Quando abri os olhos, tudo parecia embaçado. As luzes brancas do teto me cegaram por um segundo, e um zumbido insistente ecoava no fundo da cabeça.
Tentei me mover, mas uma dor aguda atravessou meu corpo inteiro. Foi quando vi o braço enfaixado e percebi o peso do curativo apertando minhas costelas.
Meu coração disparou.
Olhei ao redor, tentando entender onde estava, até que o movimento na poltrona ao lado fez meu sangue gelar.
Thales.
Ele estava ali, com o rosto abatido, o cabelo bagunçado e o olho esquerdo roxo.
Quando percebeu que eu tinha acordado, se levantou devagar.
— Ei, calma. Não se mexe, vai se machucar mais. — disse, se aproximando.
Meu corpo reagiu antes mesmo que eu pudesse pensar. Tentei me afastar, puxando o lençol, mas a dor foi tão forte que gemi baixo.
— O que você tá fazendo aqui? — perguntei, com a voz rouca e trêmula.
Thales respirou fundo, passando a mão no rosto.
— Eu te trouxe, Lorena. Você bateu a cabeça... e fiquei com medo de ter acontecido algo sério.
Uma risada amarga escapou dos meus lábios, tão seca que até doeu.
— Ficou com medo? — repeti, sentindo as lágrimas arderem. — Como você pode dizer uma coisa dessas... se foi você quem fez isso comigo?
Ele desviou o olhar por um segundo, como se quisesse fugir das minhas palavras.
— Eu sei, tá? Sei que errei. — murmurou. — Eu me descontrolei... o trabalho, a pressão, tudo isso tem me deixado à beira de um colapso. Não achei que fosse...
— Explodir assim? — interrompi, sem conseguir conter o tremor na voz. — Você quase me matou, Thales.
Ele tentou tocar minha mão, mas eu recuei com um sobressalto, o corpo reagindo por puro instinto. E ao perceber, ficou alguns segundos me observando em silêncio, com os olhos marejados, como se tentasse encenar arrependimento.
Depois suspirou e disse, com a voz baixa:
— Eu falei pro médico que tentaram te assaltar. Que você tava numa rua deserta, e eu cheguei bem na hora. Disse que entrei em luta corporal com o cara, mas o desgraçado fugiu.
Engoli em seco, com o estômago embrulhando.
Virei o rosto e vi o seu braço enfaixado e o olho roxo, que até o momento que eu apaguei, não existia.
Meu coração se apertou, e as palavras saíram antes que eu pensasse.
— Quem fez isso com você?
Ele não respondeu. Só ficou ali, quieto, mexendo no curativo da mão. E foi o silêncio que me deu a resposta.
— Meu Deus... — murmurei, incrédula. — Foi você mesmo, né? Pra polícia acreditar nessa história absurda.
Thales soltou um suspiro pesado e olhou pra mim, irritado.
— Eu não tive escolha, Lorena. Ou eu fazia isso, ou o seu irmão idiota vinha bater na nossa porta achando que tem algum direito de se meter no nosso relacionamento. É isso que você quer?
Meu peito se apertou de um jeito que quase me impediu de respirar.
Eduardo.
Será que ele suspeitava? Será que ele algum dia percebeu os machucados, os olhares vazios, as desculpas mal contadas?
O som de uma batida na porta me fez estremecer. Um médico entrou com um sorriso cansado, carregando uma prancheta.
— Ah, que bom que acordou, Senhora Lorena. — disse ele, se aproximando da cama. — Seu marido ficou com você a noite toda. Um verdadeiro herói, viu? Salvou a senhora daquele assaltante.
Olhei pra Thales, e ele apenas forçou um sorriso discreto, com o olhar fixo no chão. Tentei sorrir também, mas o rosto doía demais, por dentro e por fora.
— Você acabou quebrando uma costela, — continuou o médico — então precisa de repouso absoluto por quatro, tá bom? Sem esforço, nada de peso, nada de tensão. Depois disso, volta pra revisão e fazemos novos exames.
Assenti devagar, sem dizer nada.
— Qualquer dor forte, tontura, febre... avise imediatamente. — ele completou, antes de se despedir e sair do quarto.
O som da porta se fechando ecoou no ar, deixando um silêncio sufocante. Virei o rosto e encontrei Thales sentado de novo na poltrona, olhando para o celular.
O brilho da tela refletia no rosto dele, o mesmo aparelho que provavelmente escondia a mensagem daquela mulher.
E naquele instante, eu percebi que algo dentro de mim tinha morrido. Não era o amor. Era a esperança.
A segunda batida na porta me fez sobressaltar. Quando olhei, vi Alana entrando apressada, com os olhinhos arregalados, e Joyce logo atrás.
Meu coração apertou.
— Mamãe! — ela correu até mim, se jogando no meu colo com cuidado.
Tentei disfarçar a dor, forçando um sorriso.
— Ei, meu amor...
Joyce ficou parada perto da porta. Seus olhos foram direto pros meus, depois pra Thales. E naquele olhar rápido, eu tive certeza: ela sabia. Ninguém precisava dizer. Ela só… sabia.
Thales pigarreou, murmurando:
— Eu… preciso resolver umas coisas.
E saiu, sem olhar pra trás.
Alana me abraçou de novo, apertadinho.
— Eu fiquei com tanto medo, mamãe. O papai ligou pra tia Joyce e disse que você tava machucada… ainda bem que ele apareceu lá! Ele é um herói, né? Salvou você do bandido!
O nó na garganta quase me sufocou.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...
Cadê o capítulo 309?...
Alguém sabe do cap 207?...
Capítulo 293 e de mais tá bloqueado parcialmente sendo que já está entre os gratuitos...
Capítulo 293 tá bloqueado sendo que já está entre os gratuitos...
Quantos capítulos são?...
Não consigo parar de ler é surpreendente, estou virando a noite lendo. É tão gostoso ler durante a madrugada no silêncio enquanto todos dormem. Diego e Alice são perfeitos juntos, assim como Alessandro e Larissa...
Maravilhoso,sem palavras recomendo vale muito apena ler👏🏼👏🏼...
Quem tem a história Completa do Diogo?...