O quarto estava silencioso, só o barulho das cigarras do lado de fora quebrava o som do ventilador rodando devagar. Eu estava sentada na cama, com o notebook aberto, fingindo trabalhar, mas na verdade, não conseguia parar de pensar em tudo. Alana ria lá na sala, assistindo TV com o meu pai, e por um momento aquele som me deu uma pontada de paz… curta demais.
Uma batida leve na porta me fez levantar o olhar.
— Pode entrar — disse, ajeitando o travesseiro.
Tatiane apareceu no vão da porta, com aquele sorriso pequeno, misto de carinho e preocupação.
— Oi, minha amiga… — ela disse, entrando. — Vim te ver.
Fiquei surpresa, mas feliz.
— Tati! Nossa, que bom te ver — falei, tentando disfarçar o desconforto.
Ela se aproximou e sentou na beira da cama, soltando um suspiro fundo.
— Como você tá, hein?
— Tô bem — respondi rápido demais, o que a fez arquear a sobrancelha.
— Lorena… — ela começou, olhando direto pra mim. — Eu não gosto de me meter na vida de ninguém, você sabe disso desde que a gente era criança.
Aquela frase me deu um arrepio e respirei fundo, encarando o chão.
— Minha mãe te contou, não foi?
Ela assentiu devagar.
— Contou. E tá todo mundo preocupado com você.
Eu ri fraco, sem humor.
— Eu sei. Mas eu não queria preocupar ninguém, Tati.
Ela respirou fundo, me observando em silêncio por alguns segundos.
— Lô… você já se perguntou se o que te mantém presa nesse relacionamento é amor mesmo? Ou é só por causa da Alana?
A pergunta ficou ecoando no quarto e senti a garganta fechar.
— Eu… não sei, — respondi, quase num sussurro. — Eu realmente não sei dizer.
Ela assentiu devagar, respeitando o silêncio que veio depois. Mas de repente, as palavras começaram a sair da minha boca, como se eu não conseguisse mais segurar.
— No dia dos namorados… — comecei, com a voz trêmula. — Eu preparei tudo, sabe? Coloquei velas, pétalas de rosa, vinho, uma música calma… até comprei uma lingerie nova. Achei que, sei lá, talvez as coisas pudessem melhorar…
Tati me olhava em silêncio.
— Ele chegou… parecia feliz. Por um momento, eu vi o homem que conheci. Mas aí o celular tocou — minha voz vacilou. — Como sempre. E quando ele deixou a bolsa no sofá, eu vi outro celular no bolso.
As lágrimas começaram a escorrer antes que eu conseguisse segurar.
— Tinha uma mensagem… e a pessoa o chamava de “meu amor”… — engoli em seco, sentindo a vergonha me consumir. — E quando ele me viu com o celular na mão, Tati. Agiu como se o errado fosse eu, como se eu fosse a invasora, e não ele o traidor…
Minha voz falhou completamente. Tati segurou minha mão com cuidado, apertando levemente.
— Foi nesse momento que…? — ela perguntou com a voz baixa, como se tivesse medo da resposta.
Assenti, chorando mais forte.
— Eu explodi, gritei, perguntei, não aguentei mais… e ele… — engoli em seco. — Ele explodiu também.
Ela respirou fundo e ficou em silêncio por um tempo, até que falou com firmeza:
— Lorena, muitas mulheres passam por isso. Se sentem presas, sem saída. Como se o mundo lá fora não aceitasse mais elas, como se tivessem que se conformar com aquele destino… mas não é assim. Existe lei, existe proteção. Ela pode ser falha, mas é o primeiro passo.
Balanço a cabeça, desesperada.
— Tati, ele é policial. Ele tem contatos, sabe apagar qualquer rastro.
— Ainda assim, ele merece ser preso pelo que fez — ela respondeu, firme.
Senti o coração acelerar, o medo tomando conta de mim.
— Eu não posso… não posso colocar o pai da minha filha atrás das grades.
— É isso que ele quer que você acredite. Que você está presa, sem saída. É assim que eles mantêm o controle: pelo medo. Mas o medo não é verdade, Lorena. Existem leis e proteção, pessoas que querem o seu bem, que vão fazer de tudo para você ficar segura. E eu tenho certeza que o Eduardo faria isso.
Soltei um riso curto, amargo.
— Leis? Você sabe como é... ele tem contatos, conhece o sistema. Acha mesmo que alguém vai ficar do meu lado contra ele? E Eduardo, ele tem muita mágoa de mim, meu irmão não me ajudaria…
Ela me olhou com firmeza, os olhos marejados.
— Como você sabe disso? Já chegou no seu irmão e pediu perdão por tudo, contou o que de fato vem acontecendo contigo? E mesmo que ele não ajude, você ainda tem a mim, seus pais… ninguém vai deixar ele encostar em você de novo.
— Mas e se ele fizer alguma coisa com a Alana? — sussurrei, sentindo o corpo todo estremecer. — Se ele machucar ela pra me atingir? Eu não aguentaria...
— Por isso mesmo você tem que sair agora, antes que ele vá mais longe. — Tatiane passou o polegar pelo dorso da minha mão, num gesto de carinho. — Você não percebe que cada dia naquela casa, você e sua filha estão mais em perigo?
Eu desviei o olhar. Queria dizer que ela estava exagerando, que Thales nunca faria isso, mas minha garganta travou. A lembrança do olhar dele, frio e descontrolado, me fez estremecer.
— Eu não consigo, Tati... eu não sei viver sem ele. Faz tanto tempo, eu... — a voz falhou. — Não lembro mais quem eu era antes.
Ela soltou um suspiro pesado, mas o olhar continuava firme.
— Você ainda é a mesma mulher, Lorena. Só esqueceu por um tempo. E ele quer que você esqueça, pra continuar te tendo assim, pequena, com medo. Mas você é forte. Eu vi você levantar depois de tanta coisa.
As lágrimas começaram a cair outra vez, quentes, teimosas.
— Eu não sou forte. Eu só... aguento.
— Aguentar é uma forma de força — ela respondeu. — Mas agora você precisa usar essa força pra sair. Por você e por Alana. Porque ela precisa aprender que o amor não machuca. Que homem que grita, ameaça ou b**e, não ama.
Fechei os olhos, tentando conter o choro, mas o que senti foi uma mistura de alívio e medo. Como se finalmente alguém tivesse aberto uma janela naquele quarto escuro em que eu vivia.
— E se ele vier atrás de mim? — perguntei quase num sussurro.
Tatiane apertou minhas mãos.
— Então ele vai encontrar uma mulher que não vai mais se calar. E vai ter que lidar com as consequências. Porque a gente vai estar com você. — Ela respirou fundo e completou, com firmeza: — Mas você precisa dar o primeiro passo, Lô e ninguém pode fazer isso no seu lugar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...
Cadê o capítulo 309?...
Alguém sabe do cap 207?...
Capítulo 293 e de mais tá bloqueado parcialmente sendo que já está entre os gratuitos...