Passei as mãos no rosto, tentando manter a calma. Sentia meu corpo e mente esgotados.
— Estava com minha irmã no shopping — comecei, com a voz rouca. — A gente foi comer alguma coisa, ela quis ir ao banheiro… e o guarda-costas dela, o Nicolas, ficou esperando perto da entrada. Quando ele desconfiou de alguma coisa, entrou, e eu fui logo atrás.
O delegado me observava com atenção.
— Quando cheguei lá, ele estava lutando com um homem armado com uma faca. A Milena tava caída no canto, com o pescoço cortado. — Engoli seco. — O Nicolas fez o que tinha que fazer… ele defendeu ela. Foi legítima defesa.
O delegado e o homem ao lado dele trocaram um olhar rápido, meio surpreso.
— Então o sujeito tentou matar sua irmã… — murmurou o delegado, ajeitando o paletó.
Assenti, cansado.
— É o que parece. E eu tenho quase certeza de quem tá por trás disso. — Respirei fundo, olhando pro chão antes de encará-lo. — O meu tio.
O delegado ficou em silêncio por alguns segundos, só me observando.
O degelado Almeida olhou pros lados e depois voltou pra mim.
— Esse Nicolas… está detido na delegacia agora.
Fechei os olhos por um instante e respirei fundo.
— Eu vou mandar o advogado da família pra resolver isso — falei, já pegando o celular.
— Não precisa — disse Almeida. — Já tem um advogado lá.
Levantei o olhar, surpreso.
— Raul. — Foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Claro que ele já tinha se adiantado.
O delegado confirmou com um leve aceno.
— Isso mesmo. Ele já está cuidando da situação.
Suspirei, um pouco mais aliviado, mas ainda tenso.
— Ótimo. Eu passo lá mais tarde pra dar meu depoimento formalmente.
Eduardo assentiu.
— É o melhor a se fazer. Mas, Rafael… — ele se aproximou um pouco mais, baixando o tom. — Não se envolve com essa gente. Você sabe quem é o Genildo, sabe o que ele faz. Isso não é jogo pra você.
Olhei pra ele em silêncio por alguns segundos, sentindo o sangue ferver. Depois balancei a cabeça devagar.
— Com todo respeito, delegado… agora já é tarde pra isso.
— Rafael… — ele tentou interromper, mas eu continuei, com a voz firme.
— Eles mexeram com o meu pai e agora com a minha irmã. — Endireitei o corpo, com o olhar fixo no dele. — Eu não posso mais prometer que não vou tocar nesse vespeiro.
O delegado suspirou pesado, parecendo ainda mais cansado.
— Você está entrando num terreno perigoso, garoto. Esses caras não jogam limpo.
Dei um meio sorriso sem humor.
— O perigo começou no dia em que eles decidiram mexer com a minha família.
Ficamos nos encarando por alguns segundos.
— Agradeço por ter vindo até aqui — falei, tentando quebrar o silêncio. — Mesmo com tudo isso acontecendo.
Ele assentiu, profissional e impassível.
— Só estou fazendo o meu trabalho. Mas recomendo que mantenha tudo sob controle. Esse caso já está chamando atenção demais.
A forma como ele dizia “esse caso” me irritava um pouco. Tudo era sempre objetivo, prático, distante. Eduardo não deixava espaço para nada pessoal, o tipo de homem que tranca as emoções a sete chaves.
Quando ele se virou para ir embora, eu hesitei por um instante. Mas a pergunta me escapou antes que eu pudesse conter.
— Eduardo...
Ele parou, sem se virar de imediato.
— Você ficou sabendo o que aconteceu com a sua irmã? — perguntei, com a voz mais baixa do que eu pretendia.
Foi aí que ele me olhou. E aquele olhar... frio, duro, mas ao mesmo tempo cheio de algo que ele tentava esconder; mágoa, talvez. Era incrível como o nome dela tinha esse poder sobre ele. Bastava mencioná-la e todo o controle dele parecia se rachar por dentro.
Por um segundo, no entanto, eu juro que vi uma pontada de preocupação passar em seus olhos. Rápida, quase imperceptível, mas real.
— Não — respondeu ele, enfim. — E, sinceramente, não quero saber.
As palavras dele caíram pesadas entre nós. Eduardo ajeitou o paletó, desviando o olhar como se quisesse enterrar o assunto ali mesmo.
Então ele deu as costas e começou a caminhar em direção ao carro. Fiquei parado, acompanhando os passos dele, ouvindo o som firme dos sapatos batendo no asfalto.
Por um instante, pensei em chamá-lo de volta. Dizer que talvez ele devesse saber o que estava acontecendo, que a irmã dele estava sendo agredida.
