Ele soltou uma risada curta e amarga.
Agarrou meu queixo com força, seus dedos pressionando minha mandíbula.
— Dessa vez você não vai, não. — O tom era de desprezo. — Mas quero você aqui, bem quietinha, quando eu voltar. Entendeu? Nem pense em dar outro passo fora da linha. A babá ainda precisa voltar pra casa, lembra?
Ele soltou meu queixo com um empurrãozinho e eu permaneci quieta, engolindo o gosto do medo e do ódio. Ele pegou as chaves do carro e a carteira da mesa da entrada, sem nem olhar para trás.
— E fica esperta com a minha mãe. Ela vai ficar aqui.
E então, ele saiu. A porta da frente se fechou atrás dele com um baque final.
Eu não me mexi. Fiquei parada ali, esperando para ter certeza de que ele estava longe, que tinha realmente ido e quando a quietude invadiu o apartamento, foi surreal.
Minha sogra estava no quarto de hóspedes, provavelmente ouvindo tudo.
Esperei. Contei até cinquenta na minha cabeça, andei até a janela da sala e espreitei pela fresta da persiana. Nada, ele tinha ido mesmo.
A urgência era uma gata correndo dentro do meu peito. Corri até o quarto da Alana, vendo que ela estava brincando, tranquila.
— Tá tudo bem, anjinho? O que o papai falou?
— Ele falou que ia viajar e que eu tinha que ser uma princesa obediente pra vovó e pra você. — ela disse, com a inocência que me partia o coração.
Beijei sua testa.
— Isso mesmo. Você é minha princesa. Pode continuar brincando, meu amor.
Saí do quarto e, em vez de ir até a cozinha ou sala, entrei no meu quarto e tranquei a porta. Meu celular estava escondido sob o colchão. Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei cair.
Mandei uma mensagem para a Glayce, sentindo que meu coração batia na velocidade de um tambor de guerra.
"Ele acabou de sair furioso. Falou que precisa ir pra São Paulo URGENTE. Desligou o telefone gritando com alguém, perguntando como isso tinha acontecido. O que foi? O que você sabe? Por favor."
Mandei e fiquei encarando a tela, suplicando por uma resposta.
A viagem dele tinha a ver com a ligação furiosa. Ele estava furioso com alguém que não ficou de olho… isso era problema. Tinha a ver com… o que Eduardo e Rafael estavam fazendo?
Eu não sabia. Mas pela primeira vez em dias, o carcereiro tinha saído e eu estava sozinha com a sentinela dele. Era uma janela. Minúscula, perigosa, ainda existia uma brecha para respirar.
E eu precisava descobrir como usá-la antes que ela se fechasse.
(Visão de Rafael)
Olhei para Susy, que dava instruções para um dos homens de confiança do Alessandro sobre o envio do dinheiro.
O Ciro já devia estar a caminho de algum lugar longe, com uma nova identidade e uma chance de não ser só mais um fantasma no meu passado.
Fiz a minha parte.
Nos anos de adolescência, acabei me envolvendo com pessoas erradas e junto comigo, a irmã de Ciro entrou nesse meio. Não foi a melhor época da minha vida, mas estava se tornando a pior. Alessandro quem me deu um choque de realidade e me mandou para longe daquela vida.
Quando voltei ao Brasil, consegui tirar Ciro daquele inferno, mas a irmã dele, infelizmente, já tinha morrido. Me sinto culpado, eu que a levei para esse mundo e sei que o ressentimento dele por mim, é verdadeiro e justificável. Não queria ter que cobrar uma coisa que eu mesmo causei.
O salvei daquele mundo, mas fui eu quem mostrou esse mundo pra ele primeiro.
Raul se aproximou, seu rosto sempre um livro fechado, mas os olhos atentos.
— E aí, chefe? Como estão as coisas?
— A Glayce mandou mensagem, o Thales partiu pra cá, para São Paulo.
A informação era ao mesmo tempo boa e perigosa. Tirava ele de perto da Lorena, mas significava que o perigo estava se deslocando, e talvez se aproximando da gente.
Raul assentiu, processando.
— Agora é a hora de bolar o plano pra tirar a Lorena de lá e encontrar a babá.
— Sério? O segurança dele trabalha pro Eduardo?
— É bem provável. O Eduardo tá há meses enfiando gente na estrutura do Tom e agora sabemos que o desgraçado é só um capacho do Thales. Esse cara vai ser os nossos olhos e ouvidos dentro da casa. Ele garante a segurança dela e nos passa informação. Enquanto isso, a gente junta o que precisamos aqui.
Era um plano bom. Inteligente. Mas a ideia de deixá-la lá, mesmo com um aliado secreto, me corroía por dentro. Eu queria ela comigo. Segura e agora.
— Rafael — Raul disse, firme, vendo a hesitação no meu rosto. — Você precisa voltar pra Belos Campos. Hoje.
— O quê? — revidei, a dor na perna parecendo aumentar com a raiva.
— Se o Thales, ou alguém ligado a ele, descobrir que você sumiu, vão ligar os pontos. O incêndio no armazém que a gente usou de isca… seu amigo conseguiu maquiar pra parecer curto-circuito, mas se você some da cidade logo depois, a desconfiança cresce. Você precisa voltar, fingir que nada aconteceu. Continuar sua vida normal. Ser o CEO preocupado com o trabalho.
Ele estava certo, eu sabia que sim, mas cada fibra do meu ser se rebelava contra a ideia.
Suspirei, com uma exalação de frustração profunda. Olhei para a muleta de metal encostada na parede.
Ela era um símbolo da minha fraqueza, minha imobilidade e com um gesto brusco de raiva, peguei-a e a joguei para o canto, onde ela caiu com um baque metálico.
— Eu não preciso dessa merda.
— Você precisa sim, chefe. A fratura foi séria — Raul insistiu, calmo.
— Eu ando sozinho — menti, já sentindo uma pontada aguda só de pensar em ficar em pé sem apoio.
Mas o orgulho e a raiva eram maiores.
— Tá bem, eu volto. Mas você fica aqui. Consiga as provas de cada transação suja, contato, cada ordem que ele der. Quero esse filho da puta na minha mão.
Raul acenou, um gesto solene de compromisso.
— Pode deixar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...