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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 413

(Visão de Lorena)

O silêncio do quarto estava me deixando completamente louca. Estava sentada na cama, fingindo ler um livro que não via, quando a tranquilidade foi quebrada de forma violenta.

A porta tremeu sob os socos. Não eram batidas e sim, golpes. Meu corpo inteiro congelou, e um arrepio mortal percorreu minha espinha.

Só uma pessoa batia daquela forma.

— Lorena! Abra essa porra de porta! Agora! — a voz de Thales era um rosnado do outro lado, cheia de uma raiva que eu conseguia sentir através da madeira.

Meu coração disparou, batendo contra as costelas como um pássaro enjaulado.

— O que você quer, Thales? — gritei, tentando soar firme, mas minha voz trincou no meio.

— ABRE! — ele rugiu, e outro golpe fez a maçaneta tremer.

Com as mãos trêmulas e um desespero frio no estômago, me levantei. Sabia que se eu não abrisse, ele arrombava. E seria pior. Respirei fundo e destravei a porta.

Mal a abri um centímetro, ele a empurrou com força brutal, arrombando-a contra a parede.

Em dois passos, ele estava sobre mim. Seu rosto estava distorcido por uma fúria cega, e os olhos injetados. Não deu tempo de recuar.

Sua mão grande e forte voou e se fechou em volta do meu pescoço, esmagando minha garganta contra a parede atrás de mim.

O baque da minha cabeça contra a parede ecoou dentro do meu crânio, seguido por uma dor aguda e instantânea que explodiu na nuca.

— Tha… les! — engasguei, minhas mãos subindo instintivamente para tentar arrancar os dedos dele, mas eram como garras de ferro.

Meu ar foi cortado e pontos de luz começaram a dançar na frente dos meus olhos.

— Você manteve contato com ele, sua puta? — ele cuspiu na minha cara, o hálito quente e carregado de ódio. — Com aquele seu chefinho de merda? Fala!

Tentei negar com a cabeça, mas o movimento mínimo era doloroso.

— Não… ele… não voltou… viajou… — as palavras saíam aos pedaços, sufocadas pela pressão na minha traqueia. — Você… tá me machucando…

— MACHUCANDO? — ele gritou, e a pressão aumentou.

Uma tosse seca e violenta me tomou e meu corpo lutou por um ar que não conseguia entrar.

Os pontos de luz viraram manchas escuras.

— Eu fiquei sabendo que ele andou perguntando por você! Investigando! O que você fez? O que você contou?

Eu não sabia do que ele estava falando. Rafael? Perguntando por mim? Como? Quem teria contado a ele?

Minha mente girava, confusa e desesperada, junto com a falta de oxigênio.

— Não… sei… juro… — foi tudo que consegui arrancar, junto as lágrimas de dor e puro terror escorrendo pelos cantos dos meus olhos.

Foi então que um som cortou o ar pesado do quarto. Um choro alto, apavorado e cheio de desespero infantil.

— PAI! PARA! SOLTA A MAMÃE!

Alana.

Ela estava na porta, com os olhos arregalados de horror e o rosto inundado de lágrimas.

O efeito foi instantâneo e estranho. Como se um interruptor tivesse sido desligado, a pressão no meu pescoço desapareceu.

Thales me soltou tão bruscamente quanto tinha me agarrado. Meu corpo escorregou alguns centímetros na parede, ofegante, tentando puxar ar para os pulmões ardentes.

Ele se virou para a nossa filha, e pela primeira vez, vi algo além de raiva no rosto dele de choque. Puro choque.

— Alana… querida, não é o que você tá vendo… — a sua voz perdeu toda a fúria, tentando ser suave, mas saiu grotesca e falsa.

— Você tava machucando a mamãe! — ela gritou, soluçando, recuando um passo quando ele tentou se aproximar. — Você é mau! Eu odeio você!

Aquela palavra, "mau", dita com toda a convicção inocente e assustada de uma criança de sete anos, pareceu atingi-lo como um tapa.

Ele tentou tocá-la, mas ela recuou batendo na parede, com medo.

Uma força que eu não sabia que ainda tinha brotou das minhas entranhas. Com um grito rouco, eu me joguei entre ele e Alana, empurrando-o no peito com as duas mãos.

— Não toca nela! — gritei, minha voz ainda rouca e fraca, mas carregada de uma fúria maternal que ofuscava qualquer medo. — Não chega perto da minha filha! SAI DAQUI, SEU DESGRAÇADO!

Minha sogra. Ela não tinha dito uma palavra sobre o barulho na noite anterior, mas seu olhar era de reprovação silenciosa, como se eu tivesse provocado tudo aquilo.

Agora, ela estava na cozinha, lavando uma xícara com uma lentidão deliberada, enquanto eu tentava fazer um sanduíche para a Alana lanchar.

— Não dá pra acreditar que uma mãe deixa a filha comer esse lixo industrializado — ela comentou, sem nem olhar para mim, sua voz gotejando desdém. — Pão cheio de conservante, presunto cheio de nitrato… é uma vergonha. O Thales trabalha que nem um condenado para dar o melhor, e você oferece isso.

A chama que estava abafada sob toneladas de medo e preocupação com a Joyce deu uma primeira pulsação. Ignorei, espalhando requeijão cremoso no pão com mãos que queriam tremer, mas eu não permitia.

— A Alana gosta e está nutritivo o suficiente, além de que você sabe que ela não come isso direto— respondi, tentando usar uma voz plana.

Ela se virou, secando as mãos no avental.

— Nutritivo. Claro. O que você sabe de nutrição? Mal sabe ferver água sem queimar a panela. Se dependesse de você, essa criança estaria desnutrida. Por sorte ela tem uma avó que se importa.

Alana, sentada à mesa, encolheu os ombros, olhando fixamente para o prato. Ver a filha se encolher assim, mais uma vez, foi a gota d’água.

A preocupação com a Joyce era uma faca constante no meu peito, mas ver minha filha sendo envenenada aos poucos por aquela mulher… isso eu podia combater.

Deixei a faca cair no pão com um baque.

— Sabe de uma coisa, Célia? — perguntei, virando-me lentamente para encará-la.

Minha voz não era alta, mas tinha um fio de aço que eu não usava há anos.

— A criação da minha filha é responsabilidade minha. Minha. Entendeu? Não sua.

Ela arregalou os olhos, surpresa com o tom.

— Olha só a indelicadeza! Depois de tudo que eu faço por vocês, cuidando desta casa, da neta…

— Você não está cuidando de nada — cortei, avançando um passo.

O medo ainda estava lá, mas estava sendo canalizado em algo quente e sólido de raiva pura.

— Você está é vigiando. Cumprindo ordens do seu filho predileto. Você é a carcereira de plantão e eu cansei dessa palhaçada.

— Como você ousa falar assim comigo? Vou contar tudo para o Thales! — ela bufou, o rosto avermelhando de indignação.

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