Mas aquele frio misturado com dor era o suficiente pra me calar.
Quando o carro arrancou, fiquei ali, com as mãos nos bolsos e o vento cortando o rosto. Uma sensação ruim me invadiu, um pressentimento que eu não consegui explicar.
(Visão de Lorena)
O som das notificações não parava, uma atrás da outra.
Peguei o celular meio distraída, achando que era mais uma mensagem da Tatiane me lembrando de comer, mas quando vi o nome do grupo da empresa pipocando na tela “Equipe Nexarte - fofocas diárias”, meu estômago gelou.
Abri o grupo e, de repente, tudo ficou em silêncio ao meu redor.
Os vídeos começavam a rodar automaticamente.
Imagens tremidas, pessoas gritando, o som de sirenes e alguém dizendo:
— Meu Deus, é o dono da Nexarte! Ele tá carregando uma mulher! Tá coberta de sangue!
Senti o chão sumir. Meus dedos tremiam enquanto rolava a tela.
Mesmo de longe, reconheci o som, aquele carro preto que sempre levantava poeira quando subia a estrada de terra até a fazenda. Meu coração começou a bater rápido, como se quisesse sair do peito.
Eu estava sentada na varanda com meus pais, tentando distrair um pouco pela falta de notícias sobre Milena. Alana brincava com o Thor perto do lago, rindo alto, até que gritou:
— Papai! Papai chegou!
Ela saiu correndo, o vestido balançando com o vento, e eu senti uma pontada no peito. Queria poder compartilhar daquela alegria inocente dela… mas tudo que consegui foi me levantar devagar, sentindo as mãos suando.
— Ele não avisou que vinha — murmurou minha mãe, olhando pra estrada com o cenho franzido.
Meu pai não respondeu. Só ficou de pé, com os braços cruzados e o olhar firme na direção do carro que se aproximava. Eu sabia que ele estava pronto para intervir, caso Thales tentasse alguma coisa. Desde a última vez, o clima entre eles era puro gelo.
O carro parou perto da cerca, e Thales desceu. A poeira ainda pairava no ar quando ele abriu os braços pra Alana, que correu direto pra ele, sem hesitar.
— Minha princesa... — ouvi ele dizer, abaixando-se pra abraçá-la.
A cena deveria ser bonita, mas tudo dentro de mim gritava pra fugir. Senti um nó na garganta, e minha mãe colocou a mão no meu ombro, como se quisesse me segurar ali, me proteger com aquele gesto simples.
— Lorena, fica calma — ela sussurrou. — Não precisa falar com ele se não quiser.
Mas era impossível evitar.
Ele ergueu o olhar e me viu, seus olhos encontraram os meus, e por um instante, tudo ficou em silêncio, só o som distante dos cavalos e o vento mexendo nas flores do campo.
Senti o mesmo arrepio de medo e confusão de antes.
Thales soltou Alana devagar e ficou me encarando. Ele parecia cansado, o cabelo um pouco bagunçado, a barba por fazer, mas o olhar era o mesmo: intenso, desconfiado, e com aquele tom de posse que sempre me deixava desconfortável.
— Posso falar com você, Lorena? — ele perguntou, a voz baixa, mas firme.
Olhei pro meu pai, que já estava um passo à frente, pronto pra responder por mim.
— Aqui, não. — A voz dele saiu seca. — Se quiser ver sua filha, tudo bem. Mas conversa, não tem.
Thales respirou fundo, tentando se conter.
— Eu não vim arrumar confusão, seu Augusto. Vim ver minha filha… e conversar com a minha esposa, se ela deixar.
Minha mãe apertou meu braço, como quem me dava escolha e eu só consegui assentir, com o estômago embrulhado.
— A gente pode conversar aqui mesmo — murmurei, sem olhar muito pra ele.
Alana, feliz, subiu na varanda com Thor correndo atrás, sem perceber a tensão que dominava o ar.
Meu pai a chamou pra dentro, e ela foi reclamando, sem entender. Quando a porta se fechou, Thales deu um passo mais perto.
— Você tá me evitando, Lorena. Uma semana e meia, e nada de atender minhas ligações. — O tom dele começou a mudar, ganhando aquela impaciência que eu conhecia bem. — Achei que a gente podia resolver isso sem briga.
— Resolver o quê, Thales? — perguntei, cruzando os braços. — Eu quase morri por sua causa! Você acha mesmo que dá pra fingir que nada aconteceu?
Ele desviou o olhar, coçando a nuca.
— Eu sei que errei, tá? Perdi a cabeça. Eu estava com raiva, com a cabeça cheia... mas eu nunca quis te machucar. Eu não consigo ficar longe de vocês duas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...