Ela hesitou por um segundo, depois se aproximou e sentou ao meu lado, deixando um espaço seguro entre nós. Nomeadamente grande demais pro que eu queria, mas… tudo bem. Um passo de cada vez.
Fiquei olhando o lago por alguns segundos. O reflexo das árvores parecia uma pintura tremida pela brisa.
— Eu não devia ter agido daquele jeito na reunião — falei finalmente. — Sei que peguei pesado. Que fui… — procurei a palavra. — Territorial.
Lorena soltou uma risadinha curta.
— Um pouco.
Virei pra ela, meio frustrado e rendido.
— Só um pouco?
— Tá. Bastante. — Ela suspirou. — Mas você não gritou, nem humilhou ninguém. Só… deixou claro que não gostou.
— Não gostei mesmo — admiti, olhando pro chão. — Ver ele se aproximando de você… eu senti uma coisa ruim aqui.
Bati levemente no meu peito.
Ela ficou quieta, olhando meu gesto.
— Rafael… a gente não tem nada — disse, mas o tom era suave, quase como se estivesse testando a frase.
Soltei o ar devagar.
— Eu sei e é isso que me irrita. Porque… — virei-me pra ela de vez — não parece que a gente não tem nada.
Seus olhos brilharam.
— E você? — perguntei, com a voz um pouco mais baixa. — Sentiu alguma coisa lá dentro?
Ela desviou o olhar pro lago. O seu silêncio falou mais do que qualquer resposta.
— Lorena…
— Eu senti — ela admitiu finalmente, quase num sussurro. — Mas eu não sei o que fazer com isso, Rafael. Eu não sei se devo… se posso… se é certo.
Meu coração batia rápido demais. Eu não esperava que ela fosse tão direta.
— Vem cá — murmurei, aproximando um pouco o corpo, não o suficiente pra invadir, mas pra mostrar que eu estava ali.
Ela me olhou como se estivesse prestes a recuar ou avançar, mas nenhum dos dois aconteceu. Ela ficou parada.
— Não te trouxe aqui pra te pressionar — continuei. — Nem pra cobrar nada. Eu só queria um lugar onde a gente pudesse ser honesto. Onde você pudesse respirar sem gente olhando. E eu pudesse parar de fingir que não… — respirei fundo — que não sinto.
Ela piscou devagar, o peito subindo e descendo mais rápido.
— Rafael…
— Você me deixa vulnerável pra caramba — falei, rindo sem humor. — E eu odeio isso. Mas também… gosto. Porque é você.
Ela mordeu o lábio, o mesmo gesto que me desarma toda vez.
— Eu tô com medo — confessou. — De me machucar, te magoar. De tudo.
— Então a gente vai devagar — respondi, baixando a voz. — Mas juntos.
Ela olhou minhas mãos, depois olhou as próprias. E, lentamente, como quem testa algo novo, colocou a mão dela sobre a minha.
O toque era leve, quase tímido. Mas era um começo.
A brisa balançou as folhas acima da gente, e o lago refletiu um brilho suave.
Por um momento, o caos dentro de nós ficou quieto.
Fiquei olhando a mão dela sobre a minha, aquele toque leve, quase tímido… mas real. Caramba, aquilo desmontava qualquer defesa que eu ainda tentava manter.
A respiração dela estava um pouco acelerada, e o olhar preso no lago, como se estivesse juntando coragem pra continuar ali comigo.
E aí, antes que eu pudesse pensar duas vezes, as palavras simplesmente escaparam.
— Lorena… eu preciso te falar uma coisa. — Apertei de leve a sua mão. — Ou várias coisas, na verdade.
Ela virou o rosto pra mim, devagar, como se temesse o que eu ia dizer. Talvez com razão.
— Aquele dia… com a Sophia… — comecei, sentindo o peito quase travar. — Eu tinha bebido demais e passei completamente do ponto.
Ela piscou, com o maxilar tensionando. Ainda doía nela, dá pra ver.
— Eu não estava pensando, nem enxergando direito. Foi… foi um erro. Um erro que eu me arrependo todo dia.
Ela desviou o olhar, mexendo nos dedos.
— Rafael…
— Não. — Balanço a cabeça. — Porque o que eu sinto por você já passou da fase do “dever”. Eu não tô aqui pra te pressionar, nem pra colocar você e sua filha em risco. Mas eu tô dizendo a verdade: eu não vou fugir. Não vou me esconder.
Lorena encarou minhas mãos, depois meu rosto. Os olhos dela estavam brilhando, mas não era só tristeza. Era conflito, sentimento demais apertado num coração que já sofreu mais do que deveria.
— Rafael… — disse, com a voz embargada — eu não posso perder minha filha. Não posso.
— Você não vai. — Me aproximei um pouco mais, a ponto de sentir a respiração dela. — E eu vou respeitar cada limite seu. Cada passo. Cada medo. A gente faz no seu tempo.
Ela fechou os olhos por um segundo, como se a promessa tivesse atravessado alguma barreira dentro dela.
Quando abriu de novo, me olhou como se finalmente enxergasse tudo o que eu vinha evitando dizer.
— Você… realmente sente tudo isso? — perguntou, quase sem voz.
Sorri de um jeito que eu raramente deixo escapar. Um sorriso sincero, vulnerável e completamente dela.
— Sinto. E é isso que me assusta. Mas também é o que me faz ficar.
Ela soltou o ar devagar, como se tivesse prendido por tempo demais.
E sem avisar, nem hesitar, ela deixou a cabeça encostar de leve no meu ombro.
Um pequeno gesto, mas grande demais pra mim.
Fechei os olhos e respirei o seu perfume, sentindo uma paz que eu nem lembrava como era.
Levei a mão ao seu rosto devagar, como se ainda estivesse pedindo permissão. Meu polegar deslizou pela bochecha, sentindo a pele quente, viva.
Lorena ergueu o rosto aos poucos, os olhos encontrando os meus a uma distância perigosamente curta. Dava pra sentir a respiração dela misturada à minha.
O mundo ficou em silêncio.
Não pensei. Não planejei. Só puxei ela com cuidado, como se tivesse medo de quebrar aquele instante e a beijei.
No começo foi lento, contido, quase respeitoso demais pra tudo o que a gente vinha guardando.
Mas bastou ela ofegar contra meus lábios, sem recuar, pra tudo sair do controle. A sua mão agarrou minha camisa, os dedos fechando com força, e eu senti ali que ela queria tanto quanto eu.
Segurei a sua nuca, aprofundando o beijo, sentindo o corpo dela responder, se encaixar no meu. O gosto, o calor, a urgência… tudo vinha acumulado havia tempo demais.
Puxei Lorena mais pra perto e, num movimento quase instintivo, a trouxe pro meu colo ali mesmo, no banco escondido entre as árvores. Ela passou uma perna por cima de mim, se ajeitando, e eu gemi baixo sem perceber.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...