— Estranho — respondi, com minha voz presa na garganta. — Estranho e… calmo demais.
Ela franziu a testa, preocupada.
— Você pediu o divórcio?
Assenti.
Joyce imediatamente ficou mais tensa.
— Isso não parece com ele… esse comportamento. Ele nunca ficou calmo assim.
— Eu sei — murmurei. — É isso que tá me deixando inquieta… parece que alguma coisa tá errada.
Joyce segurou minha mão com cuidado, como se eu fosse quebrar.
— Quer que eu durma aqui com vocês hoje?
Balancei a cabeça.
— Não precisa… mas obrigada.
Ela respirou fundo, apertando meus dedos.
— Você fez a coisa certa, Lore. Precisa se proteger e proteger a Alana.
Eu forcei um sorriso, mas a verdade é que meu corpo ainda estava tenso, como se em qualquer minuto alguma coisa ruim fosse acontecer. Como se a calma dele fosse só um prelúdio.
— Eu sei… — murmurei, mais pra mim do que pra ela. — Eu só… ainda tô tentando respirar.
(Visão de Thales)
Desci do carro com a cabeça fervendo.
A mala no porta-malas parecia mais pesada do que realmente era, mas eu sabia que o peso não era dela. Toquei a campainha da casa da minha mãe e esperei, respirando fundo.
Poucos segundos depois, ela abriu a porta.
— Thales? — ela arregalou os olhos, olhando pra mim, depois pra mala. — Que que aconteceu, menino?
Passei por ela sem muita cerimônia.
— Briguei com a Lorena — respondi, seco.
Era tudo o que eu queria dizer. Eu não estava com paciência pra conversa comprida.
Ouvi o xingamento vindo ali, na lata:
— Aquela vagabunda… eu sabia! Desde o começo, eu te falei que ela não prestava—
Virei na hora, com o sangue subindo.
— Não fala da minha esposa assim. — Minha voz saiu gelada.
Ela cruzou os braços, mas não recuou.
— Vagabunda, sim! Agora tá com essa história de divórcio… pensa que é quem?
Larguei a mala no meio da sala e me sentei no sofá. Passei a mão no rosto, cansado.
— Eu não sei o que ela pensa — falei. — Só sei que vou dar um tempo. Ela vai perceber que me ama. Que eu sou o homem da vida dela e aí eu volto.
Minha mãe bufou, se aproximando mais.
— Você é um fraco, Thales. Saiu de casa? Você devia era ensinar a ela como que uma esposa deve se comportar.
Senti a irritação subir de novo, dessa vez mais forte.
— Eu não quero brigar por causa da Alana — rebati. — E também preciso resolver umas coisas. É até bom. Assim ela não fica no meu pé querendo saber onde eu tô.
Ela franziu o cenho, desconfiada.
— Que coisa é essa que você tem pra resolver?
Olhei pra ela, impaciente.
— Não é da sua conta.
Minha mãe ficou me encarando, mas eu já tinha encerrado o assunto.
Levantei, peguei a mala de novo e subi as escadas, indo pro quarto que era meu na infância. O quarto estava igual em muita coisa, mas nada em mim era igual.
Joguei a mala no chão, sentei na cama e fiquei olhando pro nada.
Lorena achava que ia viver sem mim.
Ela só estava confundida e ia perceber que não tinha vida sem eu ali. E se achasse que existisse essa vida, mostrei a ela que não, seja de forma suave ou dolorosa.
Joguei a mala num canto do quarto, sem me importar onde ela caísse. O barulho seco ecoou, mas nem liguei. Peguei o celular no bolso e disquei o número do Raimundo, ele atendeu no segundo toque, como sempre fazia comigo.
— Senhor — sua voz saiu firme, quase tensa. — À disposição.
Caminhei pelo quarto devagar, olhando pela janela como se esperasse ver alguma coisa lá fora.
E eu deixava.
Porque Cristina fazia o que Lorena nunca fazia: me elogiava, me tratava como homem, como alguém importante, falava tudo o que eu queria ouvir.
Mas… Não era a Lorena.
Nunca seria.
— Não se preocupa com isso — respondi, firme. — Tá tudo sob controle.
— Eu confio em você. — O sorriso dela dava pra ouvir. — Você é diferente. Um homem de verdade.
Esse tipo de frase sempre me acertava. Sempre.
Mas eu ainda amava Lorena. O problema é que nenhum homem aguenta semanas sozinho em São Paulo. E Cristina apareceu exatamente quando eu precisava.
— Preciso desligar — falei por fim.
— Tá bem, meu amor. Me avisa quando tiver uma data para voltar.
— Ahn-ham — murmurei, e encerrei a ligação.
Olhei pro relógio na parede.
18:30.
Ainda dava tempo.
Desci as escadas devagar. Minha mãe estava na cozinha, mexendo em alguma panela. Ela me olhou rápido quando sentei à mesa, mas não falou nada.
Silêncio raro.
Comemos em paz, ou pelo menos no que dava pra chamar de paz naquela casa.
Quando terminei, ela pegou a bolsa e avisou:
— Vou pra igreja.
Assenti, sem interesse. Assim que ouvi a porta se fechar atrás dela, levantei.
Peguei a chave do carro e o celular.
E saí.
Era hora de encontrar Raimundo e me livrar dessa maldita pedra no meu caminho… ou, dá um chute, para que ela caia longe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...