Entrar Via

Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 355

Fiquei quieta, mordendo o lábio e acabei assentindo devagar.

Ela abriu um sorriso de orelha a orelha.

— Então pronto! — falou animada. — Você merece ser feliz, Lorena. Já passou da hora de recomeçar, de largar o Thales de vez e se permitir viver de novo.

— Tati… — murmurei, balançando a cabeça. — Eu não sei se dá pra confiar assim em outro homem. O Rafael é gentil, educado, carinhoso, mas… e se ele mudar depois de um tempo?

Ela me olhou com doçura, mas eu já tinha virado o rosto pra janela, observando o escuro lá fora.

— Se eu realmente me divorciar do Thales… — continuei, num tom baixo — eu quero um tempo pra mim. Pra colocar a cabeça no lugar.

— Eu entendo. — ela respondeu. — Mas se lá no fundo você sentir que o que tem com o Rafael é verdadeiro, então não foge, amiga. Às vezes a vida dá essas chances e a gente deixa passar por medo.

Eu ri, sem graça.

— Pode ficar tranquila, não vai acontecer nada.

— Ah, vai sim. — ela riu também. — Quero ver você com um homem que te valorize, que te olhe do jeito que você merece.

Desviei o olhar, sentindo o coração apertar.

— Eu tenho medo do Thales, também. Ele é muito ciumento… não vai aceitar a separação, muito menos outro homem na minha vida.

O sorriso dela sumiu.

— Ele não tem que aceitar nada, Lorena. Você não é propriedade dele.

— Eu sei — respondi, passando a mão no cabelo. — Mas não é tão simples. Eu conheço o jeito dele… tenho medo que ele tente alguma coisa.

Tatiane me olhou séria por um instante, depois se levantou e segurou minhas mãos.

— Então faz o seguinte: não enfrenta ele sozinha. Eu tô com você pra tudo, tá? E se ele tentar qualquer coisa, a gente resolve juntas.

Assenti, sentindo o nó na garganta.

— Obrigada, Tati.

Ela sorriu e me puxou num abraço apertado.

— Você vai ficar bem, Lorena. E quem sabe… — falou baixinho, divertida. — Esse seu chefe ainda não vira o amor da sua vida.

Revirei os olhos, mas não consegui evitar o sorriso. Mesmo com o medo e a confusão dentro de mim, só de lembrar daquele beijo… meu coração acelerava de novo.

( Visão de Rafael)

Quando entrei em casa, o cheiro do café da minha mãe ainda estava no ar. Ela estava sentada no sofá, com aquele olhar que misturava alívio e bronca.

— Onde você esteve a tarde toda, Rafael? — perguntou, cruzando os braços. — Já é quase noite e você nem deu sinal de vida.

Soltei um suspiro leve e deixei as chaves sobre o móvel.

— Tava resolvendo umas coisas, mãe. — dei um meio sorriso. — Mas tá tudo bem, pode ficar tranquila.

Ela me olhou desconfiada por uns segundos, mas pareceu perceber que eu não estava a fim de conversa. Apenas balançou a cabeça e voltou a atenção para a novela.

— Certo. Mas da próxima vez, avisa. Essas coisas com o seu tio me deixa muito aflita com a ausência de vocês.— disse num tom mais suave.

Subi pro quarto e me joguei na cama sem nem tirar os sapatos. O teto branco foi ficando meio embaçado à medida que a lembrança do beijo voltava à minha cabeça.

Aquele beijo.

Não foi planejado e muito menos esperado. Mas, caramba, foi real.

Eu ainda conseguia sentir o gosto dela, o toque leve das mãos, o olhar meio perdido... e o detalhe que não me saía da mente: ela não estava com a aliança.

Meu coração apertou no peito. Será que finalmente existe uma chance?

Lorena não fugiu, não me afastou. Por um instante, ela se entregou.

Passei as mãos pelo rosto e dei um sorriso bobo. Sabia que não devia criar expectativa, mas era impossível.

Ela vai voltar a trabalhar e eu vou vê-la todos os dias.

E se dessa vez for diferente?

Fechei os olhos, tentando acalmar a cabeça, mas a imagem dela não saía da minha mente. O cabelo solto, o olhar doce, o toque hesitante…

Droga.

Acho que tô ferrado de vez.

Estava deitado, tentando convencer a mim mesmo a dormir, o que era impossível depois de pensar em Lorena por horas, quando ouvi batidas apressadas na porta.

— Rafael, abre aí. É urgente. — A voz era do Ruan.

Levantei num pulo e abri a porta. Ele entrou junto com o Nicolas, os dois com um olhar que eu já conhecia bem, vinha coisa séria.

— O que foi agora? — perguntei, já sentindo o estômago apertar.

Ruan olhou pra mim, depois pro Nicolas.

— Podemos ter encontrado o local onde o Genildo tá se escondendo.

Meu coração disparou.

— Tem certeza disso?

— Eu sei — respondi, passando a mão no rosto. — Mas ele tem uma família agora. Não vou colocar ele em risco por causa de um desgraçado como o Genildo. Vamos primeiro averiguar tudo e depois falo com ele com mais calma.

Ruan ficou em silêncio por alguns segundos, depois cruzou os braços.

— Então o que você quer fazer?

— Quero que você resolva tudo — falei firme. — Quando as coisas estiverem prontas, me avisa. Eu só quero saber a hora certa de agir.

Ele assentiu devagar, analisando minha expressão.

— Tudo bem.

— Tá tudo certo pra levar minha família pro centro de treinamento amanhã?

— Tá sim. Por quê?

— Então é esse o momento. Enquanto eles estiverem lá, a gente entra no galpão e tenta pegar o Genildo.

Ruan ficou quieto,

— Você acha mesmo que dá pra fazer isso sem eles perceberem?

— É o melhor cenário que nós temos.

— Acho que você deveria ficar. Se o pessoal te ver com sua família, vão achar que tá tudo normal. Nenhum movimento estranho, nenhuma desconfiança.

Neguei com a cabeça.

— Não sei… eu devia estar junto.

— Não, Rafael. — interrompeu Ruan — Se você não for com eles, a Milena vai perceber, tua mãe vai perguntar, e o Genildo pode ter alguém observando. Ele vai sentir o cheiro da armadilha de longe.

Respirei fundo, sentindo o estômago se apertar.

— Droga, Ruan…

— Eu sei — disse ele, mais calmo. — Mas é o jeito. Vai com a tua família, faz o papel direitinho. A gente cuida do resto.

Fiquei em silêncio por um instante, olhando pro chão. Por mais que eu quisesse resolver aquilo com minhas próprias mãos, ele tinha razão.

— Tá. — murmurei, enfim. — Então vai ser assim. Quando eu estiver lá com eles, vocês entram. E se der qualquer coisa errada… me liga.

Ruan assentiu.

— Pode deixar, chefe. A gente termina o que ele começou.

Assenti, mas o aperto no peito não passou. Porque no fundo… eu sabia que nada sobre o Genildo terminava fácil.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra