Eu desviei o olhar imediatamente, voltando minha atenção para o Fernando, com o rosto tentando manter uma expressão neutra e profissional. Meu coração batia como um tambor dentro do meu peito.
— Como eu ia dizendo... — minha voz saiu um pouco rouca, e eu precisei limpar a garganta. — ...a tipografia vai seguir essa mesma linha, algo elegante e com serifas finas.
A reunião continuou enquanto eu falava, apresentava, concordava, tudo no piloto automático. Minha mente, porém, estava longe dali. Estava naquele elevador, no abraço que eu dei para confortá-la, no marido dela esperando com aquele olhar penetrante na recepção e agora essa marca nela…
Agora não, eu pensei, forçando-me a focar no slide na minha frente. Agora não, Rafael. Este não é o momento.
Olhei para ela novamente e seus olhos estavam cheios de pavor. Um medo puro e gelado de que eu tivesse visto. Um silêncio gritante passou entre nós, no meio da minha explicação sobre paletas de cores.
Eu... eu não sabia o que fazer ou o que dizer. Meu cérebro travou. A raiva era uma coisa quente e súbita subindo pela minha nuca, mas a preocupação era maior. Muito maior.
— Como eu ia dizendo... — a minha voz saiu um pouco rouca, e eu precisei engolir seco. — ...as cores pastel vão ajudar nessa atmosfera suave.
Tentei me reconcentrar nos slides, mas as palavras pareciam ter perdido o sentido.
Eu não disse nada. Aquele não era o lugar, nem a hora. Mas uma coisa era certa: alguém tinha feito aquilo nela e eu tinha uma terrível suspeita de quem.
A porta da sala de reuniões se fechou com um clique suave, cortando o último "Até mais!" animado do Sr. Fernando. O silêncio que ficou para trás era pesado e espesso, um contraste brutal com a energia profissional de minutos atrás.
Meus olhos se fixaram nela.
Lorena estava de costas para mim, recolhendo as canetas e os blocos de anotações vazios com uma precisão quase mecânica. Seus dedos tremiam levemente, podia ver a tensão nos seus ombros, aquela linha rígida que subia pela sua nuca.
Ela estava se esforçando ao máximo para parecer normal, e era exatamente isso que a entregava. Ela estava muito mais nervosa do que o normal.
Respirei fundo. Não dava para ignorar, não depois do que eu tinha visto.
— Lorena... — comecei, tentando dosar minha voz entre a calma de um chefe e a preocupação genuína que estava me corroendo por dentro.
Ela se virou de supetão, como se eu tivesse gritado. Seus olhos, já estavam cheios de uma defensividade desesperada.
— Eu caí.
A frase saiu cortada, afiada. Uma admissão rápida demais, jogada no ar como um escudo.
Eu franzi o cenho, cruzando os braços.
Nunca que aquilo era marca de uma queda. Eu já tinha me esborrachado em escadas, já tinha batido o cotovelo em quina de parede até ficar dormente. Não era assim. A marca que eu vi era... circular. Como se alguém tivesse enfiado os dedos na carne dela e apertado com muita força.
Minha mente, traiçoeira, foi direto para aquele cara. O marido, Thales. A postura rígida dele, a maneira possessiva como ele a puxou para longe depois do elevador. A imagem da mão dele no braço de Lorena naquela noite se sobrepôs à marca roxa que eu tinha acabado de ver.
Será que...
Balancei a cabeça, esfregando o rosto com as duas mãos numa tentativa de limpar aquele pensamento horrível. Um cansaço súbito, mais mental do que físico, tomou conta de mim.
Isso não é da sua conta, Rafael. Ela é casada. Ela é sua funcionária. Ela te pediu para não se meter.
Mas e se fosse verdade? O que eu faria? Denunciar? Com o quê? O testemunho de um chefe que viu uma marca roxa? Eu destruiria a carreira dela, o casamento... e talvez, piorasse tudo para ela.
A lógica era clara: afaste-se. Mas o instinto... gritava que eu não podia simplesmente virar as costas.
Com um suspiro profundo que não aliviou nada, saí da sala. Em vez de virar à direita, em direção ao meu escritório e à pilha de trabalho que me esperava, virei à esquerda.
Fui direto para a copa porque precisava de um café. Não um café gourmet, daqueles que a gente serve para cliente. Mas um café preto, forte e amargo, daqueles que acordam não só o corpo, mas também a consciência. Eu precisava acordar daquele mal-estar e descobrir o que diabos eu ia fazer a seguir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....