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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 361

(Visão de Lorena)

Quando saímos do restaurante, já estava tarde e a rua estava praticamente deserta. O barulho da chuva foi a primeira coisa que me atingiu, e eu automaticamente parei na porta, surpresa.

— Ah, ótimo… — murmurei, olhando para o meu carro do outro lado da rua, uns trinta metros adiante.

Rafael deu uma olhada rápida para o céu e depois pra mim.

— Eu vou buscar um guarda-chuva ali na recepção, espera um segundo.

Assenti, mas antes mesmo de eu respirar direito, senti a mão dele envolver a minha e, do nada, ele me puxou pra chuva.

— Rafael?! — dei um gritinho, rindo ao mesmo tempo. — Você ficou maluco?

Ele só riu, aquela risada livre, quase juvenil, que eu nunca tinha visto nele. A água caía pesada sobre nós, deixando meu cabelo grudado no rosto, encharcando meu vestido… e ainda assim, eu estava sorrindo.

Chegamos na calçada do outro lado, e ele parou, fechou os olhos e ergueu o rosto pra chuva.

— Sente — ele disse, como se aquilo tivesse todo um significado escondido.

Fiquei olhando pra ele por alguns segundos longos.

Muito longos.

Ele era lindo. Não no sentido óbvio, embora fosse isso também. Mas lindo de um jeito… vivo. Forte. Calmo. Real.

A chuva escorria pelos traços dele, e eu tive a sensação estranha de que nunca tinha visto Rafael daquele jeito antes. Ou talvez eu nunca tivesse parado pra olhar direito.

Respirei fundo.

E me permiti.

Fechei os olhos, ergui o rosto também, deixando a água cair, pesada e gelada… mas era como se lavasse alguma coisa dentro de mim. Como se abrissem uma janela no meu peito que eu nem lembrava que existia.

Por um segundo, me senti criança outra vez.

Livre.

Leve.

Sem o peso de tudo o que aconteceu… sem medo.

Sem Thales.

Sem lembranças ruins.

sem dor…

Só… eu.

Senti a sua presença se aproximar e o calor do seu corpo, mesmo na chuva fria. Mas continuei com os olhos fechados.

E então a sua mão encostou de leve na minha bochecha.

Meu coração deu um salto tão forte que eu quase perdi o ar.

A sua voz veio baixa, rouca, perto demais:

— Você é tão linda...

Senti meu sorriso aparecer sozinho, sem esforço nenhum. E quando abri os olhos… ele estava ali, tão perto que eu conseguia sentir a respiração dele misturando com a minha.

Nossos olhares se encontraram, e por um instante o mundo inteiro pareceu parar.

Olhei pra sua boca sem nem perceber que estava fazendo isso e alguma coisa dentro de mim, não sei o quê, não sei de onde, simplesmente… empurrou.

Fiquei na ponta dos pés e o beijei.

Rafael ficou surpreso só por um instante.

Mas logo depois, suas mãos seguraram minha cintura com força, me puxando contra si, como se fosse a única coisa certa na vida dele. A outra mão alcançou a minha nuca, enfiando os dedos no meu cabelo molhado e inclinando minha cabeça, aprofundando o beijo.

E Deus… aquele beijo.

Começou calmo, quase delicado, mas logo virou outra coisa mais quente, urgente, cheio de vontade. Nossas bocas se encaixavam como se já tivesse sido feita pra isso, sua língua tocou a minha e eu senti um gemido escapar da minha garganta, pequeno, involuntário, completamente impossível de segurar.

Ele me puxou ainda mais, tão perto que eu conseguia sentir cada linha do seu corpo contra o meu. Eu queria aquilo. Queria mais. Queria tudo. A chuva batia nos nossos rostos, nossos cabelos, nossas roupas… mas eu não sentia frio. Nenhum.

Só sentia ele.

