Entrar Via

Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 415

O rosto de Thales era uma tempestade prestes a explodir. Seus olhos saltaram de mim para Glayce, e a desconfiança neles era tão espessa que dava para cortar.

— Lorena? — sua voz saiu gelada. — O que é isso?

Eu até tentei falar, mas a língua pareceu grudar no céu da boca. Não havia história. Meu cérebro desligou.

Foi Glayce quem agiu. Num piscar de olhos, um sorriso largo e despreocupado iluminou seu rosto.

Ela se virou para mim, como se estivéssemos no meio de uma conversa banal.

— Ah, então é isso! Obrigada de novo, querida! — ela disse, de uma maneira tão tranquila e falsa que até me assustou.

Sua atitude era de uma vizinha fofoqueira e inconveniente. Ela olhou para Thales, avaliando-o.

— Você deve ser o marido dela, né? Que bom que chegou!

Thales não respondeu. Apenas cruzou os braços, esperando.

Glayce continuou, sem se perturbar.

— Me desculpe a intrusão, mas é que moro sozinha, sabe? E o cano da pia da cozinha quebrou, e está jorrando uma água danada! Vim ver se o senhor, como homem da casa, não poderia dar uma olhada. A dona Lorena disse que o senhor tinha saído, mas já que tá aqui…

Ela terminou a frase com um encolher de ombros e um sorriso esperançoso.

Cano quebrado… Meu estômago virou. Não existia cano quebrado, era uma mentira frágil, improvisada na hora. E Thales não era idiota.

Ele ficou em silêncio por um momento que durou uma era, com seus olhos perfurando Glayce, depois voltando para mim. A desconfiança não tinha diminuído e sim, se transformado em algo mais perigoso como uma curiosidade hostil.

— É? — ele finalmente falou, a palavra saindo lenta. — Um cano quebrado. — Ele soltou um som que não era riso. — Claro. Tudo bem, eu dou uma olhada. Pode mostrar o apartamento.

Glayce manteve o sorriso.

— Perfeito! É logo ali, 302. Vamos?

Ela fez um gesto com a cabeça, saindo para o corredor. Thales me lançou um último olhar que prometia um interrogatório brutal mais tarde e seguiu Glayce.

Célia entrou, passando por mim com um olhar de puro triunfo.

Eu fiquei parada na porta aberta, olhando os dois desaparecerem na porta do apartamento 302.

Meu coração batia tão forte que doía. Ele ia lá, ter a certeza que não havia cano quebrado nenhum. E então… então ele saberia que Glayce tinha mentido. E que eu estava no centro daquela mentira.

Meu Deus. O que eu fiz?

Fiquei paralisada na porta, meu corpo todo um fio de nervos esticado ao máximo.

O som da porta do apartamento fechando atrás de Thales e Glayce ecoou no corredor silencioso como um tiro.

Meu coração parecia querer fugir pela minha garganta. O que estava acontecendo lá dentro? Ele ia descobrir a mentira. Ele ia machucá-la.

A presença ao meu lado me fez pular. A mãe dele se aproximou mais, com um sorriso cínico no rosto.

— Não vai entrar, Lorena? Ficar aí parada feito uma estátua não vai ajudar — ela disse, com o tom carregado de falsa preocupação e verdadeiro desdém.

Me virei para ela, sentindo a raiva que eu tinha usado para expulsá-la antes voltando em um fluxo quente e instantâneo.

— Eu me lembro muito bem de ter te mandado embora desta casa — disse, com minha voz saindo baixa e cortante. — A ordem não mudou.

Ela não se abalou. Um sorriso fino e vitorioso apareceu em seus lábios.

— O Thales mandou eu ficar e eu faço o que o meu filho quer. — Ela deu um passo para frente, intencionalmente estreitando a passagem.

Seu ombro bateu no meu com força, num empurrão disfarçado, antes que ela passasse e entrasse no apartamento, deixando a porta aberta para mim.

Respirei fundo, tentando recuperar o controle. Meus olhos não saíam da porta fechada do 302. Os segundos se arrastavam. Suspirei pesadamente… o que diabos estava acontecendo ali dentro?

Então, a porta se abriu e Thales saiu.

Arregalei os olhos quando o vi todo encharcado, com a água escorrendo pelo cabelo, pingando do rosto, molhando a camisa social que agora grudava em seu corpo.

Ele parecia… irritado, mas não com a fúria homicida que eu esperava. Parecia mais… frustrado. Como se tivesse perdido uma discussão.

— Então arruma outra pessoa. Um segurança. Alguém pago por você para vigiar a sua propriedade. Qualquer merda, mas essa mulher — apontei na direção de Célia, que observava a cena com os olhos brilhando — fica longe de mim e da minha filha.

— SUA FILHA? — Célia explodiu, avançando. — Ela é a MINHA neta! Sangue do MEU sangue! Você é só a incubadora, uma ingrata e mal-agradecida…

— CALE A BOCA, MÃE! — o rugido de Thales cortou o ar como um chicote.

Célia calou-se instantaneamente, ofendida e assustada. A discussão entre nós duas tinha durado segundos, mas era o estopim que ele não queria.

Ele respirou fundo, passando a mão no rosto. A água ainda pingava de seus cabelos.

Olhou para a mãe, depois para mim, com um cansaço que parecia de quem lida com duas crianças birrentas.

— A minha mãe fica — ele disse, com um tom de voz final, deixando claro que qualquer discussão estava encerrada. — Ela cuida da Alana e você — seus olhos perfuraram os meus — você obedece. E todo mundo sai vivo dessa. Está claro?

Fiquei parada, olhando para ele. A raiva, o nojo, o medo, a impotência… tudo se misturou numa pressão tão forte atrás dos meus olhos que eu jurei que ia explodir.

Senti a quentura das lágrimas subindo como uma onda traiçoeira de desespero.

Mas eu não ia chorar. Não na frente deles, não daria esse prazer.

Engoli o choro com força, sentindo o gosto amargo da humilhação e do ódio descer pela minha garganta. Apertei os punhos ao lado do corpo, sentindo as unhas cravando nas palmas das mãos.

— Está claro — menti, a voz saindo plana e morta.

Ele segurou meu olhar por mais um segundo, como se testando a minha submissão, e então virou as costas, pegando a toalha novamente.

Célia lançou-me um olhar de vitória cruel antes de seguir o filho, tagarelando sobre pegar uma camisa seca.

Esse desgraçado.

A frase ecoou na minha cabeça, mas pela primeira vez, não era só sobre o Thales. Era sobre a armadilha sem saída que a vida tinha se tornado.

E sobre a fagulha de esperança perigosa e molhada que agora morava no apartamento 302.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra