinho.
— Tá bom… — ele disse, meio contrariado, mas sorriu.
Corri pra recepção, falei o nome da Alice, e a moça apontou o caminho. Em minutos, eu já tava de touca, máscara e roupa esterilizada. Minhas mãos suavam, e eu só conseguia pensar nela.
Quando entrei na sala, ouvi seus gemidos, não eram gritos desesperados, mas dava pra sentir a dor em cada som.
— Alice… — chamei, e ela me olhou. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas quando me viu, tentou sorrir.
Ela estava apoiada na maca e a enfermeira massageava suas costas.
A enfermeira assentiu e se afastou, e eu comecei a fazer o que aprendi nos cursos que a gente fez juntos. Ela relaxou um pouco, mas logo gemeu de novo, curvando o corpo.
— Ai, Diogo… — murmurou, com os olhos fechados. — Tá doendo muito…
— Eu sei, amor, eu sei… respira comigo — disse, segurando a mão dela.
Depois de um tempo, a doutora Heloísa apareceu.
— Vamos ver como estamos? — disse ela, com aquele tom calmo de quem já viu tudo mil vezes.
Alice me olhou e apertou ainda mais minha mão.
— Tô com medo, Diogo…
— Eu tô aqui, meu amor — respondi, tentando parecer tranquilo.
Ela se deitou na maca e a médica fez o toque.
— Seis centímetros — disse. — Tá indo bem, mas ainda precisa de mais um pouco.
— Seis? Só isso? — Alice gemeu, exausta. — Tá doendo tanto…
— É assim mesmo, querida. Fica na bola, depois volta pra banheira, ajuda bastante. Daqui a pouco eu volto, tá?
A médica saiu, e Alice respirou fundo, mas logo se curvou de novo. Eu fiquei sem saber o que fazer, só passei a mão no cabelo dela e fiquei ali, respirando junto.
— Não aguento mais, Diogo… — ela sussurrou.
— Aguenta sim — respondi, encostando a testa na dela. — Você é a mulher mais forte que eu conheço.
Ela chorou baixinho e eu senti o nó subir na garganta. Tudo que eu queria era tirar a dor dela, mas tudo que eu podia fazer era segurar sua mão e não soltar por nada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....