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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 425

As três horas mais longas da minha vida se arrastaram como se o tempo tivesse simplesmente parado.

Cada minuto era uma tortura e eu andava de um lado para o outro da sala, ou melhor, mancava, com a ajuda de uma muleta que eu já odiava, incapaz de me sentar e concentrar em qualquer coisa que não fosse o relógio.

Milena tentou me distrair, falando de Nicolas, de qualquer coisa. As palavras entravam por um ouvido e saíam pelo outro.

Meu mundo tinha se reduzido a um apartamento em algum lugar da cidade, a um sítio escuro no meio do nada, e ao ponteiro dos segundos que não andava.

Tudo estava decidido. Meia-noite, as coisas iriam acontecer e não tinha mais volta.

Raul entrou e saiu da sala, dando atualizações secas pelo rádio. Os homens estavam posicionados.

Dois no prédio em frente, com visão perfeita da porta da garagem e da entrada social.

Outros na van estacionada na rua de trás. Tudo discreto, disfarçados e prontos. O apartamento da Glayce era o centro nervoso, com ela lá dentro, uma sentinela a centímetros de distância do inferno.

— Eles estão quietos — Raul informou, baixando o rádio. — Luzes acesas até agora. Nenhum movimento de saída.

Eu só conseguia assentir, com meus dedos tamborilando incessantemente na muleta.

Fica aí, Lorena. Só mais um pouco.

Quando o relógio finalmente marcou 23:30, a tensão na sala atingiu um nível físico. Eu conseguia sentir no ar.

— É hora — eu disse, minha voz soando estranha para meus próprios ouvidos. — Vamos para o carro.

Raul me olhou, com sua expressão impassível.

— Você vai ficar no carro, chefe.

A frase caiu como um balde de água gelada.

— O quê? Não, eu vou até lá. Preciso estar perto.

— Você estar perto, nessa condição, é um risco — ele disse, direto, sem me poupar. — Se algo der errado e a gente precisar se mover rápido, você não consegue. Se houver tiroteio, você é um alvo fácil. Você fica no carro de comando, a três quarteirões de distância. É a posição mais segura e mais inteligente.

A impotência voltou, como uma onda amarga e familiar que me engoliu.

Ele estava certo. Eu sabia que ele estava certo, mas saber não tornava a coisa menos humilhante e dolorosa.

Eu queria estar lá e ser a primeira pessoa que ela visse quando saísse daquela prisão.

Queria poder fazer algo, qualquer coisa, além de ficar sentado como um inválido.

— Raul… — comecei, mas o protesto morreu na minha garganta.

Não havia argumento. Eu era um estorvo em potencial. Um ponto fraco.

— Ela vai precisar de você são e salvo depois, chefe — ele disse, e pela primeira vez, houve um leve tom de… pena? Compreensão? — Agora, deixe os profissionais fazerem o trabalho.

Engoli o orgulho, o medo, a raiva e assenti, sem olhar diretamente pra ele.

— Tudo bem, mas eu fico no carro. E me mantém informado de tudo. Cada suspiro.

— Pode deixar.

A viagem até o ponto foi silenciosa, tensa. O carro, uma SUV preta e comum, estacionou em uma rua escura, com visão indireta para a parte de trás do prédio dela.

Dali, eu podia ver a luz fraca na janela do banheiro do apartamento de Lorena. Talvez fosse onde ela estava agora, se preparando, ou apenas tentando não enlouquecer.

O rádio no console estava sintonizado no canal seguro. Só estática por enquanto. Meus olhos iam do relógio do carro (23:50) para a janela iluminada e o rosto impassível de Raul ao volante.

Então, o celular que Eduardo me deu, vibrou com uma mensagem de um número desconhecido, mas eu sabia quem era.

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