Senti quando ele começou a caminhar comigo, ainda me beijando, guiando meu corpo sem me soltar. Eu estava entregue e só percebi que estávamos encostando em algo quando minhas costas bateram num carro estacionado.

O beijo ficou ainda mais profundo, até que, de repente…

PI-PI-PI-PI-PI!!!

O alarme disparou.

A gente se afastou na hora, com o coração correndo maratona, respiração totalmente descompensada. E então Rafael… começou a rir. Uma risada gostosa, alta, completamente leve.

Quando parei o carro em frente ao portão do estacionamento do prédio, eu ainda estava… cambaleando por dentro. Minhas mãos tremiam no volante, e eu juro que senti minhas pernas completamente fracas. Olhei pelo retrovisor e vi o carro do Rafael parando um pouco atrás, num ponto de onde ele conseguia me ver bem.

Ele realmente estava esperando eu entrar. Só isso já fez meu peito se apertar de um jeito estranho, mas bom. Tão bom.

. Antes de seguir, virei o rosto discretamente e vi Rafael assen­tindo, como se estivesse dizendo “vai, eu tô aqui”. E eu fui. Entrei no estacionamento interno e parei na minha vaga.

Desliguei o motor, e o silêncio caiu sobre mim de um jeito que me deixou meio zonza. Quando fechei a porta, encostei as costas no carro e soltei um suspiro longo, como se meu corpo inteiro desabasse. Levei as mãos aos lábios… meu Deus. Só de tocar, meu coração deu um salto desordenado no peito.

O beijo.

A chuva.

Os braços dele me puxando.

A forma como eu senti… como se eu estivesse voltando à vida depois de anos adormecida.

Encostei a cabeça na porta do carro e fechei os olhos, tentando recuperar o fôlego que parecia ter ficado preso entre a boca dele e a minha. Aquele beijo não tinha sido algo que eu poderia simplesmente ignorar. Muito menos fingir que não significou nada. Não quando cada parte de mim ainda queimava com a lembrança.

Rafael ia viajar amanhã cedo. Isso me dava… tempo. Tempo pra pensar e tomar decisões que eu vinha adiando por medo, culpa e falta de coragem.

E eu sabia qual era a primeira delas.

— Eu preciso pedir o divórcio… — murmurei pra mim mesma, com a voz quase falhando.

Só de dizer em voz alta, me deu um arrepio.

Não de medo porque dessa vez, foi libertador. Doía ainda pensar em Thales, pensar em Eduardo… meu Deus, Eduardo. Meu irmão. Será que ele algum dia me perdoaria? Será que ele conseguiria olhar pra mim sem aquela expressão de decepção que marcou tudo entre nós?

Balancei a cabeça rápido, afastando o pensamento. Não podia deixar isso me travar de novo. Não agora. Não depois do que eu senti nos braços de Rafael.

Porque hoje, pela primeira vez em muito, muito tempo… eu tive vontade de ser amada. De ser cuidada, sentir segurança em alguém e não medo.

E mesmo que eu e Rafael não dessemos certo, ele é meu chefe, afinal, e tudo é complicado demais, percebi que não quero mais a vida que levei até aqui. Quero paz, a afeto. Quero aquele tipo de abraço que me fez desmoronar por dentro… mas de um jeito bom, suave, que eu nem lembrava que existia.

Suspirei e caminhei até o elevador. Apertei o botão e, enquanto esperava, passei a mão pelo cabelo ainda molhado. A água pingava pelo meu pescoço e me fez arrepiar de novo, lembrando da chuva, do rosto dele tão perto do meu, dos seus dedos tocando minha bochecha…

O elevador chegou e entrei. Quando a porta fechou, senti de novo aquele turbilhão de emoções girando dentro do peito.

Eu queria aquilo, tudo que senti hoje.

E eu ia atrás.

Quando cheguei ao meu andar, destravei a porta e entrei. Joyce estava sentada no chão, rodeada de cadernos e papéis, coçando a testa num desespero engraçado.

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