Ela ficou ali, parada em frente à minha mesa, como se também não soubesse pra onde ir. O silêncio entre nós ficou tão denso que eu quase podia segurá-lo com as mãos.
E aí ela fez o pior movimento possível: ajeitou um fio solto de cabelo atrás da orelha. Eu quase perdi a cabeça.
Tirei os olhos dela por um instante, tentando recuperar algum controle. Passei a mão pela nuca, respirei fundo.
— Rafael… — ela chamou meu nome como se estivesse pisando num campo minado.
— Lorena… — respondi, sem coragem de olhar de novo. — A gente não pode.
— Eu sei — ela sussurrou.
Levantei os olhos e ela parecia partida no meio, metade querendo ficar, metade lembrando do motivo pelo qual não podia.
— Se eu ficar mais um segundo aqui… — ela começou, com a voz trêmula. — Eu vou esquecer de tudo.
Meu peito doeu. Literalmente doeu.
— Eu também — admiti, sem conseguir esconder nada.
Ela fechou os olhos, exalou devagar, como se estivesse tentando empurrar a própria vontade.
E então deu um passo pra trás, depois outro.
— Eu… vou deixar você trabalhar. — Sua voz ainda vacilava.
Ela virou para sair, e eu quase a chamei de volta. Quase estendi a mão e fiz tudo ao contrário do que um homem com um mínimo de juízo faria.
Mas fiquei parado, assistindo ela se afastar.
Antes de abrir a porta, ela olhou por cima do ombro. Um olhar rápido, mas cheio e então sumiu no corredor.
Porque a atração entre nós dois? Ela não diminuiu, não passou.
Estava ali mais presente que tudo.
Mas, Deus… Como eu queria.
***
Não imaginava, mas precisava realmente de uma noite com aqueles caras. Consegui conversar, finalmente me abrir sobre o que sinto por Lorena e como já imaginava, os dois me disseram para manter distância.
E o principal, bebi muito mais do que devia e agora estava pagando caro por isso.
Acordei com a cabeça latejando como se alguém tivesse enfiado um martelo dentro dela e estivesse testando resistência. A luz que entrava pela brecha da cortina parecia um ataque pessoal. Eu nem sabia como tinha chegado em casa.
Alguém bateu na porta.
Ou melhor… alguém decidiu arrombar meu crânio batendo na porta.
— Pode entrar… — murmurei, rolando de lado e apertando os olhos.
A porta abriu devagar e Milena entrou praticamente pulando, radiante como se o sol tivesse se tornado gente.
— BOM DIAAAA! — disse ela, sorrindo até a alma.
Eu gemi.
— Pelo amor de Deus, fala baixo…
Ela riu, se jogando na pontinha da cama.
— Dormiu bem, bêbado? — ela me provocou.
— Não faço ideia… — esfreguei o rosto, tentando lembrar de alguma coisa. — Como eu voltei?
— Ah, isso aí é fácil — Milena deu um sorrisinho malicioso. — O Diogo te trouxe. E precisou do Nicolas e do Ruan pra te carregar escada acima. Você tava APAGADO, tipo morto-vivo mesmo.
Suspirei, envergonhado e com a cabeça pesando uns três quilos adicionais.
— Maravilha… que cena linda eu devo ter feito.
— Foi ótimo. Eu devia ter filmado — ela riu alto, e minha cabeça quase estourou. — Mas… o Diogo tá um colírio pra esses olhos aqui. Ele já era gato, mas agora tá bonito de um jeito irritante.
Eu acabei rindo, mesmo morrendo por dentro.
— A fila andou — falei, lembrando da conversa de ontem.
Milena arregalou os olhos.
— Ele tá namorando?!
— Não… — corrigi. — Tá de rolo com uma mulher. E parece que a coisa vai ficar mais séria.
— Tch, que saco. — Ela cruzou os braços, bufando. — O Diogo é mó crush coletivo, ele devia ser patrimônio público.
— Você é ridícula — falei rindo fraco, tentando levantar da cama.
Milena riu também, e se levantou com um saltinho.
— Vou deixar você sobreviver aí. Toma um banho, você tá com cara de que brigou com um caminhão e perdeu.
— Obrigado pelo carinho. — Revirei os olhos.
Ela deu um beijo rápido no topo da minha cabeça e caminhou até a porta.
— Ah, e tem café lá embaixo. A mãe fez vitamina de banana pra você não morrer.
— Perfeito… — murmurei.
A porta bateu e eu fiquei sozinho no quarto.
A cabeça latejava, mas… a noite anterior tinha sido boa.
Necessária.
Eu tinha me sentido menos sozinho por algumas horas.
Levantei devagar, respirando fundo, e fui pro banheiro. Precisava de água fria, muito sabonete e um pouco de paz.
***
Três dias.
Três dias fazendo exatamente aquilo que eu mais detestava fazer com alguém: me afastar. E pior… me afastar de quem eu mais queria por perto.
— Obrigado — murmurei, quase inaudível.
Ela respirou fundo, como se criasse coragem pra algo, mas desistiu. Apenas recolheu as mãos e se virou para sair.
— Então… eu vou lá embaixo resolver aquelas notas fiscais. Qualquer coisa me chama.
— Tá — respondi.
E quando ela saiu, quando a porta de vidro se fechou atrás dela… Meu peito pareceu implodir.
Apoiei o rosto nas mãos e soltei o ar devagar.
Três dias evitando olhar nos olhos dela, fugindo da vontade louca de encostar, de puxar, de beijar.
Três dias tentando agir como se eu não sentisse falta do seu beijo o tempo todo.
***
A sala de reunião estava cheia com o cliente, a equipe, café na mesa, slides no telão. Tudo normal. Menos o meu corpo inteiro, que parecia reagir a cada vez que ela respirava ao meu lado.
Ela estava sentada à minha direita, passando os slides conforme eu falava.
— Aqui conseguimos aumentar o engajamento em 42%… — Eu pausei, porque Lorena tocou o meu braço sem querer enquanto ajustava o iPad. — …como vocês podem ver no gráfico.
Minha voz falhou e eu tossi disfarçando.
Ela cochichou baixinho:
— Desculpa… não queria te atrapalhar.
Aquela voz suave, inocente… era demais.
— Tá tudo bem — respondi rápido, olhando pra frente, tentando não respirar perto dela.
Só que o cliente percebeu.
— Rafael, você tá bem? — ele riu.
Eu forcei um sorriso.
— Dormi pouco.
Mentira. Eu não dormi nada.
Quando a reunião terminou e eles saíram, fiquei juntando papéis só pra não ter que olhá-la diretamente.
Mas aí ela falou:
— Rafael… você tá estranho faz dias. Me desculpa por tudo… sei que é minha culpa.
Meu peito doeu.
— Não se culpe, por favor. É só o trabalho mesmo e umas questões com a minha família. — menti de novo.
Ela só assentiu, mas eu vi a tristeza escondida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...