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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 424

(Visão de Rafael)

A tarde estava pesada dentro de casa. A tala na perna permitia alguns movimentos, mas ainda era uma corrente.

Eu estava no sofá da sala e Milena sentada na poltrona oposta, e seu rosto estava um pouco menos sombrio do que nas últimas semanas.

— O Raul conseguiu um rastro — ela disse, com os olhos fixos em mim, esperançosos e assustados ao mesmo tempo. — Um amigo do batalhão antigo dele viu um cara com a descrição do Nicolas em uma cidade do interior, perto da divisa. Ele tá tentando checar.

Nicolas… não sei ao certo o que aconteceu com ele pra ter sumido dessa forma. Ele sempre deixava um rastro, alguma dica para a gente o encontrar. Mas agora, parecia que ele queria fugir de nós também.

E agora, com minha irmã grávida dele… era uma missão de vida encontrá-lo… Querendo ou não, eu precisava dar ao meu sobrinho, um pai.

— É um começo, Mila — tentei soar otimista. — Quando o Raul confirmar, a gente decide o que fazer.

Ela apenas assentiu, mordendo o lábio. O silêncio que se seguiu era carregado de todas as coisas que não podíamos consertar ainda.

Foi quando meu celular, o específico para comunicações com a Glayce, vibrou com um toque único e discreto na mesa de centro.

Um calafrio percorreu minha espinha. Notícias dela nunca eram boas porque eram atualizações de um campo de batalha.

— Preciso ver isso — disse para Milena, pegando o aparelho.

Ela entendeu e se levantou.

— Vou fazer um chá.

Assim que ela saiu da sala, destravei a tela. A mensagem da Glayce não era criptografada com códigos, mas era direta e brutal na sua simplicidade.

"Thales anunciou uma viagem forçada para Lorena e Alana. Partida em 48h. Destino desconhecido. Motivo: isolamento total. Precisam agir ANTES que saiam da cidade."

As palavras queimaram na minha retina.

Viagem forçada. Isolamento total.

Meu coração deu um salto violento contra as costelas e depois pareceu cair no estômago, deixando um vazio gelado.

Não era só mais uma ameaça ou outro susto. Era a jogada final dele. Tirá-las daqui, para algum buraco onde nem o Eduardo, Glayce e nem eu conseguiríamos encontrá-las.

Transformar Lorena e Alana em fantasmas antes que pudéssemos reagir.

O pânico tentou subir, uma onda quente e sufocante. Fechei os olhos por um segundo, lutando contra ela.

Controle, Rafael. Pânico não salva ninguém.

Respirei fundo, sentindo o ar entrando como lâminas. Quando abri os olhos, a raiva já tinha solidificado o medo em algo frio, duro e letal.

Isolar elas.

Tornar qualquer resgate futuro impossível. Era genial e era a confissão final da desesperança dele.

Ele sabia que o cerco estava fechando. A operação do Eduardo, a minha investigação… ele devia sentir o cheiro. E em vez de enfrentar, ele ia fugir.

E levar a pessoa mais importante com ele.

Minhas mãos, agora firmes, digitaram uma resposta rápida para a Glayce.

"Mantenha-a calma. Diga que estamos cientes e para ela se preparar, o plano irá acontecer antes do previsto. Esteja pronta para qualquer sinal nosso."

— Me dá três horas. Vou mobilizar a equipe tática com a justificativa de risco iminente à vida da refém. Vamos no sítio à meia-noite. Enquanto isso, seus homens ficam nos olheiros. Somente para observação. Nada de ação até a Joyce estar comigo. Entendido?

Um alívio, agudo e amargo, inundou meu peito. Era um plano, bem louco, precipitado e perigo. Mas era um plano.

— Entendido. As três horas começam agora. — Desliguei.

Gritei pelo corredor, com a voz ecoando na casa silenciosa.

— RAUL!

Ele apareceu em segundos, como sempre. Milena veio atrás, preocupada.

— Chefe?

— Vamos precisar adiar a operação… Descobri que Thales pretende tirar elas duas daqui em dois dias. Vamos invadir a meia noite.

Os olhos de Raul se estreitaram, mas ele apenas assentiu, entrando em modo de missão instantaneamente.

— Posiciona todo mundo nos pontos que a gente planejou ao redor do prédio. Ninguém se move, ninguém respira perto deles. Só observam. Se o Thales tentar sair antes da meia-noite com elas… — fiz uma pausa, com o gosto da ordem sendo de aço e fogo. — Você os impede. Sem deixar rastro, mas os impede.

— E depois da meia-noite? — Raul perguntou.

— Depois da meia-noite… — olhei para a parede, para o mapa da cidade, e o alfinete que marcava o apartamento dela. — Depois da meia-noite, se o Eduardo fizer o trabalho dele direito, a Glayce entra em cena. E a gente tira elas de lá para sempre.

Milena colocou a mão no meu ombro, seu toque leve mas firme. Eu nem tinha percebido que estava tremendo.

Já tinha um lugar para levá-las… um esconderijo que Alessandro arrumou pra mim.

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