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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 409

(Visão de Rafael)

O quarto de hospital cheirava a antisséptico e impotência.

A dor na perna era uma presença constante, um latejar maçante que me irritava mesmo já tendo administrado a medicação.

Raul estava em pé perto da janela, com uma expressão de preocupação que ele tentava disfarçar.

— Ainda sem contato com o Nicolas — ele disse, baixando o celular. — O telefone dele vai direto pra caixa postal. Não sei se devo me preocupar ou entender que ele decidiu, mais uma vez, se isolar do mundo.

Um frio que não tinha nada a ver com o ar-condicionado passou por mim. Onde diabos aquele cara estava? Ele tinha que ajudar a proteger a minha família. Sumir assim, logo agora…

Era alguém em que eu tinha mais confiança que daria conta daqueles caras…

— Tenta de novo e manda alguém dar uma olhada no apartamento dele. Discretamente, claro.

Raul assentiu, já digitando, quando uma batida firme na porta interrompeu a tensão do quarto.

— Entre — grunhi.

A porta se abriu e Alessandro entrou. Meu primo tinha aquele ar de gravidade que só ele conseguia ter, mesmo vestindo seu terno impecável.

Seus olhos avaliadores passaram por Raul, que recebeu um aceno de cabeça quase imperceptível, e depois vieram para mim, na cama, com a perna engessada e suspensa.

— Vou tentar de novo, chefe — Raul disse, captando a deixa. — Depois eu volto.

Ele saiu, fechando a porta com cuidado. Alessandro se aproximou da cama, seus olhos fixos no monstro de gesso que era minha perna agora.

— Então, o negócio foi feio.

— Foi — concordei, passando a mão no rosto, sentindo a fadiga e a raiva misturadas. — O carro tá pior.

Ele puxou uma cadeira e sentou-se pesadamente.

— A Milena ligou desesperada contando que você tava aqui, mas deixando claro que estava vivo. O que aconteceu, de verdade?

— Você contou pra Larissa e Diogo? — perguntei, evitando a pergunta principal.

— Não, vim direto pra cá. Por quê? — O seu olhar ficou mais afiado.

Ele sempre percebia quando eu estava escondendo algo.

Respirei fundo, a dor na perna dando uma pontada como se concordasse que era hora de falar.

— Porque foi intencional, Alessandro.

Ele não reagiu, apenas os músculos da sua mandíbula se tensionaram.

— Não foi um acidente e sim, um recado. Acho que… um dos caras do esquema dos doze selos, que meu tio estava envolvido… O problema não acabou com a morte dele.

— Que merda — ele resmungou, baixo. — Tem certeza?

— Tive uma conversazinha simpática na ambulância — disse, sentindo minha voz ficando áspera só de lembrar. — Um cara me ligou e disse que foi só um susto. Que eu não devia baixar a guarda e que os próximos… podiam ser a família ou… a Lorena.

Os olhos de Alessandro se arregalaram por uma fração de segundo.

— A secretária? Como eles sabem dela?

— Vou ficar um tempo de molho em casa em uma recuperação forçada. Espero resolver essa merda toda antes de conseguir andar de novo.

— Você resolve e eu vou te ajudar. Vou manter você informado de tudo. — Ele se levantou, colocando a mão no meu ombro com uma firmeza que era quase um abraço, no estilo dele. — Fica tranquilo e esperto.

Quando ele saiu, o quarto pareceu ficar maior e mais vazio. A solidão da decisão que eu tinha que tomar se instalou.

Peguei o celular da mesa de cabeceira, vendo a tela trincada que ainda mostrava a última mensagem dela, de horas atrás, dizendo que tinha um problema familiar.

Eu não tinha respondido nada. Agora, tinha que responder com uma mentira maior ainda.

Meus dedos, mais lentos do que eu gostaria, digitaram.

"Está tudo bem por aqui também. Vou precisar viajar pra resolver uns assuntos pessoais urgentes. Vai levar um tempo. Pode cuidar da empresa pra mim? Confio em você."

Mandei. A mensagem pareceu uma traição, um peso que afundou no meu estômago.

A resposta dela veio quase que imediatamente, como se ela estivesse com o celular na mão.

"Claro. Pode deixar comigo. Cuide-se. A empresa estará aqui quando você voltar."

Era profissional, distante. Perfeitamente adequada. E doía como um corte limpo e profundo.

Naquela troca de mensagens estéreis, tudo o que a gente tinha construído, aquela tensão gostosa, cumplicidade e a promessa do que poderia ser… foi sepultada. Pelo menos por agora.

Nem eu mandei mais nada. Nem ela.

Deitei a cabeça no travesseiro duro do hospital e fechei os olhos. O peso no peito era tão físico, tão doloroso, que eu jurava que tinha quebrado algo ali dentro também. Meu coração não latejava de raiva ou medo agora. Ele apenas… murchava. Em silêncio.

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