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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 363

Cheguei na Alemanha já quase no fim da manhã, com aquele cansaço que deixa o corpo pesado, mas a mente ligada demais pra desligar. Peguei o carro que já estava reservado pra mim e fui direto pro hotel.

Assim que entrei no quarto, tirei a jaqueta, deixei a mala num canto e fui pro banho. A água quente bateu no meu rosto e, por alguns segundos, eu só fiquei ali… parado, respirando.

A viagem tinha sido longa e eu ainda carregava o gosto da noite anterior.

Saí, me vesti com algo mais formal e deitei só pra dar uma descansada rápida antes de ir pro escritório. Não dormi, minha cabeça não deixava, mas fechei os olhos e deixei o corpo recuperar uns 10% da energia.

Depois fui.

O prédio da filial estava igual ao que eu lembrava, impecável, silencioso, funcionando como um relógio suíço. E Markus vinha vindo no corredor, com uma camisa social impecável, pasta na mão e aquele jeito metódico dele.

— Rafael — ele me cumprimentou com um aperto de mão firme —, bom tê-lo aqui.

— Já era hora de voltar — respondi.

Markus assentiu e me guiou até uma sala de reuniões vazia. Assim que entramos, ele fechou a porta e cruzou os braços, respirando fundo.

— Klaus está tentando entrar no escritório há dias — ele começou. — Tentou várias vezes, sempre barrado. Mas de alguma forma, ele conseguiu.

Fechei os olhos por um segundo, sentindo a dor de cabeça começar a pulsar atrás da têmpora.

— E ele insiste em falar comigo, imagino.

— Insiste — Markus confirmou. — E, sinceramente, acho que não vai parar enquanto não conseguir.

Passei a mão no rosto, tentando conter a irritação.

— Você já descobriu quem pode estar passando informação pra ele?

Markus hesitou.

— Suspeito de alguém… mas ainda não tenho provas. — Ele aproximou um pouco, baixando a voz. — Preciso montar uma armadilha pra ter certeza. Só assim teremos como agir legalmente.

— Certo. — assenti. — Então vamos pensar.

Nos sentamos na mesa, abrimos o tablet com gráficos e relatórios e começamos a montar o quebra-cabeça. Um por um.

Depois de quase meia hora discutindo hipóteses, chegamos à conclusão lógica:

— A armadilha tem que parecer natural — eu disse. — Algo que todo mundo participe e ninguém desconfie.

Markus levantou o olhar, entendendo.

— Uma festa.

— Exato. — confirmei. — Uma comemoração pela minha vinda. Reúne todos, atrai quem interessa e deixa o informante confortável. E enquanto isso… colocamos câmeras extras nas salas.

— Sem ninguém saber — Markus completou.

— Só nós dois — falei. — Eu mesmo instalo se for preciso.

Ele sorriu de lado, como se tivesse esperado por essa parte.

— A festa pode acontecer amanhã à noite — Markus sugeriu. — O salão do prédio comercial está disponível.

— Perfeito. Avise o pessoal, diga que quero ver todos lá. Agora, vamos ver o que o Klaus quer.

Markus pegou o celular, discou e esperou. A ligação tocou longa demais, até que caiu na caixa.

Ele tentou de novo.

Dessa vez, alguém atendeu.

— Markus… — Klaus respondeu. — Onde está o Rafael? Preciso falar com ele.

O celular estava no viva-voz. Markus me entregou o aparelho com o olhar sério e eu peguei.

— Klaus. — minha voz saiu fria, mais do que eu esperava.

Do outro lado, silêncio por alguns segundos.

— Rafael… precisamos nos encontrar. É importante. — Ele parecia desesperado, ou tentando parecer. — Não posso falar por telefone.

— Então diz o lugar — respondi, sem alterar o tom.

Ele passou o endereço.Um café público, movimentado, num bairro central.

Claro. Klaus jamais escolheria um lugar onde eu pudesse “agir”. Ele acreditava mesmo que eu ainda jogava o jogo dele.

— Certo. — confirmei. — Estarei lá às cinco.

— Obrigado, Rafael — ele disse. — Você não vai se arrepender.

Desliguei sem responder e entreguei o celular a Markus.

Ele soltou um suspiro tenso.

— Só estou aqui porque você insistiu, dizendo que era urgente. Então fala. O que você quer dessa vez?

Ele respirou fundo, assumiu um ar sofrido que não me enganava nem por um segundo.

— Eu… estou passando por uma situação complicada. Um problema sério. E pensei que… talvez você pudesse me ajudar financeiramente, só até eu…

— Não — falei antes de ele terminar. — Nem começa. Não vou te dar dinheiro, nunca mais.

A máscara caiu ali e o seu rosto ficou duro, os olhos estreitos.

— Você é muito ingrato, sabia? — Ele bateu o dedo na mesa, irritado. — Fui eu quem te ajudou no começo, quem colocou capital na empresa e quem acreditou em você! E é assim que me paga?

— Klaus… — eu ri, mas sem humor — você investiu porque ia lucrar, não porque é um anjo da guarda. E nós poderíamos estar juntos até hoje como sócios, se você não fosse um porco imundo, egoísta.

Ele ficou completamente imóvel por alguns segundos. Depois, inclinou-se devagar, como quem se prepara para golpear.

— E você acha que vai se livrar das consequências de tudo que fez? — murmurou. — Inclusive… daquilo com a Lucy.

Meu estômago travou. Foi instintivo. Ele percebeu minha reação e o sorriso voltou, venenoso.

— Pois é… Aquele dia. Aquelas palavras. Você sabe que foi por causa da briga com você que ela saiu correndo daquele jeito. E o acidente… As sequelas… Imagina se o pai dela resolvesse saber disso agora? O que ele ia pensar de você, hein?

A vontade de levantar e enfiar a mão na cara dele veio com força. Eu juro que minhas mãos tremeram sob a mesa. Engoli a raiva, respirei fundo e respondi devagar, medindo cada palavra.

— Eu já conversei com a Lucy naquela época e o pai dela sabe de tudo. Você não me assusta, Klaus. Para de tentar manipular as coisas. Isso não funciona mais comigo.

A expressão dele mudou de novo para choque, seguido de ódio puro.

— Veremos se ele sabe mesmo…

— Já deu. — Levantei da cadeira. — Não vou perder mais tempo com você e não adianta tentar. Eu nunca mais vou te passar um centavo. E a sua palavra… vale menos que nada.

Ele também se levantou rápido, segurando meu braço.

— Você vai se arrepender de ter feito isso comigo — falou entre dentes.

Eu virei de uma vez, arrancando meu braço da mão dele.

— Do que eu me arrependo — sussurrei perto do seu rosto — é de um dia ter confiado em você.

Deixei ele parado ali, roxo de raiva, enquanto eu saía do café. O ar frio bateu no meu rosto e ajudou a aliviar um pouco da vontade que eu ainda tinha de voltar lá e acabar aquela conversa com um soco.

Mas não valia a pena. Klaus nunca valeu.

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