Eduardo estava lá.
Pálido, com o braço enfaixado, a sonda pendurada e o monitor apitando num ritmo lento. Dormindo. Parecia menor do que eu lembrava. Tão vulnerável… e isso me destruiu.
Entrei quase na ponta dos pés, como se o simples ato de caminhar pudesse feri-lo ainda mais. Cheguei perto da cama… e foi bem na hora que ele abriu os olhos.
Meu coração bateu tão forte que doeu.
Dei um passo para trás na hora, sem saber se ele queria me ver.
Ele não olhou pra mim por uns segundos e então encarou o teto, antes de fechar os olhos com força.
Engoli seco.
— Eu… vou chamar a nossa mãe — murmurei, já virando de costas.
— Lorena.
Sua voz me parou na hora.
O meu nome na boca do meu irmão… depois de tanto tempo… fez tudo dentro de mim tremer.
Virei devagar, e ele já estava me olhando, com um olhar cansado, dolorido, mas presente.
E aí… eu quebrei.
Literalmente.
Meus olhos encheram de lágrimas tão rápido que nem consegui controlar. Dei dois passos, depois mais dois, até ficar bem perto dele.
— Me perdoa… — minha voz saiu falhada. — Por favor, me perdoa por tudo…
E sem conseguir me segurar, o choro veio tão forte que doía meu peito. Algo que só de ouvir ele chamando meu nome novamente, se partiu e simplesmente desabou.
— Você sempre esteve certo… sempre… — continuei, limpando as lágrimas com a mão tremendo. — No dia em que eu fui contra você… eu sabia que só estava tentando cuidar de mim. E eu… fui idiota. Idiota apaixonada… cega… burra.
Eduardo me olhava como se não soubesse o que dizer ou o que fazer.
— Eu fiquei com tanto medo quando ligaram… — minha voz quebrou de novo. — Tanto medo de te perder. Você não pode morrer, não pode. Eu não aguento mais ficar sem falar com o meu irmão… sinto tanto sua falta… me perdoa, por favor.
Quando o nome de Thales veio na minha boca, engoli de volta. Não podia comentar sobre as agressões, não naquele momento. O estado do meu irmão era delicado agora e se ele soubesse tudo… levantaria daquela cama sangrando só pra matar o desgraçado. E ele não podia.
Meu peito ardeu, mas eu calei.
Enxuguei as lágrimas sem conseguir parar de soluçar.
— Me perdoa, Eduardo… — sussurrei, apertando a barra da blusa. — Por favor… eu nunca me perdoaria se tivesse acontecido alguma coisa com você e a gente… assim. Sem se falar.
Fiquei ali, parada, esperando.
Com o coração na garganta e a alma inteira nas mãos dele.
Ele levantou a mão devagar, com esforço com o músculo tremendo e a respiração falhando um pouco, mas mesmo assim ele conseguiu alcançar meu rosto. A ponta dos seus dedos passou pela minha bochecha, tão suave, tão familiar, que meu coração quase parou. Ele limpou uma lágrima minha… e aquilo destruiu qualquer força que eu ainda estava tentando manter.
Era o mesmo toque.
O mesmo olhar de quando a gente era criança e eu caía da bicicleta, ou ralava o joelho, e ele fazia de tudo pra me proteger. Ele olhou pra mim daquele jeito… que dizia “eu tô aqui”. Mesmo agora, fragilizado, cheio de dor, recém saído da cirurgia, ele ainda era meu irmão mais velho.
— Não chora… — ele murmurou fraco, com a voz raspando.
Eu tentei. Deus sabe que eu tentei. Mas era impossível e as lágrimas só vinham mais.
Ele suspirou baixinho, como se o ar doesse pra sair.
— Tá tudo bem… eu te perdoo — ele disse, com uma dificuldade que me fez querer abraçá-lo na hora. — Eu também não estava aguentando essa distância… ver minha sobrinha crescendo longe…
Meu peito apertou.
— Eu também queria você perto dela… sempre quis — respondi, enxugando as lágrimas, mas elas insistiam em voltar. — Ela ia te amar tanto… já ama, mesmo sem saber.
Ele piscou devagar, absorvendo cada palavra. Então, depois de um tempo, perguntou:
— E… o seu marido?
A pergunta bateu em mim como um murro. Respirei fundo, tentando organizar tudo dentro de mim.
— Eu… tentei me separar dele — confessei, com a voz baixinha. — Mas a Alana ficou muito doente e eu… acabei o aceitando de volta por causa dela.
— Mas estou a levando numa psicóloga agora… e eu também tô fazendo terapia. — engoli seco. — Assim que sentir que ela vai aguentar, que não vai sofrer tanto… eu vou me divorciar de vez. Eu prometo.
Ele ficou me olhando.
Por vários segundos.
Tempo demais. O suficiente pra eu sentir o nervosismo subir pelo meu pescoço e arder no fundo da garganta.
Aí ele sorriu de canto.
— Eu vou te proteger.
Ela acordou assustada, piscando várias vezes.
— Thales não chegou? — perguntei, olhando ao redor.
Ela se ajeitou, coçando o olho.
— Não…
Estranho, mas eu só respirei fundo. Não queria estragar a paz que ainda estava fresca dentro de mim.
— Obrigada por ter ficado. Eu te mando o extra, tá?
— E o seu irmão? — ela perguntou, com aquele jeitinho curioso e gentil dela.
Meu sorriso veio automático.
— Ele tá bem. Graças a Deus.
Ela sorriu também, aliviada, e logo foi embora.
Fui para o quarto e encontrei Alana dormindo, toda encolhidinha no meu lado da cama, segurando o ursinho. Aquilo fez meu peito aquecer. Fui ao banheiro, tomei um banho rápido, deixei a água quente cair no pescoço até relaxar cada pedaço de tensão. Ainda dava tempo de dormir umas duas horas.
Quando me deitei ao lado da minha filha, o silêncio era suave. Aquela sensação de peso e o nó que vivia preso no meu peito, tinha afrouxado pela primeira vez em anos.
Eduardo tinha me perdoado.
Acordei com um sobressalto tão forte que por um segundo eu nem sabia onde estava. Meu peito doía, meu coração parecia que ia arrebentar as costelas. Procurei Alana imediatamente, desesperada.
No pesadelo… Deus… ela tinha sido levada. Corria atrás de um carro em alta velocidade, gritava, e de repente o carro capotou e eu vi o corpo da minha filha a metros de distância.
Meu estômago embrulhou só de lembrar.
Mas ali, na vida real, ela estava deitada quietinha e respirando calma. Toquei meu próprio peito, tentando acompanhar a respiração. Estava tudo bem, era só um sonho. Só um sonho.
Suspirei, tentando encontrar um pouco de ar, e me levantei devagar pra buscar um copo de água. Olhei no relógio do celular, esse pesadelo horrível tinha acontecido em apenas uma hora de sono…
A cozinha estava escura, silenciosa, e eu quase chegando no filtro quando ouvi a porta da frente sendo aberta.
Meu corpo inteiro gelou.
Andei até a sala devagar, com aquele arrepio queimando na espinha… e então vi Thales entrando. Mancando e com um braço enfaixado.
— O que aconteceu com você? — perguntei na hora, franzindo o cenho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...