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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 430

O carro parou na borda do que mal podia ser chamado de rua. Era um beco estreito, entupido de lixo e desespero.

A luz do dia não chegava direito aqui.

O fedor era o primeiro golpe, uma mistura nauseante de mijo, lixo apodrecido e, por baixo de tudo, o cheiro químico e doce de crack sendo queimado em algum canto escuro.

— Espera aqui — eu disse para o segurança do Alessandro, um cara grande e quieto. — Se eu não sair em quinze minutos, você entra. Mas só se não ouvir nada.

Ele assentiu, sua mão já descansando sob o paletó, perto da arma.

Respirei fundo, tentando preparar meus pulmões para o ar podre, e entrei no beco.

A muleta era um estorvo, arrastando no chão úmido e desigual. O cheiro piorou, e eu tive que cobrir o nariz com a manga da jaqueta, tossindo baixo.

O fedor de droga era tão espesso que parecia grudar na garganta.

Parei em frente a uma porta de madeira podre, com a pintura descascada há décadas.

Era aqui, um lugar que eu conhecia, e que visitava nos meus piores pesadelos. Bati três vezes, um código antigo, de uma vida que eu tinha enterrado.

Houve um silêncio. Depois, passos pesados e a porta se abriu alguns centímetros, presa por uma corrente.

O rosto que apareceu no vão era mais velho do que eu lembrava. Marcado por cicatrizes, olhos fundos e cheios de um ódio que o tempo não tinha apagado.

Ciro.

O nome veio à mente como um sabor amargo.

Seus olhos me reconheceram instantaneamente e a surpresa deu lugar a uma raiva pura e instantânea, tão forte que eu pude sentir o calor vindo dele.

— Sai daqui — ele rosnou, e começou a empurrar a porta para fechá-la.

— Ciro, espera. Precisamos conversar.

— Não tenho nada pra falar com você. SAI! — o grito dele ecoou no beco estreito.

Antes que a porta se fechasse, eu segurei, o impedindo e ele então a soltou, sacando a pistola velha, mas bem cuidada e apontou direto para o centro da minha testa.

O cano de metal frio tocou minha pele.

— Você não ouviu? Vai embora, ou eu te mato aqui mesmo e jogo teu corpo no lixo. Seria um favor pro mundo.

Eu não recuei.

O medo existia, claro, um frio na espinha. Mas era ofuscado por uma necessidade maior. Olhei direto para os olhos furiosos dele.

— Eu amo uma mulher, Ciro. E ela está em perigo. Um perigo que só você pode me ajudar a afastar.

Ele riu, um som seco e amargo.

— Que porra isso tem a ver comigo? Problema seu. Agora, pela última vez, some.

O gosto amargo na minha boca piorou. Era hora de jogar a carta que eu não queria tocar.

— Você me deve um favor, e sabe disso. — As palavras saíram baixas.

O efeito foi instantâneo e violento. Os seus olhos, já cheios de ódio, se encheram de algo a mais, de dor.

Uma dor tão profunda que virou lágrimas de raiva. Ele pressionou o cano da arma com força contra minha testa, fazendo minha cabeça recuar um pouco.

— Um FAVOR? — Gritou — Por sua causa, minha irmã MORREU, seu filho da puta! Ela tá morta! Enterrada! Porque se meteu com a gente do teu tipo, maldito, porque você não conseguiu controlar a merda do seu lado!

A culpa, velha conhecida, apertou meu peito como um torno.

A imagem da Elma, a irmã mais nova dele, sorridente e depois pálida num caixão, passou pela minha mente.

— Eu sei — minha voz saiu rouca. — E a culpa não foi só minha, Ciro. Ela procurou aquele caminho. Ela quem foi atrás do dinheiro fácil e eu tentei tirá-la dali… mas ela não quis.

Fiz uma pausa, engolindo o nó na garganta.

— E você… você teria tido o mesmo destino se eu não tivesse te tirado daquela cela naquela noite. Você ia ser esfaqueado. Eu paguei a fiança, eu te tirei. Você sabia demais e eles iam te calar.

Ele tremia, sentindo a arma ainda pressionada na minha testa.

A guerra entre a gratidão pelo passado e o ódio pelo que aconteceu com a irmã era visível em cada músculo contraído do seu rosto.

Com um gemido de frustração e dor, ele baixou a arma. Não a guardou, apenas a apontou para o chão.

Cap.128 1

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