(Visão de Lorena)
O dia seguinte amanheceu com um peso de chumbo.
Eu não tinha dormido e cada barulho no apartamento, cada passo daquela bruxa da minha sogra no corredor, me fazia saltar da cama.
Minha mente era uma roda-gigante de perguntas sem resposta: Onde está a Joyce? O que fizeram com ela? Por que o Rafael não responde? Será que… não, não podia pensar nisso.
A necessidade de fazer algo, qualquer coisa, formigava debaixo da minha pele. Eu precisava de informações.
Precisava saber se Eduardo estava trabalhando na operação, se havia alguma esperança.
Cheguei na sala, encontrando Thales estava em casa, fingindo normalidade, trabalhando no notebook como se fosse a coisa mais normal do mundo… Isso era sufocante.
Foi então que vi a sacola de lixo cheia. Uma desculpa, a única forma de sair daquele apartamento por dois minutos sem levantar suspeitas.
— Vou descer com o lixo — anunciei, minha voz soando anormalmente alta no silêncio tenso.
Thales levantou os olhos do laptop, com um olhar de desconfiança rápida, mas então apenas assentiu.
— Não demora.
Descer no elevador com aquela sacola fedorenta foi um alívio e ver que o saguão do prédio estava vazio foi libertador.
Respirei fundo, sentindo o ar frio do corredor do depósito me acordando um pouco. Abri a porta pesada do depósito de lixo e joguei a sacola no container correto.
Foi quando ouvi um movimento suave atrás de mim.
Me virei rápido, com o coração na garganta.
Era a Glayce. Ela estava encostada na parede, como se estivesse esperando.
— Glayce, você me assustou…
— Não temos tempo, Lorena — ela cortou, sua voz saindo um sussurro áspero e urgente.
Ela deu uma olhada rápida para a porta do depósito.
— Seu irmão já sabe de tudo e ele está trabalhando nisso. O Rafael precisou viajar, mas ele já tá sabendo também e vai resolver tudo… Você precisa se preparar de verdade.
Viajou? Isso explicava o silêncio?
Mas… "se preparar de verdade". As palavras dela, carregadas de um significado sombrio, fizeram um calafrio percorrer minha espinha.
Era um aviso de que as coisas iam piorar antes de melhorar.
Antes que eu pudesse perguntar mais, a porta do depósito se abriu com um rangido.
Thales estava ali, e seu rosto era uma máscara de suspeita pura. O olhar dele voou de mim para a Glayce, calculando.
— Preparar? Preparar para que? — a sua pergunta saiu cortante, o tom daquela falsa calma totalmente desaparecido.
Meu sangue gelou.
Mas Glayce, porém, nem pestanejou. Ela virou para ele com um sorriso largo e falso, batendo palmas uma na outra como se estivesse tirando pó.
— Ah, Sr. Thales, é você! Tava justamente falando pra sua esposa aqui, que a gente, mãe de menina, tem que se preparar de verdade pro coração!
Ela riu, um som rouco e convincente.
— Minha irmã mais nova, a Fernanda? Tá aí, com doze anos, já toda apaixonadinha por um menino da escola. Dá um trabalho, meu Deus! Aí eu falei pra Lorena: pensa quando a Alana chegar nessa fase! A gente tem que se preparar psicologicamente, de verdade, senão enlouquece!
Ela falou tudo num só fôlego, com uma naturalidade de atriz premiada.
Thales a observou, com a desconfiança ainda nítida em seus olhos, mas a explicação era tão banal, tão… feminina e doméstica, que pareceu desarmá-lo um pouco.
Ele bufou, com um som de desdém.
— Alana vai demorar pra isso. Muito. — disse, com aquele tom possessivo que me dava nojo.
— Tomara, né? Mas a gente nunca sabe! Melhor já ir se preparando! — Glayce deu uma risada final, e me olhou rapidamente com um olhar que dizia "cuide-se”, e saiu do depósito, cantarolando baixinho.
Thales ficou parado, me encarando por mais alguns segundos que pareceram horas.
