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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 351

Meu peito estava tão apertado que por um instante pensei que não conseguiria respirar. O som da voz dele me fez estremecer, mas dessa vez não foi saudade, foi medo.

— Thales, você quase me matou — sussurrei, sentindo minha própria voz tremer. — E agora vem aqui como se fosse só um desentendimento de casal?

Ele franziu o cenho, dando um passo em minha direção, mas eu recuei. Não porque quisesse parecer fraca, e sim porque já sabia o que aquele olhar dele podia esconder.

— Eu não quero mais isso — continuei, tentando manter a firmeza. — Não quero viver com medo.

O silêncio caiu pesado entre nós. O vento balançava as cortinas da varanda e só o som distante dos grilos preenchia o espaço entre as nossas respirações. Ele me olhou por alguns segundos, e o sorriso forçado apareceu.

— Você tá confusa — disse, com a voz calma demais pra ser sincera. — Todos aqui estão te enchendo a cabeça, né?

Eu o encarei, firme, o peito subindo e descendo rápido.

— Não precisa culpar ninguém, Thales. A culpa é exclusivamente sua. E pra deixar claro... o que eu quero agora é distância de você.

O sorriso dele desapareceu, e a confusão atravessou o olhar.

— Do que você tá falando, Lorena?

— Que é bom você ir pra São Paulo. — As palavras saíram duras, frias. — Pra sua amante. Fique lá o tempo que quiser. Um ano, dois, não importa. Você não precisa mais voltar.

O rosto dele se contraiu, o choque se transformando em raiva.

— Lorena, você tá acusando de...

— Não me faça de idiota — interrompi, com a voz firme, mesmo sentindo as mãos trêmulas.

Thales deu mais um passo, e eu automaticamente recuei.

— Não precisa ter medo dela, eu não a amo — disse ele, tentando soar convincente, mas a tensão no maxilar o traía.

Soltei uma risada amarga.

— Eu não tenho medo de mulher nenhuma, Thales. Só tô cansada de você. Cansada das mentiras, das desculpas e desse ciclo. Eu só quero que você vá embora e me deixe em paz.

Por um momento, o silêncio pareceu mais perigoso do que qualquer grito. Ele me olhou, respirando fundo, as veias do pescoço saltando enquanto tentava conter o impulso. Eu sabia o que viria se ele perdesse o controle ali, na frente da minha família.

Antes que ele dissesse qualquer coisa, ouvi o som firme dos passos do meu pai se aproximando pela varanda.

— Acho que ela foi bem clara, Thales — disse ele, com a voz baixa, porém carregada de autoridade. — Vá embora.

Thales virou-se lentamente para ele, e então de volta pra mim, com os olhos ardendo de raiva.

— Eu não vou aceitar isso. Você não vai acabar esse relacionamento, Lorena.

Ergui o queixo, sentindo o coração martelar no peito, mas sem desviar o olhar.

— Quem acabou foi você. Eu só tô aceitando o que você fez.

Ele ficou ali por alguns segundos, me encarando, como se esperasse que eu voltasse atrás. Mas eu não disse nada.

Sem conseguir controlar a raiva, ele virou, desceu os degraus com passos pesados e entrou no carro. A porta bateu com força, e o som do motor rugindo ecoou pelo terreiro. A poeira subiu, turvando a estrada e o ar, enquanto eu continuava parada, com o coração em frangalhos e a cabeça erguida.

Meu pai se aproximou devagar, o olhar dele cheio de preocupação. Eu ainda olhava para a estrada, tentando entender o que tinha acabado de acontecer, tentando convencer meu coração a desacelerar.

— Você tá bem, filha? — ele perguntou, com a voz calma, mas tensa, como se tivesse medo da minha resposta.

Respirei fundo, sem saber exatamente o que responder.

— Eu… não sei, pai. — Minha voz saiu num sussurro cansado. — Acho que fiz o certo, mas... fico preocupada com a Alana.

Ele assentiu devagar, se aproximando até me puxar num abraço firme, protetor, daquele jeito que só ele conseguia dar.

— Não se preocupa com isso agora — disse, passando a mão pelas minhas costas. — A Alana já tá grandinha, vai entender. E se não entender agora, um dia vai.

Fechei os olhos, respirando o cheiro familiar de casa, de segurança, e senti as lágrimas escaparem antes que eu pudesse impedir.

— Eu só quero que ela fique bem — murmurei contra o peito dele. — Que ela não sofra por causa disso.

— Ela vai ficar, Lorena — ele respondeu com convicção. — Vamos cuidar disso juntos, você não tá sozinha.

Assenti em silêncio, deixando que o abraço dele me envolvesse. Eu sabia, lá no fundo, que tinha feito o que precisava ser feito. Que encerrar aquele ciclo era a única forma de proteger a mim mesma e à minha filha.

Mas mesmo com as palavras firmes e o carinho do meu pai, o medo ainda estava ali, latejando dentro do peito. Porque eu conhecia Thales… e sabia que ele não era o tipo de homem que aceitava perder.

(Visão de Rafael)

Meu pai estava na sala, com as mãos nos bolsos. O seu olhar dele vinha pesado, cansado, igual ao meu, provavelmente.

— Ela tá melhor? — ele perguntou.

— Tá, mas o susto foi grande. — Cruzei os braços, respirando fundo. — Pai, a gente precisa ficar em alerta. Eu quero que o senhor e a mãe fiquem aqui com ela. E, se possível, não saiam sem os seguranças.

Ele franziu o cenho.

— Isso tudo é por causa do Genildo, não é?

Assenti.

— É. Eu tenho certeza. Ele sumiu uns tempos, mas agora tá voltando a atacar. Tá desesperado, e isso torna ele perigoso.

Meu pai passou a mão no rosto, sua voz embargada.

— Isso é culpa minha, Rafael. Ele veio atrás de mim, pediu dinheiro e eu neguei. Se eu tivesse cedido…

— Não — cortei, balançando a cabeça. — Não pensa assim, pai. Esse cara é um trambiqueiro desgraçado. Se o senhor tivesse dado dinheiro ontem, amanhã ele iria inventar outra desculpa e nunca ia parar.

Ele ficou quieto, me olhando com um cansaço que me apertou o peito.

— Ele é meu irmão, Rafael… e olha o que virou.

— Eu sei — murmurei. — Mas a gente não pode mais olhar pra ele como família. Temos que olhar como o que ele se tornou: uma ameaça.

Ele respirou fundo, assentindo devagar.

— E os doze selos? O que você descobriu?

Me encostei no sofá, tentando aliviar o peso que vinha me esmagando desde o dia do ataque.

— Aquilo é pior do que a gente imaginava. Eles são um grupo perigoso e aquele agiota é parte dos doze selos. Temos que tomar muito cuidado.

O olhar do meu pai ficou ainda mais tenso.

— E você se meteu nisso?

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