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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 433

Ele soltou uma risada curta e amarga.

Agarrou meu queixo com força, seus dedos pressionando minha mandíbula.

— Dessa vez você não vai, não. — O tom era de desprezo. — Mas quero você aqui, bem quietinha, quando eu voltar. Entendeu? Nem pense em dar outro passo fora da linha. A babá ainda precisa voltar pra casa, lembra?

Ele soltou meu queixo com um empurrãozinho e eu permaneci quieta, engolindo o gosto do medo e do ódio. Ele pegou as chaves do carro e a carteira da mesa da entrada, sem nem olhar para trás.

— E fica esperta com a minha mãe. Ela vai ficar aqui.

E então, ele saiu. A porta da frente se fechou atrás dele com um baque final.

Eu não me mexi. Fiquei parada ali, esperando para ter certeza de que ele estava longe, que tinha realmente ido e quando a quietude invadiu o apartamento, foi surreal.

Minha sogra estava no quarto de hóspedes, provavelmente ouvindo tudo.

Esperei. Contei até cinquenta na minha cabeça, andei até a janela da sala e espreitei pela fresta da persiana. Nada, ele tinha ido mesmo.

A urgência era uma gata correndo dentro do meu peito. Corri até o quarto da Alana, vendo que ela estava brincando, tranquila.

— Tá tudo bem, anjinho? O que o papai falou?

— Ele falou que ia viajar e que eu tinha que ser uma princesa obediente pra vovó e pra você. — ela disse, com a inocência que me partia o coração.

Beijei sua testa.

— Isso mesmo. Você é minha princesa. Pode continuar brincando, meu amor.

Saí do quarto e, em vez de ir até a cozinha ou sala, entrei no meu quarto e tranquei a porta. Meu celular estava escondido sob o colchão. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei cair.

Mandei uma mensagem para a Glayce, sentindo que meu coração batia na velocidade de um tambor de guerra.

"Ele acabou de sair furioso. Falou que precisa ir pra São Paulo URGENTE. Desligou o telefone gritando com alguém, perguntando como isso tinha acontecido. O que foi? O que você sabe? Por favor."

Mandei e fiquei encarando a tela, suplicando por uma resposta.

A viagem dele tinha a ver com a ligação furiosa. Ele estava furioso com alguém que não ficou de olho… isso era problema. Tinha a ver com… o que Eduardo e Rafael estavam fazendo?

Eu não sabia. Mas pela primeira vez em dias, o carcereiro tinha saído e eu estava sozinha com a sentinela dele. Era uma janela. Minúscula, perigosa, ainda existia uma brecha para respirar.

E eu precisava descobrir como usá-la antes que ela se fechasse.

(Visão de Rafael)

Olhei para Susy, que dava instruções para um dos homens de confiança do Alessandro sobre o envio do dinheiro.

O Ciro já devia estar a caminho de algum lugar longe, com uma nova identidade e uma chance de não ser só mais um fantasma no meu passado.

Fiz a minha parte.

Nos anos de adolescência, acabei me envolvendo com pessoas erradas e junto comigo, a irmã de Ciro entrou nesse meio. Não foi a melhor época da minha vida, mas estava se tornando a pior. Alessandro quem me deu um choque de realidade e me mandou para longe daquela vida.

Quando voltei ao Brasil, consegui tirar Ciro daquele inferno, mas a irmã dele, infelizmente, já tinha morrido. Me sinto culpado, eu que a levei para esse mundo e sei que o ressentimento dele por mim, é verdadeiro e justificável. Não queria ter que cobrar uma coisa que eu mesmo causei.

O salvei daquele mundo, mas fui eu quem mostrou esse mundo pra ele primeiro.

Raul se aproximou, seu rosto sempre um livro fechado, mas os olhos atentos.

— E aí, chefe? Como estão as coisas?

— A Glayce mandou mensagem, o Thales partiu pra cá, para São Paulo.

A informação era ao mesmo tempo boa e perigosa. Tirava ele de perto da Lorena, mas significava que o perigo estava se deslocando, e talvez se aproximando da gente.

Raul assentiu, processando.

— Agora é a hora de bolar o plano pra tirar a Lorena de lá e encontrar a babá.

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