— Sozinha com a vizinha, Lorena? Falando de namoricos?
— Ela que veio falar comigo — respondi, tentando soar irritada e não aterrorizada. — É sempre assim, você sabe como ela é. Fofoqueira.
Ele pareceu aceitar, com uma expressão de nojo.
— Vamos subir.
A subida no elevador foi silenciosa e opressiva. Ao entrar em casa, ele foi direto para onde a Alana brincava no tapete da sala.
— Você não vai namorar tão cedo, ouviu, princesa? — disse, acariciando o cabelo dela com uma doçura que era uma farsa completa.
— Tá bom, papai! — ela respondeu, absorta nos bloquinhos de montar.
Eu me retirei para o quarto, fechando a porta. Meu coração batia descompassado.
Glayce tinha passado um recado. Meu irmão estava resolvendo as coisas com Rafael… Por que ele viajou nesse momento? O que ele estava aprontando? E então… eu precisava me preparar…
O susto de ontem. Realmente achei que Thales tinha pegado eles, mas Graças a Deus não aconteceu.
Fui até o banheiro e tranquei a porta. Liguei o chuveiro no máximo, deixando o vapor encher o ambiente e o som alto da água mascarar qualquer outro ruído.
Então, me ajoelhei em frente ao armário embutido, afastei as toalhas limpas e enfiei a mão no fundo, atrás dos lençóis.
Minhas mãos encontraram o pano áspero. Puxei sentindo o peso… era muito mais pesado do que eu lembrava.
Desenrolei o pano no chão de frio e lá estava ela. A arma que o Eduardo me deu, dias atrás, quando os problemas com o Thales começaram a mostrar a cara verdadeira.
"Só em último caso, Ló. Só se sua vida estiver em risco."
Eu tinha achado que nunca precisaria na época. Agora, ela era a coisa mais concreta e aterrorizante que eu possuía.
Meu coração deu um salto desesperado.
Joyce. Tinha a ver com a Joyce.
— O que foi? — perguntei, minha voz saiu trêmula. Me aproximei, ignorando o medo. — Foi a Joyce? Ela tá bem? O que aconteceu?
Ele se virou para mim, e o olhar que me lançou era de ódio cru, como se eu fosse a culpada por tudo.
— Não é da sua conta! Fica quieta!
— Mas…
— CALE A BOCA! — ele gritou, avançando um passo na minha direção.
Mas o desgraladi não me tocou, só que sua intenção estava ali, pulsando no ar entre nós.
Ele parecia um animal encurralado e perigoso. Em vez de vir para cima de mim, porém, ele se virou e disparou em direção ao quarto da Alana.
Meu sangue gelou.
— Thales, não! — gritei, correndo atrás dele.
Ele entrou no quarto e fechou a porta na minha cara. Ouvi a tranca girar e um pânico cego tomou conta de mim.
Bati na porta.
— Thales! O que você vai fazer? Abre essa porta! Alana! Alana, você tá bem?
— Tá tudo bem, mamãe! — a voz da minha filha, um pouco assustada, veio de dentro. — O papai só veio me dar um beijo.
Um beijo? No meio daquela fúria toda?
Meu instinto gritava que não, mas não podia arrombar a porta.
Fiquei parada do lado de fora, ouvindo o murmúrio baixo e ininteligível dele, até que, após o que pareceu uma eternidade, a porta se abriu.
Thales saiu e seu rosto ainda estava tenso, mas a fúria descontrolada tinha dado lugar a uma frieza decisiva.
Ignorei meu instinto de correr para a Alana e me virei para ele.
— O que foi, Thales? Fala comigo.
Ele me encarou, com os dentes cerrados.
— Preciso ir a São Paulo. Agora, então não faça tantas perguntas idiotas.
São Paulo? A informação foi tão inesperada que por um segundo eu fiquei sem reação.
Depois, uma centelha de esperança absurda acendeu em mim. Ele ia embora e ia sair de casa.
— Eu… eu vou com você? — perguntei, tentando soar cooperativa, mas por dentro suplicando que ele dissesse não.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...