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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 350

Passei as mãos no rosto, tentando manter a calma. Sentia meu corpo e mente esgotados.

— Estava com minha irmã no shopping — comecei, com a voz rouca. — A gente foi comer alguma coisa, ela quis ir ao banheiro… e o guarda-costas dela, o Nicolas, ficou esperando perto da entrada. Quando ele desconfiou de alguma coisa, entrou, e eu fui logo atrás.

O delegado me observava com atenção.

— Quando cheguei lá, ele estava lutando com um homem armado com uma faca. A Milena tava caída no canto, com o pescoço cortado. — Engoli seco. — O Nicolas fez o que tinha que fazer… ele defendeu ela. Foi legítima defesa.

O delegado e o homem ao lado dele trocaram um olhar rápido, meio surpreso.

— Então o sujeito tentou matar sua irmã… — murmurou o delegado, ajeitando o paletó.

Assenti, cansado.

— É o que parece. E eu tenho quase certeza de quem tá por trás disso. — Respirei fundo, olhando pro chão antes de encará-lo. — O meu tio.

O delegado ficou em silêncio por alguns segundos, só me observando.

O degelado Almeida olhou pros lados e depois voltou pra mim.

— Esse Nicolas… está detido na delegacia agora.

Fechei os olhos por um instante e respirei fundo.

— Eu vou mandar o advogado da família pra resolver isso — falei, já pegando o celular.

— Não precisa — disse Almeida. — Já tem um advogado lá.

Levantei o olhar, surpreso.

— Raul. — Foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Claro que ele já tinha se adiantado.

O delegado confirmou com um leve aceno.

— Isso mesmo. Ele já está cuidando da situação.

Suspirei, um pouco mais aliviado, mas ainda tenso.

— Ótimo. Eu passo lá mais tarde pra dar meu depoimento formalmente.

Eduardo assentiu.

— É o melhor a se fazer. Mas, Rafael… — ele se aproximou um pouco mais, baixando o tom. — Não se envolve com essa gente. Você sabe quem é o Genildo, sabe o que ele faz. Isso não é jogo pra você.

Olhei pra ele em silêncio por alguns segundos, sentindo o sangue ferver. Depois balancei a cabeça devagar.

— Com todo respeito, delegado… agora já é tarde pra isso.

— Rafael… — ele tentou interromper, mas eu continuei, com a voz firme.

— Eles mexeram com o meu pai e agora com a minha irmã. — Endireitei o corpo, com o olhar fixo no dele. — Eu não posso mais prometer que não vou tocar nesse vespeiro.

O delegado suspirou pesado, parecendo ainda mais cansado.

— Você está entrando num terreno perigoso, garoto. Esses caras não jogam limpo.

Dei um meio sorriso sem humor.

— O perigo começou no dia em que eles decidiram mexer com a minha família.

Ficamos nos encarando por alguns segundos.

— Agradeço por ter vindo até aqui — falei, tentando quebrar o silêncio. — Mesmo com tudo isso acontecendo.

Ele assentiu, profissional e impassível.

— Só estou fazendo o meu trabalho. Mas recomendo que mantenha tudo sob controle. Esse caso já está chamando atenção demais.

A forma como ele dizia “esse caso” me irritava um pouco. Tudo era sempre objetivo, prático, distante. Eduardo não deixava espaço para nada pessoal, o tipo de homem que tranca as emoções a sete chaves.

Quando ele se virou para ir embora, eu hesitei por um instante. Mas a pergunta me escapou antes que eu pudesse conter.

— Eduardo...

Ele parou, sem se virar de imediato.

— Você ficou sabendo o que aconteceu com a sua irmã? — perguntei, com a voz mais baixa do que eu pretendia.

Foi aí que ele me olhou. E aquele olhar... frio, duro, mas ao mesmo tempo cheio de algo que ele tentava esconder; mágoa, talvez. Era incrível como o nome dela tinha esse poder sobre ele. Bastava mencioná-la e todo o controle dele parecia se rachar por dentro.

Por um segundo, no entanto, eu juro que vi uma pontada de preocupação passar em seus olhos. Rápida, quase imperceptível, mas real.

— Não — respondeu ele, enfim. — E, sinceramente, não quero saber.

As palavras dele caíram pesadas entre nós. Eduardo ajeitou o paletó, desviando o olhar como se quisesse enterrar o assunto ali mesmo.

Então ele deu as costas e começou a caminhar em direção ao carro. Fiquei parado, acompanhando os passos dele, ouvindo o som firme dos sapatos batendo no asfalto.

Por um instante, pensei em chamá-lo de volta. Dizer que talvez ele devesse saber o que estava acontecendo, que a irmã dele estava sendo agredida.

