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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 349

— Milena! — gritei, atravessando o corredor.

Quando entrei no banheiro, o chão girou.

Ela estava encostada na parede, o olhar perdido, a mão pressionando o pescoço… e o sangue jorrando entre os dedos.

— Meu Deus… — eu corri até ela, com o estômago revirando. — Milena!

O sangue quente manchava a sua roupa, escorrendo pelo braço.

Atrás, Nicolas lutava com um homem que segurava uma faca. O som das lâminas batendo no azulejo, o choque dos corpos, tudo ecoava.

— Aguenta… tá me ouvindo? — tirei o blazer e pressionei com força no ferimento. O sangue não parava. — Fica comigo, Milena, olha pra mim!

Os olhos dela tremiam, cheios de lágrimas.

— Ra… Rafael… dói…

— Eu sei, eu sei, calma. Não fala, só respira, tá?

E então o som veio, um estalo seco, tão alto que pareceu parar o tempo.

Olhei por cima do ombro e vi o homem caído no chão, com o pescoço virado num ângulo impossível.

Nicolas estava de pé, respirando pesado, as mãos abrindo e fechando e seus olhos… só os vi daquele jeito uma vez.

Milena olhou a cena e o pavor dominou o seu olhar.

— Meu Deus… — ela sussurrou, antes de desmaiar nos meus braços.

— Droga! — murmurei, puxando ela pra perto.

Olhei pra Nicolas, que ainda encarava o corpo.

— Cuida disso. Dá um jeito nesse homem, agora e liga pro Ruan. Diz pra ele mandar a equipe.

Ele assentiu, ainda com o olhar fixo em Milena.

Os outros dois seguranças chegaram no mesmo instante, alarmados.

— Um de vocês fica e ajuda ele — ordenei, com o tom frio, sem espaço pra dúvida. — Eu vou levá-la pro hospital.

Comecei a sair com Milena em meus braços, a cabeça tombada no meu ombro e eu podia sentir o sangue quente, molhado, manchando minha camisa.

Comecei a correr. As pessoas se afastavam, chocadas, gritos ecoavam, celulares sendo erguidos.

Mas eu não via ninguém. Só via ela.

O segurança da frente abria caminho, afastando tudo e todos. Meus passos batiam fortes no chão, e cada batida do meu coração parecia um trovão.

Não olhei pro sangue. Não olhei pros rostos curiosos. Olhei só pra frente.

E dentro da minha cabeça, só uma frase repetia sem parar:

— Aguenta, Milena. Por favor, aguenta.

***

Cheguei ao hospital com o coração quase saindo pela boca. O som dos pneus cantando no estacionamento ecoava na minha cabeça, mas eu só conseguia pensar em Milena com o corpo mole, o sangue, o olhar de medo antes de apagar.

Assim que parei o carro, um funcionário veio correndo e abriu a porta.

Ele então gritou por ajuda, e em segundos uma equipe apareceu com a maca.

— Ela foi esfaqueada! — eu disse, a voz rouca. — Sejam rápidos, cuidem dela, por favor.

Eles a colocaram na maca e correram pra dentro.

Fiquei parado por um segundo na porta automática, com o coração batendo tão forte que doía.

Minhas mãos tremiam, e só então percebi que a minha camisa estava completamente ensopada de sangue.

O sangue dela.

Respirei fundo, tentando me manter de pé. Fui até a recepção, dei o nome dela, os documentos, tudo.

Mas não conseguia parar quieto. Andava de um lado pro outro, abrindo e fechando as mãos.

A raiva e o medo se misturavam, e eu não sabia o que fazer primeiro: gritar, quebrar algo, ou chorar.

Peguei o celular e quase liguei pro Ruan, depois pensei nos seguranças… mas não.

Eu precisava avisar minha mãe. Meus pais tinham que saber.

Por um segundo, hesitei.

O que eu ia dizer?

“Oi, mãe, o Genildo voltou e tentou matar a Milena?”

Meu estômago virou só de pensar.

Mas respirei fundo e disquei o número.

— Filho? — a voz dela saiu serena no início, mas bastou eu respirar pra ela mudar o tom. — Rafael? O que houve?

Engoli em seco.

— Mãe… é a Milena.

