Eu mal conseguia respirar direito vendo Alice se contorcer de dor quando a enfermeira se aproximou com aquele olhar profissional, mas cuidadoso.
— Alice, vamos verificar sua glicose — disse ela, com calma. — Como você tem diabetes tipo 1, precisamos acompanhar de perto durante o trabalho de parto.
Alice piscou assustada, e eu segurei sua mão com força.
— Tá… tudo bem — ela murmurou, com a voz trêmula, tentando se concentrar na respiração.
A enfermeira se preparou, pegando a lanceta e o monitor. Eu fiquei ao lado dela, vendo cada passo, sentindo cada dor que ela respirava.
Logo depois, a doutora Heloísa entrou na sala, com aquele jeito calmo que me dava confiança, mas ainda assim meu coração disparou.
— Diogo, Alice — disse ela, olhando firme nos nossos olhos. — Vamos precisar iniciar uma infusão controlada de insulina por via intravenosa. É necessário para manter a glicose estável durante o parto.
Alice arregalou os olhos e soltou um gemido de desespero.
— Mas… e a bebê? Vai ter algum problema? Ela corre algum risco? — perguntou, quase chorando.
Eu apertei sua mão com mais força, sentindo meu próprio coração acelerar.
— Calma, amor… — tentei, mas minha voz saiu quase rouca.
— Alice, Diogo — disse a doutora, sorrindo suavemente, tentando acalmar os dois. — Tem como sim. O seu quadro está evoluindo muito bem e você já dilatou mais um centímetro, chegou a 7. Se tudo ocorrer bem, poderemos iniciar o parto em breve.
— Mas… — Alice começou, engolindo em seco com os olhos cheios de lágrimas.
— Eu sei que dá medo — continuou Heloísa — mas você vai ser monitorada de perto por toda a equipe. Qualquer coisa, qualquer alteração, eu quero que me chame imediatamente, tá?
Alice assentiu, nervosa, soltando um gemido de dor e respirando com dificuldade. Eu estava ao seu lado sentindo cada movimento do seu corpo, cada pontada que a fazia curvar-se, e mentalmente implorando.
“Por favor, Deus… alivia essa dor agora. Que a Ester chegue bem, saudável… que minha Alice fique bem.”
Segurei a sua mão ainda mais forte, encostando minha testa na sua.
— Eu tô aqui, amor. Vai dar tudo certo, só mais um pouquinho, tá?
Ela suspirou fundo, fechou os olhos e gemeu baixinho, mas eu pude ver, mesmo com medo e dor, que confiava em mim.
— Eu confio em você… — ela murmurou, e eu senti meu coração apertar de amor e preocupação.
— E eu confio em você, meu amor… — respondi, apertando sua mão. — Vai dar tudo certo. A nossa pequena vai chegar, e vou estar ao seu lado a todo momento.
As horas foram passando e eu mal percebia o tempo. Alice estava há sete horas de trabalho de parto. Lucas já tinha ido ficar com a Larissa e o Gabriel, e minha mãe estava do lado de fora, ansiosa, aguardando.
Alice estava exausta… cansada, suada, cada gemido dela me cortava o peito. Estávamos na banheira, ela encostada nas minhas costas, entre minhas pernas, se contorcendo a cada contração e minha preocupação só aumentava.
— Amor… — eu dizia baixinho, segurando firme suas mãos. — Respira, respira comigo. Tô aqui.
— Ai… dói tanto, Diogo… — ela murmurava, arqueando o corpo contra mim.
De vez em quando, a equipe vinha checar a glicemia, e eu percebia a exaustão em seus olhos.
Mais uma contração veio e ela gemeu alto e eu não conseguia tirar os braços dela. Quando a doutora Heloísa apareceu para fazer outro toque, eu ajudei Alice a sair da banheira. Suas pernas tremiam, mas ela se apoiou em mim e eu a conduzi até a maca.
Ela respirou fundo, ainda suada, e a doutora fez o procedimento e então olhou pra gente e sorriu.
— Tá na hora, Alice. Agora vai!
Alice arregalou os olhos, como se não acreditasse. Eu a beijei na testa, segurando suas mãos e sussurrando…
— Amor… falta pouco. Tá tudo certo, vai dar tudo certo.
— É… nossa pequena. — Eu sorri, sentindo uma felicidade que não cabia no peito. — Tá vendo como a mamãe é forte? Você foi incrível…
Ela tentou sorrir, mesmo com os olhos marejados e o corpo ainda tremendo de exaustão. Eu ajeitei a bebê, apoiando melhor sobre o peito dela, e senti Alice relaxar um pouco, finalmente deixando escapar aquele suspiro de alívio.
— Eu nunca pensei que fosse sentir algo assim… — Alice murmurou, acariciando os fios minúsculos da Ester. — É tão… intenso…
— Eu sei… eu sei, amor. Mas olha só… tá tudo bem, a nossa pequena tá aqui com a gente.
Ester se mexeu um pouco, abrindo os olhinhos e dando um chorinho baixinho. Eu me aproximei ainda mais, beijando a cabecinha dela com cuidado.
— Oi, minha princesinha… — eu sussurrei. — Seja bem-vinda… papai tá aqui, tá tudo bem.
Ficamos ali, os três juntos, e por alguns minutos o mundo inteiro parecia ter parado. Alice então foi transferida de quarto, para onde tinha preparado um quarto de recepção.
— Você está bem, amor? — perguntei baixinho, vendo a exaustão dela.
— Tô… tô sim… — respondeu, sorrindo fraquinho. — Só… tão cansada, mas feliz…
— Eu também… — murmurei, beijando a testa dela. — Tô tão feliz que vocês duas tão bem…
Depois de verificarem tudo o que tinha em Alice e Ester, a médica se retirou junto com a equipe. Fiquei no quarto, admirando minha pequena junto com Alice. Elas duas, eram as mulheres da minha vida.
Uns minutos se passaram e então houve uma batida na porta do quarto, que se abriu em seguida e a enfermeira entrou com Lucas e minha mãe. Ambos já estavam higienizados, de máscara, e com os olhos brilhando de expectativa.
— Pai! — Lucas sussurrou, quase correndo até a nossa beira. — Ela é tão pequenininha!
Eu sorri, ainda com os olhos marejados, e abaixei um pouco a máscara para poder falar com ele sem perder a emoção.
— É, meu campeão… essa é a sua irmãzinha. — Segurei a mão dele e indiquei a Ester sobre o peito da Alice. — Olha só como ela é linda.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....