Fiquei em silêncio. Aquelas palavras ecoaram dentro de mim por longos segundos, como se procurassem um lugar pra se fixar. Eu queria acreditar nelas. Queria, de verdade.
Mas o medo ainda era maior.
E mesmo assim... talvez eu tivesse sentido uma pequena fagulha de coragem queimando dentro de mim.
***
Acordei com o sol entrando pelas frestas da cortina. Por um instante, não entendi onde estava, até sentir o peso leve e familiar do bracinho de Alana sobre minha cintura. Ela dormia profundamente, com o rostinho sereno e os cílios longos descansando sobre a pele delicada. Fiquei só olhando pra ela por alguns segundos, como se aquele momento fosse o único em que eu ainda conseguia respirar em paz.
Suspirei e afastei o lençol com cuidado pra não acordá-la. Me levantei, indo direto ao banheiro. Lavei o rosto, escovei os dentes, prendi o cabelo num coque rápido e encarei o espelho por um momento. Os machucados no rosto ainda me lembravam tudo o que eu tentava esquecer.
Quando saí do quarto, o cheiro de café fresco me envolveu. Segui o som das vozes até a cozinha e congelei na porta.
Rafael estava sentado à mesa.
Meu coração disparou.
— O que... o que você tá fazendo aqui tão cedo? — perguntei, quase gaguejando.
Ele levantou o olhar pra mim e sorriu de leve, aquele sorriso tranquilo que sempre mexia comigo.
— Vim ver como você está.
Minha mãe virou pra mim sorrindo, como se não estivesse nada de estranho na visita dele.
— Ele é um encanto, minha filha. Seu chefe é muito educado. — Pegou o pratinho de bolo e me entregou. — Recebe ele direito, menina. Oferece bolo e café.
— Mãe... — comecei, mas ela já estava saindo da cozinha, satisfeita da vida e deixando a gente ali.
O silêncio ficou pesado. Eu ainda estava parada, sem saber o que fazer, com o prato nas mãos.
Rafael se levantou devagar e me olhou com um semblante mais sério.
— Como você está de verdade?
Desviei o olhar, ajeitando uma mecha de cabelo só pra não precisar encarar aqueles olhos castanhos.
— Tô bem. Já disse que foi só um susto.
Ele deu um passo à frente, e eu automaticamente dei um pra trás.
— Lorena... olha nos meus olhos e me diz que foi mesmo um assalto. Que não foi o desgraçado do seu marido que te bateu.
Meu corpo inteiro ficou tenso. Tentei manter o olhar firme, mas ele insistia, e quanto mais ele me encarava, mais frágil eu me sentia. Quando percebi, meus olhos já estavam marejados.
— Rafael... — sussurrei, sem força.
Ele se aproximou mais, e seus dedos tocaram meu braço, bem onde o curativo estava. Um arrepio percorreu minha pele.
— O que você tá fazendo? — perguntei, tentando disfarçar o tremor na voz.
Ele então passou a mão no rosto, nervoso, e deu um passo pra trás, como se tentasse se controlar.
— Eu sabia. — Sua voz saiu rouca. — Eu sabia que foi ele.
— Como você descobriu onde eu estava? — perguntei, com o coração acelerado.
— Fui até sua casa porque queria ver como você estava, mas a vizinha disse que você tinha saído, acho que era a babá da Alana. — Ele respirou fundo. — Joyce, acho que era esse o nome dela.
Fechei os olhos por um segundo.
— Já pedi pra você não se envolver nisso, Rafael.
Mas ele avançou com passos largos, e antes que eu percebesse, estava tão perto que eu podia sentir o cheiro do seu perfume misturado com o café.
— Não me pede isso. — Sua voz era firme, baixa, intensa. — É impossível pra mim não me preocupar com você. Não querer vir aqui, ver se tá bem. Não querer te defender.
— Rafael... — murmurei, recuando de leve.
Ele levantou a mão e tocou meu queixo, me obrigando a olhar pra ele. Nossos olhos se encontraram, e o mundo pareceu parar por um segundo.
— Você não sai da minha cabeça, Lorena. — Ele disse num tom que fez meu coração disparar. — Eu sei que é errado, que eu não devia sentir isso. Mas você... me dominou completamente.
Senti o ar sumir dos meus pulmões.
— Você tá com a Sophia... — falei num fio de voz, tentando recuperar o controle.
Ele balançou a cabeça.
— A Sophia é só distração. — E antes que eu pudesse reagir, ele me puxou pela cintura e me beijou.
Porque ele sim me traía de verdade. E eu? Eu só tinha um sonho.
Um sonho que me fez sentir viva, desejada e livre por alguns segundos.
Suspirei fundo e virei pro lado, observando Alana dormir. A respiração leve dela me acalmava, mas minha mente continuava a mil, insistindo em repetir aquela cena em looping.
O beijo, o toque, a sensação.
Virei o rosto pro travesseiro e fechei os olhos com força, tentando expulsar a lembrança. Mas não tinha como.
Aquele sonho já tinha se entranhado em mim.
E por mais que eu tentasse negar, uma parte de mim não queria esquecê-lo.
— Que droga... — sussurrei, sentindo uma lágrima escorrer silenciosa pelo canto do olho.
Era só um sonho. Mas dentro de mim, parecia mais real do que tudo o que eu estava vivendo.
***
Os dias começaram a passar arrastados, cada um mais silencioso que o outro. Eu tentava me ocupar com pequenas coisas como arrumar a cama, ajudar Alana nas lições que eu preparava para ela, ajudar o almoço com minha mãe, mas a verdade é que minha cabeça nunca parava.
Tatiane ligava todos os dias, sem falta. Às vezes era só pra me desejar bom dia, outras pra perguntar se eu estava comendo direito ou se tinha conseguido dormir. Eu sempre respondia com um “tô bem”, mesmo quando sabia que ela não acreditava. Ela não insistia. Só dizia que estava ali, a qualquer hora.
Thales, por outro lado, apareceu uma única vez. E foi o bastante pra eu tremer da cabeça aos pés.
Eu estava no quarto quando ouvi a campainha e a voz dele lá fora, pedindo pra entrar. O som dos passos firmes do meu pai ecoou pelo corredor, e antes que eu pudesse sair do quarto, ouvi a porta bater com força. Meu pai não deixou ele dar um passo sequer.
Depois disso, silêncio. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem. E, sinceramente, eu não sabia se sentia alívio ou medo por isso.
Agora, mais de uma semana e meia tinha passado. Eu estava sentada na cama, mexendo distraída na barra da coberta, enquanto o sol da tarde entrava pela janela. Alana brincava no quintal com o Wesley, e minha mãe fazia café na cozinha. Mas o que realmente me incomodava era o vazio, a ausência do meu irmão.
Eduardo sempre vinha visitar nossos pais. Mesmo quando o trabalho apertava, ele dava um jeito. Dessa vez, nada. Nenhuma mensagem, nenhuma visita.
— Mãe… — chamei, quando ela apareceu na porta com um copo de café na mão. — O Eduardo ainda não veio?
Ela suspirou, sentando na beira da cama. Havia um cansaço no olhar dela que me deixou inquieta.
— Ele está envolvido numa investigação grande, filha. — disse baixinho, como se tivesse medo que alguém ouvisse. — Disse que não podia vir por enquanto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...
Cadê o capítulo 309?...
Alguém sabe do cap 207?...
Capítulo 293 e de mais tá bloqueado parcialmente sendo que já está entre os gratuitos...