Fiquei quieta, mordendo o lábio e acabei assentindo devagar.
Ela abriu um sorriso de orelha a orelha.
— Então pronto! — falou animada. — Você merece ser feliz, Lorena. Já passou da hora de recomeçar, de largar o Thales de vez e se permitir viver de novo.
— Tati… — murmurei, balançando a cabeça. — Eu não sei se dá pra confiar assim em outro homem. O Rafael é gentil, educado, carinhoso, mas… e se ele mudar depois de um tempo?
Ela me olhou com doçura, mas eu já tinha virado o rosto pra janela, observando o escuro lá fora.
— Se eu realmente me divorciar do Thales… — continuei, num tom baixo — eu quero um tempo pra mim. Pra colocar a cabeça no lugar.
— Eu entendo. — ela respondeu. — Mas se lá no fundo você sentir que o que tem com o Rafael é verdadeiro, então não foge, amiga. Às vezes a vida dá essas chances e a gente deixa passar por medo.
Eu ri, sem graça.
— Pode ficar tranquila, não vai acontecer nada.
— Ah, vai sim. — ela riu também. — Quero ver você com um homem que te valorize, que te olhe do jeito que você merece.
Desviei o olhar, sentindo o coração apertar.
— Eu tenho medo do Thales, também. Ele é muito ciumento… não vai aceitar a separação, muito menos outro homem na minha vida.
O sorriso dela sumiu.
— Ele não tem que aceitar nada, Lorena. Você não é propriedade dele.
— Eu sei — respondi, passando a mão no cabelo. — Mas não é tão simples. Eu conheço o jeito dele… tenho medo que ele tente alguma coisa.
Tatiane me olhou séria por um instante, depois se levantou e segurou minhas mãos.
— Então faz o seguinte: não enfrenta ele sozinha. Eu tô com você pra tudo, tá? E se ele tentar qualquer coisa, a gente resolve juntas.
Assenti, sentindo o nó na garganta.
— Obrigada, Tati.
Ela sorriu e me puxou num abraço apertado.
— Você vai ficar bem, Lorena. E quem sabe… — falou baixinho, divertida. — Esse seu chefe ainda não vira o amor da sua vida.
Revirei os olhos, mas não consegui evitar o sorriso. Mesmo com o medo e a confusão dentro de mim, só de lembrar daquele beijo… meu coração acelerava de novo.
( Visão de Rafael)
Quando entrei em casa, o cheiro do café da minha mãe ainda estava no ar. Ela estava sentada no sofá, com aquele olhar que misturava alívio e bronca.
— Onde você esteve a tarde toda, Rafael? — perguntou, cruzando os braços. — Já é quase noite e você nem deu sinal de vida.
Soltei um suspiro leve e deixei as chaves sobre o móvel.
— Tava resolvendo umas coisas, mãe. — dei um meio sorriso. — Mas tá tudo bem, pode ficar tranquila.
Ela me olhou desconfiada por uns segundos, mas pareceu perceber que eu não estava a fim de conversa. Apenas balançou a cabeça e voltou a atenção para a novela.
— Certo. Mas da próxima vez, avisa. Essas coisas com o seu tio me deixa muito aflita com a ausência de vocês.— disse num tom mais suave.
Subi pro quarto e me joguei na cama sem nem tirar os sapatos. O teto branco foi ficando meio embaçado à medida que a lembrança do beijo voltava à minha cabeça.
Aquele beijo.
Não foi planejado e muito menos esperado. Mas, caramba, foi real.
Eu ainda conseguia sentir o gosto dela, o toque leve das mãos, o olhar meio perdido... e o detalhe que não me saía da mente: ela não estava com a aliança.
Meu coração apertou no peito. Será que finalmente existe uma chance?
Lorena não fugiu, não me afastou. Por um instante, ela se entregou.
Passei as mãos pelo rosto e dei um sorriso bobo. Sabia que não devia criar expectativa, mas era impossível.
Ela vai voltar a trabalhar e eu vou vê-la todos os dias.
E se dessa vez for diferente?
Fechei os olhos, tentando acalmar a cabeça, mas a imagem dela não saía da minha mente. O cabelo solto, o olhar doce, o toque hesitante…
Droga.
Acho que tô ferrado de vez.
Estava deitado, tentando convencer a mim mesmo a dormir, o que era impossível depois de pensar em Lorena por horas, quando ouvi batidas apressadas na porta.
— Rafael, abre aí. É urgente. — A voz era do Ruan.
Levantei num pulo e abri a porta. Ele entrou junto com o Nicolas, os dois com um olhar que eu já conhecia bem, vinha coisa séria.
— O que foi agora? — perguntei, já sentindo o estômago apertar.
Ruan olhou pra mim, depois pro Nicolas.
— Podemos ter encontrado o local onde o Genildo tá se escondendo.
Meu coração disparou.
— Tem certeza disso?
— Eu sei — respondi, passando a mão no rosto. — Mas ele tem uma família agora. Não vou colocar ele em risco por causa de um desgraçado como o Genildo. Vamos primeiro averiguar tudo e depois falo com ele com mais calma.
Ruan ficou em silêncio por alguns segundos, depois cruzou os braços.
— Então o que você quer fazer?
— Quero que você resolva tudo — falei firme. — Quando as coisas estiverem prontas, me avisa. Eu só quero saber a hora certa de agir.
Ele assentiu devagar, analisando minha expressão.
— Tudo bem.
— Tá tudo certo pra levar minha família pro centro de treinamento amanhã?
— Tá sim. Por quê?
— Então é esse o momento. Enquanto eles estiverem lá, a gente entra no galpão e tenta pegar o Genildo.
Ruan ficou quieto,
— Você acha mesmo que dá pra fazer isso sem eles perceberem?
— É o melhor cenário que nós temos.
— Acho que você deveria ficar. Se o pessoal te ver com sua família, vão achar que tá tudo normal. Nenhum movimento estranho, nenhuma desconfiança.
Neguei com a cabeça.
— Não sei… eu devia estar junto.
— Não, Rafael. — interrompeu Ruan — Se você não for com eles, a Milena vai perceber, tua mãe vai perguntar, e o Genildo pode ter alguém observando. Ele vai sentir o cheiro da armadilha de longe.
Respirei fundo, sentindo o estômago se apertar.
— Droga, Ruan…
— Eu sei — disse ele, mais calmo. — Mas é o jeito. Vai com a tua família, faz o papel direitinho. A gente cuida do resto.
Fiquei em silêncio por um instante, olhando pro chão. Por mais que eu quisesse resolver aquilo com minhas próprias mãos, ele tinha razão.
— Tá. — murmurei, enfim. — Então vai ser assim. Quando eu estiver lá com eles, vocês entram. E se der qualquer coisa errada… me liga.
Ruan assentiu.
— Pode deixar, chefe. A gente termina o que ele começou.
Assenti, mas o aperto no peito não passou. Porque no fundo… eu sabia que nada sobre o Genildo terminava fácil.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...