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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 375

(Visão de Rafael)

Estava no hotel, sentado na escrivaninha, quase destruindo o celular entre os dedos enquanto ouvia o relatório de Ruan. Cada palavra parecia cutucar minha paciência, meu estômago, minha raiva.

— Isso aqui… — resmunguei baixinho, passando a mão no rosto. — Tá cheirando a armação…

Ruan do outro lado da chamada de vídeo assentiu devagar, cruzando os braços.

— Eu sei. Também não engoli esse negócio do desaparecimento do seu tio. O cara some justo agora? Mas os meus homens e do seu primo estão atrás dele..

Antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou na mesa. Na tela, apareceu a chamada com o nome do policial que estava cuidando do caso daqui.

Merda.

— Ruan, depois a gente continua. — cortei. — Estão me ligando de novo.

Ele levantou uma sobrancelha.

— Está tudo bem? Acha que consegue sair?

— Espero, vou desligar.— encerrei a ligação e peguei o celular. — Alô?

A voz firme e impaciente veio do outro lado.

— Senhor Rafael, precisamos que o senhor venha até a delegacia o quanto antes.

Suspirei. Já era a terceira vez naquela semana.

— Estou indo. — respondi, tentando manter a calma. — Espero que seja pra finalmente liberar minha volta.

— Venha e conversamos aqui. — foi tudo o que ele disse antes de desligar.

Ótimo. Zero resposta, zero paz.

Meu coração já batia mais acelerado, mas eu tentava me convencer de que aquilo era só o desfecho final… e que eu estaria no avião de volta pro Brasil em poucas horas.

***

Quando cheguei lá, fui levado para uma sala fechada, a mesma de sempre com parede fria, mesa metálica, cheiro de papel velho. O delegado entrou logo em seguida com uma pasta de arquivos e um tablet.

— Senhor Rafael… — ele começou enquanto se sentava — encontramos algo novo.

Meu peito apertou.

— Novo tipo… bom ou ruim? — perguntei, forçando um sorriso sem graça.

Ele não sorriu de volta.

— Conseguimos recuperar algumas mensagens apagadas do celular de Derink. — abriu a pasta. — Mensagens com um homem chamado Klaus.

Fechei os olhos por um segundo.

Claro.

Não era novidade pra mim.

— O senhor o conhece? — ele perguntou, analisando cada movimento meu como se eu fosse uma bomba prestes a explodir.

Soltei o ar e encostei no encosto da cadeira.

— Conheço, infelizmente. Foi meu ex-sócio. Mas acabamos depois que descobri que ele havia roubado e desviado dinheiro… tentou levar metade da empresa pra ele. Tive que desfazer a sociedade à força e fechei a empresa.

O delegado virou o tablet em minha direção. Era uma imagem e reconheci na hora o carro. O mesmo do acidente.

Meu estômago virou.

— Aqui — apontou para o vídeo pausado — é o momento em que ele entra no veículo há cinco km de distância do local do acidente e minutos depois, Derink é atropelado. Mesma placa, rota. Não resta dúvida, esse Klaus fez isso propositalmente.

Fiquei alguns segundos calado.

Klaus.

É claro que seria ele.

Era tão óbvio que quase parecia um deboche do destino.

— Então ele matou Derink. — murmurei, sentindo aquele amargo na boca. Culpa, raiva, frustração. Tudo misturado.

— Sim. E isso confirma nossas suspeitas. — o delegado fechou a pasta. — Esse Klaus já estava sendo investigado por outras atividades criminosas. Nunca conseguimos provas, até agora. Mas ele está foragido e estamos tendo dificuldade em encontrá-lo.

Passei as mãos no cabelo, sentindo a pressão subir.

— E o que isso tem a ver comigo? Eu sou a vítima nessa história também.

— É justamente por isso — o delegado inclinou-se para frente — que precisamos de sua ajuda.

Meu coração deu um salto desconfortável.

— Que tipo de ajuda?

— Uma operação para atraí-lo. — disse, sem rodeios. — Klaus já procurou pessoas ligadas a você. Já tentou contato com antigos funcionários. Ele tem interesse direto em você, seja para intimidar, manipular… ou eliminar. Queremos usar isso a nosso favor.

Eu engoli seco.

Use isso a nosso favor… parecia até roteiro de filme policial.

— O senhor quer me usar como isca. — falei, sem disfarçar.

— Exatamente. E, acredite, isso pode encerrar tudo rapidamente. Assim que ele aparecer, nós o prendemos com todas as provas em mãos. Depois disso, o senhor poderá voltar ao Brasil sem pendências.

Olhei para a mesa. Pro meu reflexo distorcido no metal.

Eu só queria ir embora. Semanas ali e parecia que meu corpo nem lembrava mais o que era dormir direito.

Suspirei.

— Tudo bem. — murmurei. — Eu topo. Quanto mais rápido acabar, melhor.

O delegado assentiu com satisfação.

— Ótimo. Vamos começar o planejamento agora mesmo. O senhor será protegido, claro. Nada será feito sem supervisão. Apenas precisamos que pareça real o suficiente para atrair Klaus.

Eu dei um meio sorriso cansado.

— Acredite… ele não precisa de muito pra tentar me ferrar.

O delegado se levantou e estendeu a mão.

— Obrigado pela cooperação, senhor Rafael. Vai ser rápido e efetivo.

Apertei a mão dele, firme.

Por dentro? Meu coração corria uma maratona.

Mas uma coisa eu sabia:

Se Klaus queria guerra, então ele ia encontrar e dessa vez… era ele quem estava caçando sozinho.

(Visão de Lorena)

O jantar estava silencioso demais.

Daquele jeito que aperta o peito da mãe antes mesmo de ela entender o motivo. Observava Alana sentada à mesa, com o garfinho parado no ar, olhando para o prato como se a comida fosse um bicho ameaçador. Nada fazia sentido ali… a minha menina nunca foi de comer muito, mas também nunca tinha ficado tão… apagada.

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