As três horas mais longas da minha vida se arrastaram como se o tempo tivesse simplesmente parado.
Cada minuto era uma tortura e eu andava de um lado para o outro da sala, ou melhor, mancava, com a ajuda de uma muleta que eu já odiava, incapaz de me sentar e concentrar em qualquer coisa que não fosse o relógio.
Milena tentou me distrair, falando de Nicolas, de qualquer coisa. As palavras entravam por um ouvido e saíam pelo outro.
Meu mundo tinha se reduzido a um apartamento em algum lugar da cidade, a um sítio escuro no meio do nada, e ao ponteiro dos segundos que não andava.
Tudo estava decidido. Meia-noite, as coisas iriam acontecer e não tinha mais volta.
Raul entrou e saiu da sala, dando atualizações secas pelo rádio. Os homens estavam posicionados.
Dois no prédio em frente, com visão perfeita da porta da garagem e da entrada social.
Outros na van estacionada na rua de trás. Tudo discreto, disfarçados e prontos. O apartamento da Glayce era o centro nervoso, com ela lá dentro, uma sentinela a centímetros de distância do inferno.
— Eles estão quietos — Raul informou, baixando o rádio. — Luzes acesas até agora. Nenhum movimento de saída.
Eu só conseguia assentir, com meus dedos tamborilando incessantemente na muleta.
Fica aí, Lorena. Só mais um pouco.
Quando o relógio finalmente marcou 23:30, a tensão na sala atingiu um nível físico. Eu conseguia sentir no ar.
— É hora — eu disse, minha voz soando estranha para meus próprios ouvidos. — Vamos para o carro.
Raul me olhou, com sua expressão impassível.
— Você vai ficar no carro, chefe.
A frase caiu como um balde de água gelada.
— O quê? Não, eu vou até lá. Preciso estar perto.
— Você estar perto, nessa condição, é um risco — ele disse, direto, sem me poupar. — Se algo der errado e a gente precisar se mover rápido, você não consegue. Se houver tiroteio, você é um alvo fácil. Você fica no carro de comando, a três quarteirões de distância. É a posição mais segura e mais inteligente.
A impotência voltou, como uma onda amarga e familiar que me engoliu.
Ele estava certo. Eu sabia que ele estava certo, mas saber não tornava a coisa menos humilhante e dolorosa.
Eu queria estar lá e ser a primeira pessoa que ela visse quando saísse daquela prisão.
Queria poder fazer algo, qualquer coisa, além de ficar sentado como um inválido.
— Raul… — comecei, mas o protesto morreu na minha garganta.
Não havia argumento. Eu era um estorvo em potencial. Um ponto fraco.
— Ela vai precisar de você são e salvo depois, chefe — ele disse, e pela primeira vez, houve um leve tom de… pena? Compreensão? — Agora, deixe os profissionais fazerem o trabalho.
Engoli o orgulho, o medo, a raiva e assenti, sem olhar diretamente pra ele.
— Tudo bem, mas eu fico no carro. E me mantém informado de tudo. Cada suspiro.
— Pode deixar.
A viagem até o ponto foi silenciosa, tensa. O carro, uma SUV preta e comum, estacionou em uma rua escura, com visão indireta para a parte de trás do prédio dela.
Dali, eu podia ver a luz fraca na janela do banheiro do apartamento de Lorena. Talvez fosse onde ela estava agora, se preparando, ou apenas tentando não enlouquecer.
O rádio no console estava sintonizado no canal seguro. Só estática por enquanto. Meus olhos iam do relógio do carro (23:50) para a janela iluminada e o rosto impassível de Raul ao volante.
Então, o celular que Eduardo me deu, vibrou com uma mensagem de um número desconhecido, mas eu sabia quem era.
"Hoje à noite. Esteja pronta."
Pronta.
Como se alguém pudesse estar pronto para isso. Meu corpo inteiro era um fio de nervos esticado ao máximo.
Secava o mesmo copo pela terceira vez, com os dedos trêmulos escorregando no vidro molhado.
Foi quando senti a presença e o cheiro dele. Não ouvi seus passos.
Thales tinha esse dom diabólico de aparecer do nada.
Meu coração deu um salto violento contra o peito. O susto foi tão real, tão físico, que meus dedos se abriram e o copo escorregou, caindo no piso de cerâmica da cozinha e estilhaçando com um estalo agudo e alto que ecoou como um tiro no silêncio da noite.
— Merda — quase gritei, o som abafado saindo antes que eu pudesse conter.
Suspirei, tentando disfarçar o pânico, e me abaixei para pegar os cacos maiores. mas minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia pegá-los.
Ele se abaixou ao meu lado. Não para ajudar, mas para invadir meu espaço, como sempre. Seu rosto estava a centímetros do meu quando ele sussurrou, com a voz um fio de seda venenosa.
— Tá muito nervosa, Lorena, relaxa. A viagem é só uma formalidade, coisa rápida— Ele fez uma pausa, seus olhos escaneando meu rosto em busca de reações. — E como você tem se comportado… eu resolvi mudar a Joyce de lugar. Dei um upgrade pra ela.
O sangue gelou nas minhas veias. Meus dedos, que estavam sobre um caco, congelaram.
Mudou de lugar?
Meus olhos se arregalaram, indo instintivamente para o seu rosto.
— Para… para onde? — a pergunta saiu num sopro.
Um sorriso satisfeito curvou seus lábios.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Olá É a historia da Milena e do Nikolas onde posso ler. A continuação onde encontro?...
Cadê as atualizações??? Desde fevereiro O que aconteceu??...
Pk já não tem atualização dos capítulos ?...
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....