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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 378

(Visão de Lorena)

O médico voltou com os exames na mão e eu já sentia as minhas pernas fracas.

— Os exames estão normais — ele disse, com aquela voz calma demais que só me deixava mais nervosa. — Nada bacteriano, nada grave. Mas… — Ele fez um sinal para que eu o acompanhasse um pouco mais afastado da cama. — Eu queria conversar com você um instante.

Meu estômago afundou.

Fui até ele, olhando de relance para Alana, quietinha, mordiscando o dedo do jeito que ela só fazia quando estava muito mal.

— Aconteceu alguma mudança em casa? — o médico perguntou. — Algo que possa ter abalado ela emocionalmente?

Eu hesitei e engoli seco.

Meus dedos se entrelaçaram sozinhos.

— Sim… — admiti, baixinho. — Eu e o pai dela estamos em processo de separação.

O médico ergueu as sobrancelhas, como se aquilo completasse todo o quebra-cabeça.

— Entendi. — Ele respirou fundo e cruzou os braços. — A Alana é muito apegada ao pai?

— Muito — respondi sem precisar pensar. — Eles sempre foram grudados.

Ele assentiu, confirmando pra si mesmo o que parecia já ter concluído.

— Olha, Lorena… crianças da idade dela somatizam perdas com muita intensidade. Febre, vômito, mudança brusca de humor, apatia… tudo isso pode ser consequência emocional. Ela precisa de estabilidade.

Eu senti um peso enorme cair sobre mim.

— Eu tô tentando… — falei, quase num sussurro.

O médico então olhou direto nos meus olhos, firme, mas com pena.

— Há alguma possibilidade de vocês dois reatarem? Isso ajudaria muito ela nesse momento.

As palavras dele bateram em cheio, como se tivessem sido arremessadas no meu peito.

De repente, parecia que o hospital inteiro ficou mais frio.

O som ficou distante.

E eu só conseguia pensar em uma coisa:

“A culpa é minha.”

Ele continuou falando sobre psicólogo, acompanhamento, adaptação gradual… mas minha cabeça já estava girando.

Eu só consegui assentir.

— Eu vou… pensar. — menti, porque naquele momento eu nem sabia o que pensar.

O médico foi embora e eu fiquei parada por alguns segundos, tentando puxar o ar.

Olhei minha filha, tão pequena naquele leito enorme, tão quietinha, tão diferente…

Meu coração quebrou de novo.

Aproximando-me e passei a mão em seus cabelos.

Foi quando percebi que a minha mão tremia.

Meu celular tocou e vi que era Thales de novo.

Atendi sem forças.

— O que foi? — murmurei.

— Posso entrar? Onde vocês estão? — a voz dele era tensa, mas eu não conseguia confiar na intensidade dela.

— Estamos terminando o soro — respondi. — Espera na porta da sala, por favor.

***

Uma hora depois, Alana foi liberada. Ela estava mole, mas a febre tinha baixado.

Quando saímos do corredor, Thales estava ali e correu na nossa direção antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

— Minha princesa… — ele pegou Alana no colo como se fosse feita de cristal. — Você tá melhor, filha? Fala com o papai…

Alana só se enroscou no pescoço dele, como se finalmente tivesse encontrado o ar.

Aquilo me atravessou.

E, pra piorar, atrás dele apareceu dona Célia.

Ótimo.

Como se eu já não estivesse destruída.

Ela veio direto até mim e, antes que eu pudesse recuar, segurou meu braço com força.

— Olha o que você está fazendo com a minha neta — ela disse num sussurro venenoso. — Isso é culpa sua, Lorena. Você vai separar o pai da filha por besteira? Uma menina dessa idade não entende essas coisas!

— Solta meu braço — pedi, tentando manter a calma. — Agora.

— Thales pode ter os defeitos dele, mas ele nunca falhou com a filha. Nunca! — ela continuou. — E você vai tirar isso dela? Egoísmo seu. Puro egoísmo.

Por um instante, a imagem de Alana febril, vomitando, chorando baixinho… me atingiu como uma facada.

Culpa.

Culpa.

Culpa.

Eu arranquei meu braço da mão dela com força.

— Cuida da sua vida, dona Célia — falei, tentando não tremer. — E não me culpe por erros que não são meus.

Saí dali antes que ela pudesse retrucar, com o coração batendo rápido demais.

Thales levou Alana no carro dele e eu fui atrás, dirigindo sozinha.

A estrada parecia mais longa.

O carro dele seguia à minha frente, e a cada farol vermelho que ele cruzava com Alana dormindo no colo da mãe dele, uma sensação horrível se instalava no meu estômago.

O médico.

A sogra.

A família dele.

O estado da Alana.

Capítulo 77 - Lorena 1

Capítulo 77 - Lorena 2

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