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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 374

— Eu… trouxe isso pra você. — Ele ergueu as flores. — Sei que errei, que fui duro demais, frio… e você não merece isso.

Meu olhar caiu para a sua mão machucada.

O que só deixava tudo pior.

— As coisas no trabalho estavam me tirando do sério — ele continuou, se aproximando devagar. — Minha cabeça vivia um caos. Mas eu juro… eu juro que quero voltar a fazer tudo direito. Como no começo. Só amor, só nós três.

Engoli em seco, encarando as rosas.

— Thales… não adianta. Eu ainda quero o divórcio.

Ele sorriu de canto.

Sem irritação.

Aquela calma me deu medo.

— Eu não quero pressionar, mas preciso que você pense mais na gente, na Alana, nos anos que vivemos juntos. Decide quando estiver com a cabeça fria, mas promete que vai pensar bem em tudo.

Ele deu mais um passo e eu dei outro para trás até minhas costas baterem na parede.

Meu coração disparou na boca.

Ele inclinou o corpo, como se quisesse me encurralar mesmo sem tocar, ou levantar a voz… mas presente demais.

— Não desiste da gente ainda… — murmurou, perto. — Me deixa provar que mudei.

Tudo em mim gritava “corre”.

Mas o coração vacilava e eu me odiava por isso.

Apoiei as mãos no seu peito e o empurrei, respirando rápido.

— Não… não complica as coisas, Thales. Por favor.

Ele respirou fundo, mas não se afastou muito.

— Não é bom pra Alana ver os pais separados — disse. — Não é justo com ela.

Meu peito apertou.

— O que também não é bom pra Alana… — respondi, firme, mesmo tremendo — … é viver numa casa onde o pai agride a mãe.

Ele piscou devagar e então… a máscara voltou.

— Eu não vou fazer mais isso — disse. — Eu juro. Senti sua falta, Lorena. Eu… posso dormir aqui hoje?

Eu abri a boca pra dizer não.

Mas Alana surgiu do nada, com os olhinhos marejados.

— Mamãe… deixa o papai dormir aqui? Por favor…

Meu coração desmontou no mesmo instante.

Suspirei, derrotada.

— Tudo bem… — murmurei. — Mas você vai dormir no sofá.

O sorriso que ele deu para a filha iluminou a sala inteira. Alana correu para os braços dele, rindo como há semanas não ria.

E eu fiquei ali, parada na porta do quarto.

Segurando um buquê de rosas que cheirava a veneno emocional.

Voltei para o quarto e sentei na beira da cama, olhando para as rosas, sentindo o gosto amargo subir pela garganta.

***

Preparei o jantar em silêncio, tentando ignorar o fato de que Thales estava tão perto que eu sentia até o perfume dele, o mesmo de sempre, o mesmo que um dia já me confortou… e que agora só me deixava tensa.

— Eu vou passar esses meses aqui na cidade. — ele disse de repente, com a maior naturalidade do mundo.

Parei de mexer a panela e virei pra ele devagar.

Meses?

Meu olhar falou tudo, mas eu não disse nada. Não queria brigar na frente de Alana.

E Alana, lógico, abriu aquele sorriso enorme e bateu palminhas.

— Mãe, o papi pode voltar pra casa? Pode? — ela perguntou empolgada, como se fosse Natal.

Meu peito quase afundou, mas neguei com a cabeça.

— Não, meu amor… a mamãe ainda não conversou com ele direito.

Ela murchou na hora, e aquilo me doeu mais do que eu queria admitir.

Thales se apressou em suavizar:

— Tá tudo bem, princesa. Eu também estava com saudade da minha mãe. Tá sendo bom ficar lá um tempo.

Alana só acenou, sem graça, ainda tristinha.

Terminei de comer rápido e me levantei para levar a louça. Minha única vontade era afastar dele. Quando Thales se levantou e foi com Alana para a sala, senti um alívio enorme. Finalmente um espaço pra respirar.

Lavei um prato, depois outro, até perceber que minhas mãos tremiam. O nervosismo veio como um peso no peito. Por mais que ele estivesse bancando o “novo homem”, eu conheço Thales. E sei do que ele é capaz, que um sorriso calmo seu pode virar agressividade em questão de segundos.

Quando ouvi passos atrás de mim, meu estômago deu um pulo.

Ele apareceu na porta da cozinha.

Fiquei imediatamente tensa, quase acuada contra a pia.

— O que você quer? — consegui perguntar, tentando não demonstrar o pânico idiota que subiu pela minha garganta.

— Só queria agradecer por você ter deixado eu dormir aqui hoje.

Olhei pra ele com o semblante fechado. Não confiava, nem um pouco.

A ansiedade apertava meu peito como uma mão invisível.

Fui para a cozinha preparar o café da manhã. O cheiro do pão, do café… nada disso me acalmou. Sentia que estava sendo observada o tempo todo, mesmo sozinha.

Thales apareceu depois de alguns minutos com uma calça jeans, camisa preta e o distintivo brilhando na cintura.

Parecia… outro homem. Não o que dormiu no meu sofá.

Ele se sentou.

— Você pode ir embora, Thales. — falei sem olhar muito pra ele.

Só queria que ele saísse.

— Vou esperar a Alana pra me despedir. — respondeu, calmo demais.

Esse “calmo” dele era pior do que qualquer grito.

Passei por ele e fui direto ao meu quarto me arrumar também. Coloquei jeans, uma blusa simples social e prendi o cabelo.

Respirei fundo umas três vezes antes de voltar pra sala.

Thales estava ajoelhado perto de Alana, falando algo baixinho no ouvido dela.

E quando minha filha me olhou, um calafrio percorreu meu corpo ao notar seus olhos tão tristes. Ela então saiu correndo, indo para o quarto.

A desconfiança acendeu dentro de mim como fogo.

— O que você falou pra ela? — perguntei, firme.

Ele se levantou, com aquela expressão controlada demais.

— Só me despedi.

Mentira.

— Tô indo. — ele disse, pegando a chave. — Depois eu venho ver vocês.

E saiu antes que eu pudesse responder.

Fui imediatamente atrás de Alana e a encontrei sentada na cama, com o rostinho triste, abraçando o ursinho.

— O que houve, meu amor? — perguntei, sentando ao lado dela.

Ela balançou a cabeça e apertou mais ainda o ursinho. Mas não disse uma palavra.

— Ei… — tentei novamente, acariciando o cabelo dela. — Vai ficar tudo bem, tá?

Nada. Silêncio completo.

Suspirei fundo.

Com certeza Thales falou alguma coisa.

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