(Visão de Rafael)
Estava no hotel, sentado na escrivaninha, quase destruindo o celular entre os dedos enquanto ouvia o relatório de Ruan. Cada palavra parecia cutucar minha paciência, meu estômago, minha raiva.
— Isso aqui… — resmunguei baixinho, passando a mão no rosto. — Tá cheirando a armação…
Ruan do outro lado da chamada de vídeo assentiu devagar, cruzando os braços.
— Eu sei. Também não engoli esse negócio do desaparecimento do seu tio. O cara some justo agora? Mas os meus homens e do seu primo estão atrás dele..
Antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou na mesa. Na tela, apareceu a chamada com o nome do policial que estava cuidando do caso daqui.
Merda.
— Ruan, depois a gente continua. — cortei. — Estão me ligando de novo.
Ele levantou uma sobrancelha.
— Está tudo bem? Acha que consegue sair?
— Espero, vou desligar.— encerrei a ligação e peguei o celular. — Alô?
A voz firme e impaciente veio do outro lado.
— Senhor Rafael, precisamos que o senhor venha até a delegacia o quanto antes.
Suspirei. Já era a terceira vez naquela semana.
— Estou indo. — respondi, tentando manter a calma. — Espero que seja pra finalmente liberar minha volta.
— Venha e conversamos aqui. — foi tudo o que ele disse antes de desligar.
Ótimo. Zero resposta, zero paz.
Meu coração já batia mais acelerado, mas eu tentava me convencer de que aquilo era só o desfecho final… e que eu estaria no avião de volta pro Brasil em poucas horas.
***
Quando cheguei lá, fui levado para uma sala fechada, a mesma de sempre com parede fria, mesa metálica, cheiro de papel velho. O delegado entrou logo em seguida com uma pasta de arquivos e um tablet.
— Senhor Rafael… — ele começou enquanto se sentava — encontramos algo novo.
Meu peito apertou.
— Novo tipo… bom ou ruim? — perguntei, forçando um sorriso sem graça.
Ele não sorriu de volta.
— Conseguimos recuperar algumas mensagens apagadas do celular de Derink. — abriu a pasta. — Mensagens com um homem chamado Klaus.
Fechei os olhos por um segundo.
Claro.
Não era novidade pra mim.
— O senhor o conhece? — ele perguntou, analisando cada movimento meu como se eu fosse uma bomba prestes a explodir.
Soltei o ar e encostei no encosto da cadeira.
— Conheço, infelizmente. Foi meu ex-sócio. Mas acabamos depois que descobri que ele havia roubado e desviado dinheiro… tentou levar metade da empresa pra ele. Tive que desfazer a sociedade à força e fechei a empresa.
O delegado virou o tablet em minha direção. Era uma imagem e reconheci na hora o carro. O mesmo do acidente.
Meu estômago virou.
— Aqui — apontou para o vídeo pausado — é o momento em que ele entra no veículo há cinco km de distância do local do acidente e minutos depois, Derink é atropelado. Mesma placa, rota. Não resta dúvida, esse Klaus fez isso propositalmente.
Fiquei alguns segundos calado.
Klaus.
É claro que seria ele.
Era tão óbvio que quase parecia um deboche do destino.
— Então ele matou Derink. — murmurei, sentindo aquele amargo na boca. Culpa, raiva, frustração. Tudo misturado.
— Sim. E isso confirma nossas suspeitas. — o delegado fechou a pasta. — Esse Klaus já estava sendo investigado por outras atividades criminosas. Nunca conseguimos provas, até agora. Mas ele está foragido e estamos tendo dificuldade em encontrá-lo.
Passei as mãos no cabelo, sentindo a pressão subir.
— E o que isso tem a ver comigo? Eu sou a vítima nessa história também.
— É justamente por isso — o delegado inclinou-se para frente — que precisamos de sua ajuda.
Meu coração deu um salto desconfortável.
— Que tipo de ajuda?
— Uma operação para atraí-lo. — disse, sem rodeios. — Klaus já procurou pessoas ligadas a você. Já tentou contato com antigos funcionários. Ele tem interesse direto em você, seja para intimidar, manipular… ou eliminar. Queremos usar isso a nosso favor.
Eu engoli seco.
Use isso a nosso favor… parecia até roteiro de filme policial.
— O senhor quer me usar como isca. — falei, sem disfarçar.
— Exatamente. E, acredite, isso pode encerrar tudo rapidamente. Assim que ele aparecer, nós o prendemos com todas as provas em mãos. Depois disso, o senhor poderá voltar ao Brasil sem pendências.
Olhei para a mesa. Pro meu reflexo distorcido no metal.
Eu só queria ir embora. Semanas ali e parecia que meu corpo nem lembrava mais o que era dormir direito.
Suspirei.
— Tudo bem. — murmurei. — Eu topo. Quanto mais rápido acabar, melhor.
O delegado assentiu com satisfação.
— Ótimo. Vamos começar o planejamento agora mesmo. O senhor será protegido, claro. Nada será feito sem supervisão. Apenas precisamos que pareça real o suficiente para atrair Klaus.
Eu dei um meio sorriso cansado.
— Acredite… ele não precisa de muito pra tentar me ferrar.
O delegado se levantou e estendeu a mão.
— Obrigado pela cooperação, senhor Rafael. Vai ser rápido e efetivo.
Apertei a mão dele, firme.
Por dentro? Meu coração corria uma maratona.
Mas uma coisa eu sabia:
Se Klaus queria guerra, então ele ia encontrar e dessa vez… era ele quem estava caçando sozinho.
(Visão de Lorena)
O jantar estava silencioso demais.
Daquele jeito que aperta o peito da mãe antes mesmo de ela entender o motivo. Observava Alana sentada à mesa, com o garfinho parado no ar, olhando para o prato como se a comida fosse um bicho ameaçador. Nada fazia sentido ali… a minha menina nunca foi de comer muito, mas também nunca tinha ficado tão… apagada.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...
Cadê o capítulo 309?...