Respirei aliviada.
— Ah, que bom! — disse, sorrindo. — Achei que teria que sair com frequência também.
— Nada disso — respondeu ele. — E quando eu estiver fora, você vai cuidar da agenda e receber os clientes, mas apenas para instruí-los a voltar quando eu chegar. Simples assim.
— Certo. Eu dou conta — garanti, tentando mostrar confiança.
Rafael abriu um sorriso sincero.
— Maravilhoso. Então vamos ver como você se sai, porque hoje já temos um teste de fogo.
Franzi a testa.
— Teste de fogo?
— É. — Ele se afastou um pouco e pegou alguns papéis da mesa. — Surgiu uma reunião de última hora. Um cliente está bem insatisfeito e quer mudar tudo.
— Tudo? — perguntei, surpresa.
— Tudo — confirmou, suspirando. — É uma empresa de pet shop. A equipe de audiovisual gravou um vídeo promocional com os animais, mas o cliente odiou o resultado. Disse que o vídeo não transmite a imagem que ele queria e quer refazer tudo antes do prazo final da campanha.
Fiquei boquiaberta.
— Nossa… deve ser um caos gerenciar isso.
— É, e vai ser — ele respondeu com um meio sorriso cansado. — Por isso, preciso que você me ajude a deixar tudo pronto pra essa reunião. Me apoie com os documentos e organize a sala de reuniões, tá bom?
— Pode deixar — respondi, animada, mesmo sentindo aquele friozinho na barriga. — Vou tentar ser o maior apoio possível pra você hoje.
— Eu sei que vai, Sra.Moura — disse, com um olhar encorajador. — Obrigado por isso.
Peguei os papéis que ele me entregou e fiz um aceno.
— Vou deixar a sala pronta agora.
— Perfeito — disse, voltando a se sentar. — Assim que tudo estiver organizado, me avisa.
Saí da sala e caminhei até a sala de reuniões que Sara tinha me mostrado mais cedo. Respirei fundo, tentando colocar a cabeça no lugar e comecei a organizar a mesa com os documentos que ela havia me dado antes. Ajustei as cadeiras, verifiquei o projetor e alinhei as folhas.
Enquanto ajeitava os detalhes, não pude deixar de pensar no quanto aquele dia já estava sendo intenso e que mal tinha começado.
Estava terminando de alinhar os últimos papéis sobre a mesa quando ouvi vozes se aproximando. Eram passos apressados no corredor, misturados a risadas nervosas e aquele típico burburinho de pré-reunião.
Rafael apareceu primeiro, acompanhado de três pessoas da equipe e um homem de terno escuro, com a expressão fechada, possivelmente o cliente, e claramente irritado.
— Lorena, tudo pronto? — perguntou Rafael, lançando-me um olhar rápido.
— Sim
— Perfeito. — Ele abriu espaço, fazendo um gesto cortês para o cliente. — Por favor, seu Paulo, pode entrar.
O homem assentiu, entrando sem sorrir.
— Espero que a gente consiga resolver isso hoje, Rafael, porque o vídeo ficou… — ele respirou fundo, procurando as palavras. — Um desastre.
Rafael manteve a calma, abrindo um leve sorriso.
— A gente vai resolver, Paulo. Prometo. Vamos conversar com calma, entender o que não agradou e ajustar tudo.
Ele se sentou à frente do cliente, com a equipe distribuída pelos lados. Eu fiquei mais ao fundo, tomando notas e observando cada detalhe.
— Então, vamos lá — disse Rafael, cruzando os dedos sobre a mesa. — O que exatamente não funcionou pra você no vídeo?
— Tudo! — respondeu Paulo, frustrado. — Os cachorros pareciam desorganizados, o cenário estava muito claro, e o roteiro… não tem emoção. Eu quero que o público sinta amor, cuidado, confiança! E o vídeo parece um comercial de ração barato!
A sala ficou em silêncio por alguns segundos e eu prendi a respiração.
Rafael, no entanto, apenas assentiu, como se já esperasse aquilo.
— Entendi e você tem razão — respondeu calmamente. — O vídeo perdeu o toque emocional. A ideia inicial era leve e divertida, mas acabou ficando superficial.
O cliente o olhou surpreso.
— Então você concorda?
— Concordo — disse Rafael, firme. — A gente errou o tom. Mas é por isso que estamos aqui, pra corrigir juntos.
