A viagem de volta foi um tormento. A dor era constante, e a impotência, ainda pior.
Dois dos homens de confiança do Alessandro me acompanharam até o aeroporto e embarcaram comigo, vigilantes.
No avião, olhando a cidade de São Paulo desaparecer sob as nuvens, só conseguia pensar nela. Presa, com um guarda-costas que podia ser amigo ou inimigo.
Eu estava voltando para Belos Campos. Para o meu escritório, as reuniões vazias, para a vida de fachada.
Mas meu coração, meu foco, minha guerra… tudo estava agora dividido entre duas cidades.
E eu só rezava para que o plano do Eduardo desse certo. E que, quando eu pudesse finalmente agir, não fosse tarde demais.
***
Assim que cheguei a minha cidade, a primeira coisa que fiz foi deixar homens meus e de Alessandro espalhados. Queria eles em cada ponto dessa cidade, com olhares atentos a qualquer avanço desse grupo do Thales.
Qualquer ponto estratégico que eles achassem que teriam, nós já estaríamos lá.
Agora que sabíamos que Tom trabalhava para o inimigo, ele era o elo mais fraco, a ponta do fio que podia nos levar a tudo.
Fui à empresa depois de quase um mês e a pilha de trabalho na minha mesa era um monstro de dias de ausência.
Sara, uma salvadora, parecia um frango sem cabeça, e ver a mesa de Lorena vazia doía de um jeito físico.
Tentei focar, mas era impossível. Cada e-mail e relatório era um ruído de fundo. Minha mente estava em São Paulo e naquele apartamento.
***
Dois dias.
Dois dias tensos onde cada hora era um ano. Thales ainda estava em São Paulo, segundo os vigias.
Ele tinha ligado para a Marilene duas vezes e um dos caras do Alessandro, um gênio da tecnologia, usou um soft de IA para manipular a voz dela nas ligações.
Respondeu ao Thales com calma, passou informações falsas sobre os negócios correndo bem.
A Marilene de verdade estava trancada num quarto seguro, longe de qualquer telefone.
Meus pais ainda estavam na minha casa, que agora parecia mais um bunker do que uma residência, com o Raul que tinha voltado rápido após me deixar, coordenando a segurança.
Milena estava irritada por estar confinada, mas viva. Era o que importava.
No final do segundo dia, a mensagem veio.
Eduardo queria se encontrar.
Escolhemos um lugar que parecia saído de um filme de espionagem barato, o estacionamento vazio de um parque abandonado, na saída da cidade.
Era remoto, dava para ver quem se aproximava, e era deprimente o suficiente para ninguém ter motivos para estar lá.
Cheguei primeiro, num carro discreto que um dos homens do Alessandro tinha arrumado. A dor na perna era uma companheira constante, mas eu tinha deixado a muleta realmente de lado e tinha que me acostumar com isso.
O carro de Eduardo apareceu dez minutos depois, sem pressa. Ele estacionou ao lado do meu e saiu.
Vestia jeans e uma jaqueta de couro, mas os olhos tinham aquele olhar penetrante de quem nunca realmente desliga do trabalho.
Entrou no meu carro pelo lado do passageiro e o ar dentro do veículo imediatamente ficou pesado.
— Rafael — ele cumprimentou, com um aceno de cabeça.
— Eduardo. O que você tem?
— Estamos chegando perto da Joyce — ele disse direto ao ponto.
A notícia fez meu coração acelerar de esperança.
— Já descobrimos onde ela está, em apartamento no centro. Mas… — ele fez uma pausa, seu rosto ficando mais sério. — O prédio inteiro é uma fortaleza.
Suspirei, como se já esperasse por isso.
— Segurança privada pesada, câmeras em tudo, sistemas de alarme que nem a polícia consegue burlar rápido sem fazer barulho. É um dos redutos dos Doze Selos. Tem peixe grande morando lá, gente que sempre derruba qualquer mandado de busca antes que ele chegue perto. Invadir legalmente é impossível.
Um apartamento-fortaleza. Claro. O Thales não ia esconder a refém num barraco qualquer.
— Então a gente tira ela na força — eu disse, minha voz saindo mais áspera do que eu pretendia. — Meus homens, os do Alessandro… eles são treinados pra isso.
Eduardo me olhou, avaliando.
— Imaginei que você diria isso. Eu e meus homens vamos ficar por perto, dando cobertura, monitorando as frequências da polícia e garantindo que a retirada seja limpa. Mas a invasão, o resgate… isso é com você. Assim que ela estiver fora do prédio e em um local seguro, aí eu entro com o aparato legal, levo ela para depor, para um hospital. Até lá, é operação negra.
Concordei com a cabeça. Era o melhor que poderíamos fazer. A justiça era lenta e corrupta. Às vezes, você tinha que ser o martelo antes de ser a balança.
— E a Lorena? — a pergunta saiu quase sozinha, carregada de uma preocupação que eu não conseguia mais esconder.
A expressão de Eduardo suavizou um pouco.
— Eu a vi. Fui lá como o irmão preocupado e ela parece… mais centrada. Menos assustada do que eu imaginava. A Alana está bem e a mãe do Thales é uma víbora, mas a Lorena está se segurando. Ela é forte, Rafael. Mais forte do que eu imaginava.
Um suspiro profundo, de alívio e orgulho, saiu do meu peito. Saber que ela estava se mantendo firme naquela guerra particular… era tudo.
— Eu amo ela — a confissão saiu baixa, no confinamento daquele carro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...