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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 431

O retorno para o galpão foi o puro silêncio. A sensação de ter voltado e visto Ciro, depois de tudo o que aconteceu, ainda me deixava ansioso…

O carro parou na parte de trás do prédio industrial abandonado que estávamos usando.

Descer foi mais difícil, minha perna agora latejava com uma dor surda e constante, como se protestasse contra cada esforço extra. O que só me deixava mais irritado.

Quando entrei na sala principal, o ambiente era tenso e sombrio. Raul estava ali, e seus olhos se encontraram com os meus imediatamente.

Ele leu a resposta no meu rosto antes que eu dissesse qualquer coisa.

— Conseguiu? — perguntou baixo.

— Consegui. — Minha voz saiu rouca. — Ciro vai fazer o serviço. Até as dez da manhã. Preciso da metade em bitcoin na conta dele em uma hora.

Raul apenas assentiu, pegando um laptop.

— Eu resolvo.

Meus olhos se desviaram para a porta do quarto ao fundo, onde havíamos deixado Marilene.

Estava entreaberta.

— E ela?

Raul fez uma expressão de leve incômodo.

— A Susy… bem… ela se empolgou um pouco e a refém tá desmaiada agora. Dormindo, ou desacordada, não sei ao certo. Acho que depois que você saiu e ela soube que a gente estava mexendo com um dos chefes dos Selos, a pressão subiu. Susy queria mais informações sobre a ilha, sobre os esquemas de segurança…

Um frio passou por mim. Susy era eficiente, mas às vezes a eficiência dela beirava a crueldade pura.

— Ela tá viva?

— Tá. Respirando. Mas vai acordar com mais alguns dores. — A voz de Raul era neutra, mas eu conhecia ele o suficiente para saber que ele não aprovava o excesso.

Era desnecessário. Já tínhamos o que precisávamos dela, por enquanto.

Antes que eu pudesse dizer mais, meu celular pessoal vibrou. Era o Alessandro e ateni, me afastando um pouco de Raul.

— Alessandro.

— Rafael. O Raul me mandou uma mensagem dizendo que você foi atrás de um especialista. Espero que não seja quem estou imaginando… mas, então, qual o valor desse serviço?

— Não se preocupa com isso, eu resolvo.

O ouvi grunhir do outro lado.

— Essa não foi a minha pergunta… Então, quando deu o serviço.

Respirei fundo, sabia como ele podia ser teimoso.

— 10 milhões. — Disse rápido.

— Me diz que você não foi atrás do Ciro.

Não adiantava mentir.

— Fui.

— Puta que pariu, Rafael! — a explosão veio baixa, mas intensa. — Aquele cara é uma bomba-relógio! E a dívida que você tem com ele…

— Eu sei da dívida! — cortei, com a frustração e o cansaço vindo à tona. — E ele sabe também. Foi o preço, dez milhões e o sumiço desse país. E sabemos que ele está fazendo não pelo dinheiro, mas para quitar essa dívida de merda de vez.

Alessandro suspirou pesadamente do outro lado.

— Dez milhões é muito, mesmo pra gente. Eu posso cobrir uma parte, uma boa parte. Você não precisa carregar isso sozinho.

A oferta era generosa e típica dele. Mas eu já tinha puxado Alessandro e os contatos dele para o meio disso mais do que o suficiente.

— Não, Alessandro. Você já fez demais. Os homens, o jato, o suporte aqui… você tem a Larissa pra cuidar, o Diogo dando problema… Eu me viro com isso. É minha guerra.

— Sua guerra tá virando guerra da família, Rafael — ele retrucou, com a voz grave. — E não me venha com essa de me viro. Você tá mancando, lidando com sequestro e agora contratando explosivos de um maluco traumatizado. Isso é pedir pra dar merda.

— Tudo já deu merda, Alessandro! — minha voz saiu mais alta do que eu queria e baixei o tom. — A merda já tá feita. Agora é sobre controle de danos e ganhar tempo. O Ciro é a ferramenta pra isso. Eu cuido do custo.

— Tudo quieto, na verdade, anormalmente quieto. A sogra não saiu hoje. O Thales voltou há algumas horas, entrou e não saiu mais. A Lorena e a criança estão dentro. Nenhum movimento de mala, nenhum preparativo visível para viagem. Parece que ele adiou.

Um alívio agudo, quase doloroso, cortou meu peito. Funcionou. Ainda não era a ação do Ciro, mas talvez a simples mudança da Marilene, os rastreadores indo para o apartamento dela… algo o fez pausar. Ou ele estava apenas sendo mais cauteloso.

— Continue vigilante. Qualquer movimento, ou sinal de que eles vão sair, você me avisa imediatamente. Não importa a hora.

— Pode deixar. — Ela fez uma pausa. — Ele parece… tenso. Mais do que o normal. Vi ele pela janela, falando ao telefone, gesticulando muito. Algo o está incomodando.

Ótimo.

Que fique incomodado e paralisado pela paranoia.

— Certo. Mantenha o canal aberto.

Desliguei e deixei o celular escorregar na mesa. Olhei para Raul, que estava finalizando a transferência de bitcoin em outro laptop.

— A Glayce diz que ele adiou. Tá quieto no apartamento e parece tenso.

Raul assentiu, sem tirar os olhos da tela.

— O barulho que a gente fez com a Marilene deve ter chegado até ele e está tentando entender o que aconteceu.

Ele finalizou a transação e fechou o laptop com um clique seco.

— Pronto, o Ciro tem seu adiantamento. Agora é torcer para que o diabo cumpra sua parte do acordo.

Eu me afundei em uma cadeira de plástico dura, sentindo minha perna reclamando alto.

Havia um silêncio pesado no galpão, apenas cortado pelo zumbido baixo de um gerador em algum lugar.

Tínhamos feito a jogada, acionado forças perigosas e agora, era uma questão de esperar.

Esperar que o fogo que eu tinha ateado na toca do monstro fosse grande o suficiente para atrair sua atenção, mas não tão grande que consumisse tudo, incluindo a mulher que eu estava tentando salvar.

O tempo, mais uma vez, era o nosso único aliado. E o nosso maior inimigo.

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