⚠️ Aviso de conteúdo sensível:
A cena a seguir contém temas de violência doméstica e manipulação emocional. Caso esse tipo de conteúdo te cause desconforto, pule este trecho.
(Visão de Lorena)
Acordei com aquela sensação estranha de esperança, uma daquelas que a gente sabe que não devia ter, mas insiste mesmo assim. Joyce aceitou ficar com a Alana naquela noite, e eu aproveitei a chance pra tentar mais uma vez.
Preparei tudo com cuidado. Fiz um dos pratos favoritos do Thales, risoto com camarão que ele sempre elogiava. Coloquei velas na mesa, pétalas de rosa, taças de vinho e uma música ambiente suave tocando baixinho. Queria que ele sentisse que ainda valia a pena voltar pra casa.
Tomei um banho demorado, esfoliei a pele, prendi o cabelo num penteado simples, mas bonito. Passei o perfume que ele sempre dizia adorar. E, por último, vesti a lingerie nova que tinha comprado escondido, um pequeno gesto de esperança, talvez burrice.
Thales andava cada vez mais ausente. Sempre era o mesmo discurso: “é o trabalho, Lorena… São Paulo exige demais… é pra conseguir a promoção”. Tentava entender e acreditar, mas já fazia tempo que ele não me olhava como antes.
Ouvi o som da porta destrancando e meu coração disparou.
Corri até a porta e, quando ele entrou, parou por um instante. O seu olhar percorreu o apartamento, as velas, flores, a mesa e depois parou em mim. Por um segundo, juro que vi surpresa nos olhos dele. E talvez um pouco de admiração.
— Gostou? — perguntei, com a voz mais calma do que eu sentia por dentro.
Ele assentiu com um sorriso rápido nos lábios.
— Você caprichou, hein?
Antes que eu dissesse qualquer coisa, ele me puxou pela cintura e me beijou. Um beijo quente, intenso, daqueles que eu já não sentia há tempos. Por um instante, deixei-me levar.
— Onde tá a Alana? — perguntou entre um beijo e outro.
— Com a Joyce. — Sorri. — Hoje o apartamento é só nosso.
Mas mal terminei de falar e o celular dele começou a tocar. Thales se afastou rápido, o que fez uma pontada tocar meu coração.
— Thales… — chamei baixinho. — Desliga o celular. Fica aqui comigo, só hoje.
Ele passou a mão no cabelo, impaciente.
— É rápido, Lorena. Só um minuto, tá?
Deixou a bolsa em cima do sofá e foi pra varanda. Fiquei parada, observando ele de costas falando baixo com aquele tom tenso. O som da sua voz parecia distante, mas a sensação que eu sentia era próxima demais; humilhação, de novo.
Suspirei, tentando conter o nó na garganta. Quando ele voltou, alguns minutos depois, nem olhou pra mim.
— Eu vou tomar um banho. — Sua voz era seca, fria.
— Tá — murmurei, mas ele já tinha desaparecido pelo corredor.
Fiquei ali, olhando pra porta fechada. A mesa ainda posta, o vinho aberto, a comida esfriando. Toda a minha tentativa… inútil.
Me sentei no sofá, com o olhar caindo sobre a mochila dele. Ia só tirar dali pra não atrapalhar, mas algo chamou minha atenção, um bolso lateral fechado com botão. Eu não lembrava de já ter visto aquele compartimento antes.
Por instinto, abri e congelei.
Outro celular.
Não era o dele. Pelo menos, não o que eu conhecia.
Meu coração começou a bater forte, tão forte que doía. Segurei o aparelho com as mãos tremendo, sentindo o suor frio escorrer pela nuca.
Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, ele vibrou.
A tela acendeu e uma mensagem apareceu…
“Espero que tenha chegado bem, meu amor… eu e...”
O resto ficou cortado, bloqueado pela tela de senha.
Engoli em seco, com o coração martelando nos ouvidos. Minhas mãos começaram a tremer.
A tela ainda brilhava diante dos meus olhos, com a mensagem cortada queimando na minha cabeça.
Meu amor?
Senti o estômago revirar. Meu amor... Quem era essa pessoa?
Ele tinha outra mulher? Estava me traindo?
— Não... não pode ser — sussurrei, sentindo a garganta arder.
Antes que eu pudesse pensar, o celular foi arrancado das minhas mãos com uma brutalidade que me fez recuar para trás no sofá.
— O que você tá fazendo, Lorena?! — a voz dele cortou o ar, áspera, fria.
— Eu mandei você calar a boca! — rugiu, me empurrando contra a parede.
Senti meu corpo bater de lado no aparador. O impacto fez as molduras das nossas fotos caírem e o vidro se espatifar no chão, junto com os pedaços do que restava de mim.
— Thales, para! — gritei, tentando me soltar.
Ele não parou, avançou sobre mim, puxando meu cabelo e me arremessando para o outro lado. Senti uma ardência no braço e quando olhei, o sangue escorrendo.
O mundo parecia girar.
A dor latejava na cabeça, no rosto, no braço que sangrava. Meu coração batia tão rápido que eu mal conseguia respirar.
— Thales, por favor... para. — minha voz saiu fraca, trêmula.
Ele ainda me encarava com os olhos cheios de fúria, o peito subindo e descendo em ritmo descompassado. Aquilo não era o homem que eu conhecia. Era outra coisa. Algo frio, sem alma.
— Você me provoca, depois quer bancar a vítima! — gritou, jogando as mãos pro alto. — Você me tira do sério, Lorena! Você me tira do maldito sério!
Aproveitei o momento em que ele se afastou um pouco e corri. Meus pés descalços batiam no chão gelado, com o corpo todo doendo, mas eu só queria chegar até a porta. Só queria sair dali.
Mas antes que eu alcançasse a maçaneta, ele me agarrou pelos cabelos de novo.
— Você acha que vai fugir de mim? Hein?! — ele gritou, puxando com tanta força que senti o couro cabeludo arder.
— Me solta! — implorei, batendo nas mãos dele, tentando me desvencilhar. — Thales, por favor! Eu te amo, mas você tá me machucando!
Ele me empurrou outra vez contra a parede. O impacto me arrancando o ar dos pulmões.
— Ama? — ele riu, um riso que doeu mais que o tapa. — Você não sabe nem o que é amor, Lorena! Fica aí se fazendo de santa, mas é uma intrometida, uma mulher que não sabe o seu lugar!
— Você tá me traindo! E ainda quer me culpar?! — gritei, as lágrimas misturadas ao sangue que escorria do canto da boca.
A resposta veio em outro empurrão, mais forte.
Meu corpo bateu na quina da mesa e eu senti o chão sumir. Um zumbido tomou conta dos meus ouvidos. As luzes da sala começaram a se embaralhar e, antes que eu percebesse, tudo foi ficando longe... distante...
O som da voz dele ficou abafado, como se viesse debaixo d’água.
Depois, silêncio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...
Cadê o capítulo 309?...
Alguém sabe do cap 207?...
Capítulo 293 e de mais tá bloqueado parcialmente sendo que já está entre os gratuitos...