Mas aquele frio misturado com dor era o suficiente pra me calar.

Quando o carro arrancou, fiquei ali, com as mãos nos bolsos e o vento cortando o rosto. Uma sensação ruim me invadiu, um pressentimento que eu não consegui explicar.

(Visão de Lorena)

O som das notificações não parava, uma atrás da outra.

Peguei o celular meio distraída, achando que era mais uma mensagem da Tatiane me lembrando de comer, mas quando vi o nome do grupo da empresa pipocando na tela “Equipe Nexarte - fofocas diárias”, meu estômago gelou.

Abri o grupo e, de repente, tudo ficou em silêncio ao meu redor.

Os vídeos começavam a rodar automaticamente.

Imagens tremidas, pessoas gritando, o som de sirenes e alguém dizendo:

— Meu Deus, é o dono da Nexarte! Ele tá carregando uma mulher! Tá coberta de sangue!

Senti o chão sumir. Meus dedos tremiam enquanto rolava a tela.

Mesmo de longe, reconheci o som, aquele carro preto que sempre levantava poeira quando subia a estrada de terra até a fazenda. Meu coração começou a bater rápido, como se quisesse sair do peito.

Eu estava sentada na varanda com meus pais, tentando distrair um pouco pela falta de notícias sobre Milena. Alana brincava com o Thor perto do lago, rindo alto, até que gritou:

— Papai! Papai chegou!

Ela saiu correndo, o vestido balançando com o vento, e eu senti uma pontada no peito. Queria poder compartilhar daquela alegria inocente dela… mas tudo que consegui foi me levantar devagar, sentindo as mãos suando.

— Ele não avisou que vinha — murmurou minha mãe, olhando pra estrada com o cenho franzido.

Meu pai não respondeu. Só ficou de pé, com os braços cruzados e o olhar firme na direção do carro que se aproximava. Eu sabia que ele estava pronto para intervir, caso Thales tentasse alguma coisa. Desde a última vez, o clima entre eles era puro gelo.

O carro parou perto da cerca, e Thales desceu. A poeira ainda pairava no ar quando ele abriu os braços pra Alana, que correu direto pra ele, sem hesitar.

— Minha princesa... — ouvi ele dizer, abaixando-se pra abraçá-la.

A cena deveria ser bonita, mas tudo dentro de mim gritava pra fugir. Senti um nó na garganta, e minha mãe colocou a mão no meu ombro, como se quisesse me segurar ali, me proteger com aquele gesto simples.

— Lorena, fica calma — ela sussurrou. — Não precisa falar com ele se não quiser.

Mas era impossível evitar.

Ele ergueu o olhar e me viu, seus olhos encontraram os meus, e por um instante, tudo ficou em silêncio, só o som distante dos cavalos e o vento mexendo nas flores do campo.

Senti o mesmo arrepio de medo e confusão de antes.

Thales soltou Alana devagar e ficou me encarando. Ele parecia cansado, o cabelo um pouco bagunçado, a barba por fazer, mas o olhar era o mesmo: intenso, desconfiado, e com aquele tom de posse que sempre me deixava desconfortável.

— Posso falar com você, Lorena? — ele perguntou, a voz baixa, mas firme.

Olhei pro meu pai, que já estava um passo à frente, pronto pra responder por mim.

— Aqui, não. — A voz dele saiu seca. — Se quiser ver sua filha, tudo bem. Mas conversa, não tem.

Thales respirou fundo, tentando se conter.

— Eu não vim arrumar confusão, seu Augusto. Vim ver minha filha… e conversar com a minha esposa, se ela deixar.

Minha mãe apertou meu braço, como quem me dava escolha e eu só consegui assentir, com o estômago embrulhado.

— A gente pode conversar aqui mesmo — murmurei, sem olhar muito pra ele.

Alana, feliz, subiu na varanda com Thor correndo atrás, sem perceber a tensão que dominava o ar.

Meu pai a chamou pra dentro, e ela foi reclamando, sem entender. Quando a porta se fechou, Thales deu um passo mais perto.

— Você tá me evitando, Lorena. Uma semana e meia, e nada de atender minhas ligações. — O tom dele começou a mudar, ganhando aquela impaciência que eu conhecia bem. — Achei que a gente podia resolver isso sem briga.

— Resolver o quê, Thales? — perguntei, cruzando os braços. — Eu quase morri por sua causa! Você acha mesmo que dá pra fingir que nada aconteceu?

Ele desviou o olhar, coçando a nuca.

— Eu sei que errei, tá? Perdi a cabeça. Eu estava com raiva, com a cabeça cheia... mas eu nunca quis te machucar. Eu não consigo ficar longe de vocês duas.

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