Silêncio.

Um silêncio curto, cortado por um som sufocado.

— O que aconteceu com a sua irmã?!

— Ela foi atacada, mãe no shopping. Nós estávamos juntos e ela foi ao banheiro e… — minha voz falhava, e eu esfregava o rosto, sentindo o sangue seco nas mãos. — Mas ela tá viva, os médicos estão cuidando.

— Meu Deus do céu! — ouvi o barulho de algo caindo, talvez o telefone se chocando contra algo, e depois a voz do meu pai ao fundo perguntando o que estava acontecendo.

— A gente já tá indo, Rafael.

— Mãe, escuta — interrompi, com a voz firme, forçando a calma. — Eu acho que foi Genildo.

Silêncio.

— Rafael! Onde ela tá? O que aconteceu, meu Deus? — ela perguntou, e eu só consegui abraçá-la com força.

Senti o seu corpo tremer nos meus braços, e respirei fundo, tentando me controlar.

— Mãe… calma. A enfermeira acabou de vir falar comigo. O médico tá cuidando dela, e a faca não pegou nenhum ponto vital, não atingiu nada grave, ela vai ficar bem — falei baixo, tentando convencer tanto ela quanto a mim mesmo.

Meu pai estava ao lado com o rosto duro e os punhos cerrados. Dava pra ver a raiva fervendo nele.

— Isso não vai ficar assim, Rafael. Isso foi um atentado! — ele disse, com a voz grave e firme, os olhos faiscando.

— Pai, por favor… — pedi, tentando manter a calma. — Agora a gente precisa focar nela. Depois falamos disso, tá?

Mas ele continuava respirando pesado, com o maxilar travado. Eu sabia o que estava pensando e, pra ser sincero, eu também pensava o mesmo. Só que se ele perdesse o controle ali, tudo ia piorar.

Meu celular começou a vibrar no bolso. Olhei o visor, era Larissa. Suspirei e atendi.

— Alô.

Do outro lado, a voz dela veio atropelada, cheia de pânico.

— Rafael, o que tá acontecendo?! Eu vi os vídeos! Tem gente postando que te viram saindo do shopping com a Milena nos braços… tinha sangue, meu Deus… e tão dizendo que tem um homem morto no banheiro!

Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo a cabeça latejar.

— Lari, calma. Eu tô no hospital. A Milena tá viva, tá? Foi alguém que tentou atacar ela no banheiro, mas o segurança interveio.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, só a respiração tremida do outro lado da linha.

— Ela tá mesmo bem? — perguntou, com a voz baixa, quase um sussurro.

— Vai ficar. O médico está cuidando dela agora. Mas eu preciso desligar… depois te explico melhor, tá?

— Tá… tá bom. Me avisa assim que souber de qualquer coisa, por favor.

— Aviso.

Desliguei no instante em que vi o delegado Almeida entrando no corredor acompanhado de outro homem. Ele olhou direto pra mim, e pelo olhar, já dava pra sentir que vinha uma conversa séria.

Ele acenou para os meus pais, mas o seu foco era eu.

— Rafael — disse, num tom mais contido do que eu esperava — podemos conversar um minuto?

Assenti, respirando fundo. Olhei pra minha mãe, que ainda estava abraçada ao meu pai, os olhos vermelhos de tanto chorar.

— Mãe… se o médico vier, me chama na hora, tá?

Ela assentiu, enxugando as lágrimas.

— Vai, meu filho… mas me avisa de tudo.

Dei um último olhar pra eles e segui o delegado e o outro homem até uma área mais afastada. Meu coração ainda batia acelerado, e eu sabia que aquela conversa não seria nada fácil.

Nos afastamos alguns metros do corredor, até que o barulho do hospital começou a ficar mais distante. O delegado Almeida se virou pra mim, com aquele olhar sério que eu já conhecia bem. Ao lado dele, um homem mais novo segurava uma prancheta, provavelmente um inspetor.

— Rafael, o que diabos aconteceu? — ele começou, cruzando os braços. — Fui chamado no shopping central, recebi a informação de um homicídio no banheiro feminino, e o acusado é um homem que trabalha pra você. E pra completar, você foi visto saindo de lá com a sua irmã nos braços, coberto de sangue.

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