A tensão na sala diminuiu um pouco. Eu observei, admirada, a maneira como ele conduzia tudo sem elevar a voz nem confrontar, mas também sem se encolher. Ele tinha uma presença segura, serena, que passava confiança até para quem estava irritado.
— Pessoal — ele se virou para a equipe —, vamos fazer o seguinte, nós vamos revisar o roteiro agora. Quero ideias novas, rápidas e criativas. Vamos pensar no que desperta emoção, amor, proteção e conexão.
Uma das funcionárias levantou a mão.
— E se a gente mostrar o dono adotando um filhote? Um momento de primeiro encontro?
Rafael sorriu.
— Excelente! Isso já traz empatia. Quem mais?
— Podemos usar uma trilha sonora mais suave, algo com piano — sugeriu outro. — O anterior estava muito acelerado.
— Boa! — respondeu Rafael, animado. — E as cores? Quero algo mais aconchegante. Tons quentes. Nada de branco estourado.
Eu anotava tudo freneticamente, tentando acompanhar o ritmo. A equipe falava, interrompia, criava, descartava ideias e Rafael ia guiando todos com firmeza, mas sem arrogância.
— Vamos testar a nova estrutura até amanhã — disse ele. — E eu quero um novo storyboard pronto até o fim do dia.
— Amanhã? — uma das designers arregalou os olhos. — Mas o prazo da campanha é sexta!
— Justamente por isso — respondeu Rafael, com um meio sorriso. — A gente precisa entregar antes pra revisar com calma.
— É lindo. — Sorri. — Não conhecia esse lugar.
— Pois é, descobri quando voltei de São Paulo. Vim aqui com um colega de equipe, a comida é ótima.
Assenti, mas meu olhar desviou por um instante. Uma mulher loira, de vestido verde, passou por nós indo em direção ao balcão. Notei o olhar de Thales acompanhando o movimento dela, ainda que por segundos. Foi o suficiente pra me fazer prender a respiração e engolir seco.
Fiz o que sempre fazia, sorri, tentando disfarçar e toquei a mão dele sobre a mesa.
— Então… como foi em São Paulo? — perguntei, forçando leveza na voz. — Um mês fora… deve ter sido cansativo, né?
Ele olhou pra mim, como se voltasse à realidade.
— Foi puxado, sim. — Pegou o copo d’água e deu um gole. — Estamos num caso complicado. Mas não posso te contar detalhes, você sabe como é.
— Claro — murmurei, tentando não parecer desapontada. — Segredo de detetive.
Ele soltou um meio sorriso.
— Algo assim. — Encostou-se na cadeira, cruzando os braços. — Mas, olha… esse está dando trabalho, estão sempre um passo a frente da gente.
—Espero que consiga resolver logo e volte pra casa. — Falei, tentando focar no sorriso dele e não no desconforto que ainda latejava no peito. — Alana sente muito a sua falta.
— Eu também sinto, de vocês duas. — Ele esticou a mão e passou o polegar sobre meus dedos. — Ficar longe de casa tanto tempo é horrível.
Sorri de leve, mas não consegui segurar um suspiro.
— Deve ser mesmo.
O garçom chegou e anotou nossos pedidos. O silêncio que ficou depois parecia mais pesado do que o normal. Eu olhei pra janela, tentando me distrair com o movimento da rua, mas o olhar de Thales ainda estava ali firme, estudando cada expressão minha, como se tentasse decifrar o que eu estava pensando.
— Tá tudo bem? — ele perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Tá sim. — Forcei um sorriso. — Só cansada do primeiro dia.
— Imagino. — Ele relaxou um pouco, olhando ao redor. — Mas se você não quiser trabalhar…
Ele começou, mas parou quando seu celular vibrou na mesa. Ele o pegou, lendo algo, quando a sua expressão mudou de repente e seu cenho se fechou, travando o maxilar.
— O que foi? — perguntei, tentando soar natural.
Ele levantou o olhar pra mim, com os olhos duros, como se algo tivesse acendido nele.
— Você já sabia disso, né?
— Sabia o quê? — franzi a testa, confusa.
Ele virou o celular na minha direção, mostrando uma manchete de site policial. “Eduardo Almeida é o novo delegado titular da 4ª DP de Belos Campos.”
Meu irmão…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....