Franzi o cenho, sentindo meu coração bater mais forte.
— Ele nunca me falou isso. — apertei os dentes — Eu ajudei quando pude e o contratei novamente porque era bom, alguém deve ter colocado coisa na cabeça dele. Klaus, provavelmente. Ele adora prometer o mundo.
O policial cruzou os braços.
— O problema, senhor Rafael, é que isso caracteriza motivo. Temos muitas coisas ligadas ao senhor, por isso, precisamos que fique mais um pouco no país.
Passei a mão pelos cabelos, a raiva fervendo.
— Eu preciso voltar pro Brasil. Agora. — falei, firme, mas minha voz saiu carregada de desespero. — Meus pais quase morreram, estão sob ameaçadas do meu tio e vocês querem que eu acredite que eu ferrei o Derink? Pelo amor de Deus…
O policial não cedeu nem um milímetro.
— Não posso liberar sua saída da Alemanha enquanto esse ponto não estiver esclarecido. A vítima deixou mensagens demais que levantam suspeita.
Eu ri um riso vazio.
— Claro que deixou. — murmurei — Alguém deve ter dito pra ele exatamente o que escrever. Ele estava sendo usado e agora tão me usando também.
Me afundei na cadeira, exausto, com a cabeça pesada.
Duas semanas preso aqui, enquanto desgraçado do Genildo se aproxima cada vez mais da minha família.
Apertei as mãos, respirando fundo para não quebrar alguma coisa dentro daquela sala.
— Isso aqui… — balancei a cabeça — …não é coincidência. Nada disso. Tá tudo conectado e eu tô aqui, preso por uma mentira, enquanto minha família tá lá… desprotegida.
O policial recolheu as folhas.
— Assim que tivermos novidades, chamaremos o senhor novamente.
Ele saiu.
A porta se fechou.
E eu fiquei ali, sozinho, sentindo a raiva pulsar como sangue nas veias.
Se algo acontecer com alguém da minha família enquanto eu estiver preso aqui por causa desse teatro?
Klaus…
Tom…
Quem mais estiver envolvido…
Eu juro por tudo que tenho que nenhum deles vai ver o sol nascer tranquilo outra vez.
( Visão de Lorena)
Eu só queria um fim de noite tranquilo.
Tinha acabado de chegar do trabalho, ainda cansada, e estava jantando com a Alana na mesa pequena da cozinha. O clima estava tão… normal.
Até a campainha tocar.
Meu corpo inteiro travou. Dias sem ele em casa, respirando sem medo e eu já reconhecia aquela sensação ruim antes mesmo de abrir a porta.
Abri devagar.
E lá estava ele.
Thales.
Com um sorriso suave demais para ser verdadeiro… e com uma sacola na mão.
— Oi, Lore… — ele disse baixo, como se não tivesse acontecido nada — Só vim ver minha princesa.
Levei um segundo para processar. Minha boca abriu, mas nada saiu. Foi Alana quem correu por trás de mim.
— Papaaaai!
Ela se jogou nos braços dele e eu senti meu estômago afundar. Ele a levantou com facilidade, girou devagar, e riu como se fosse o pai mais amoroso do mundo.
Meu olhar desceu para algo que chamou atenção em suas mãos. Os nós dos dedos, machucados e inchados, como se ele tivesse socado algo, ou alguém.
Antes que eu perguntasse, Alana fez isso por mim:
— Papai, o que aconteceu com a sua mão?
Ele olhou rápido pra mim e aí se virou para ela com um sorriso tranquilo.
— Ah, isso? Nada demais, meu amor. Um amigo do papai me pediu ajuda pra mudar um armário lá do trabalho e ele escorregou. Só isso.
Mentira. Eu sabia que era mentira.
Mas Alana aceitou, riu e segurou o rosto dele com as mãozinhas pequenas.
— Senti saudade.
A expressão de Thales mudou, ficando suave demais.
— Também senti, princesa.
Ele tirou da sacola um brinquedo, uma bonequinha nova, daquelas caras e deu pra ela.
Os olhos dela brilharam como sempre.
E o meu peito apertou.
Ele sabia onde atingir.
— Você… quer entrar? — perguntei por reflexo, educada demais, mesmo com a pele arrepiada.
Ele abriu um sorriso calmo e calculado.
— Só um pouquinho. Não quero atrapalhar.
Mentira de novo.
Alana correu pra dentro com a boneca, animada.
Ela então se virou para ele, com o maior sorriso do mundo, olhando entre nós dois.
— Papai, janta com a gente?
Ele olhou pra mim primeiro.
— Se a mamãe deixar… — respondeu com um tom humilde, quase tímido.
Eu engoli seco. Meus dedos apertaram o encosto da cadeira.
— Claro… — respondi. — Já estamos terminando, mas sente.
Ainda falava com ele todos os dias e mesmo que não soubesse, era meu único respiro.
Hoje não foi diferente.
— Talvez eu consiga sair na terça… da semana que vem — ele disse, com uma voz cansada do outro lado da linha.
Abri a porta do carro, exausta do dia de hoje. Um cliente tinha falado umas coisas não muito agradáveis.
— Espero que sim — murmurei.
— Eu também, não aguento mais ficar aqui.
Encerramos a ligação e eu desci. Subi as escadas pensando em banho, cama e silêncio.
Mas assim que abri a porta…
— Mamãe! — Alana correu até mim com um sorriso pequeno, mas real. — A tia Joyce ainda tá aqui!
Joyce apareceu atrás dela com uma bolsa. Ela fazia faculdade e sempre que precisava, estudava aqui já que Alana não dava tanto trabalho assim.
— Obrigada mesmo, Joyce. Hoje foi puxado.
Ela sorriu, pegou as coisas e foi embora. Fechei a porta e segui para o quarto, Alana no meu encalço como sempre.
Tirei os sapatos, massageando os pés doloridos, quando ouvi a voz baixinha dela:
— Mãe… você vai separar do papai?
Congelei.
Eu sabia que, em algum momento, teria que ser sincera com ela. Mas meu coração apertou.
— Alana… a mamãe e o papai estão resolvendo umas coisas. Depois a gente conversa com calma, tá?
Ela abriu a boca para perguntar algo, mas então…
A porta da frente se abriu e meu estômago virou gelo.
Só duas pessoas tinham chave daquele apartamento além de mim.
Joyce.
E Thales.
Alana saiu correndo antes que eu pudesse reagir.
Respirei fundo, passando a mão pela nuca, tentando me convencer de que eu só precisava de um banho. E eu podia enfrentar o que fosse depois.
Mas então ele apareceu na porta do meu quarto com um buquê enorme de rosas vermelhas.
Fiquei parada, sentindo o choque percorrer meu corpo. Não porque nunca tivesse recebido flores dele, mas porque fazia tempo demais desde a última vez.
— Oi, Lore… — disse com aquela voz baixa demais. — Vim te ver.
— Cadê a Alana? — perguntei automaticamente.
— Tá na sala, deixei ela brincando. Eu queria falar com você antes.
Ele entrou mais, se aproximando e eu dei um passo para trás, querendo distância.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...