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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 434

A viagem de volta foi um tormento. A dor era constante, e a impotência, ainda pior.

Dois dos homens de confiança do Alessandro me acompanharam até o aeroporto e embarcaram comigo, vigilantes.

No avião, olhando a cidade de São Paulo desaparecer sob as nuvens, só conseguia pensar nela. Presa, com um guarda-costas que podia ser amigo ou inimigo.

Eu estava voltando para Belos Campos. Para o meu escritório, as reuniões vazias, para a vida de fachada.

Mas meu coração, meu foco, minha guerra… tudo estava agora dividido entre duas cidades.

E eu só rezava para que o plano do Eduardo desse certo. E que, quando eu pudesse finalmente agir, não fosse tarde demais.

***

Assim que cheguei a minha cidade, a primeira coisa que fiz foi deixar homens meus e de Alessandro espalhados. Queria eles em cada ponto dessa cidade, com olhares atentos a qualquer avanço desse grupo do Thales.

Qualquer ponto estratégico que eles achassem que teriam, nós já estaríamos lá.

Agora que sabíamos que Tom trabalhava para o inimigo, ele era o elo mais fraco, a ponta do fio que podia nos levar a tudo.

Fui à empresa depois de quase um mês e a pilha de trabalho na minha mesa era um monstro de dias de ausência.

Sara, uma salvadora, parecia um frango sem cabeça, e ver a mesa de Lorena vazia doía de um jeito físico.

Tentei focar, mas era impossível. Cada e-mail e relatório era um ruído de fundo. Minha mente estava em São Paulo e naquele apartamento.

***

Dois dias.

Dois dias tensos onde cada hora era um ano. Thales ainda estava em São Paulo, segundo os vigias.

Ele tinha ligado para a Marilene duas vezes e um dos caras do Alessandro, um gênio da tecnologia, usou um soft de IA para manipular a voz dela nas ligações.

Respondeu ao Thales com calma, passou informações falsas sobre os negócios correndo bem.

A Marilene de verdade estava trancada num quarto seguro, longe de qualquer telefone.

Meus pais ainda estavam na minha casa, que agora parecia mais um bunker do que uma residência, com o Raul que tinha voltado rápido após me deixar, coordenando a segurança.

Milena estava irritada por estar confinada, mas viva. Era o que importava.

No final do segundo dia, a mensagem veio.

Eduardo queria se encontrar.

Escolhemos um lugar que parecia saído de um filme de espionagem barato, o estacionamento vazio de um parque abandonado, na saída da cidade.

Era remoto, dava para ver quem se aproximava, e era deprimente o suficiente para ninguém ter motivos para estar lá.

Cheguei primeiro, num carro discreto que um dos homens do Alessandro tinha arrumado. A dor na perna era uma companheira constante, mas eu tinha deixado a muleta realmente de lado e tinha que me acostumar com isso.

O carro de Eduardo apareceu dez minutos depois, sem pressa. Ele estacionou ao lado do meu e saiu.

Vestia jeans e uma jaqueta de couro, mas os olhos tinham aquele olhar penetrante de quem nunca realmente desliga do trabalho.

Entrou no meu carro pelo lado do passageiro e o ar dentro do veículo imediatamente ficou pesado.

— Rafael — ele cumprimentou, com um aceno de cabeça.

— Eduardo. O que você tem?

— Estamos chegando perto da Joyce — ele disse direto ao ponto.

A notícia fez meu coração acelerar de esperança.

— Já descobrimos onde ela está, em apartamento no centro. Mas… — ele fez uma pausa, seu rosto ficando mais sério. — O prédio inteiro é uma fortaleza.

Suspirei, como se já esperasse por isso.

— Segurança privada pesada, câmeras em tudo, sistemas de alarme que nem a polícia consegue burlar rápido sem fazer barulho. É um dos redutos dos Doze Selos. Tem peixe grande morando lá, gente que sempre derruba qualquer mandado de busca antes que ele chegue perto. Invadir legalmente é impossível.

Um apartamento-fortaleza. Claro. O Thales não ia esconder a refém num barraco qualquer.

— Então a gente tira ela na força — eu disse, minha voz saindo mais áspera do que eu pretendia. — Meus homens, os do Alessandro… eles são treinados pra isso.

Eduardo me olhou, avaliando.

— Imaginei que você diria isso. Eu e meus homens vamos ficar por perto, dando cobertura, monitorando as frequências da polícia e garantindo que a retirada seja limpa. Mas a invasão, o resgate… isso é com você. Assim que ela estiver fora do prédio e em um local seguro, aí eu entro com o aparato legal, levo ela para depor, para um hospital. Até lá, é operação negra.

Concordei com a cabeça. Era o melhor que poderíamos fazer. A justiça era lenta e corrupta. Às vezes, você tinha que ser o martelo antes de ser a balança.

— E a Lorena? — a pergunta saiu quase sozinha, carregada de uma preocupação que eu não conseguia mais esconder.

A expressão de Eduardo suavizou um pouco.

— Eu a vi. Fui lá como o irmão preocupado e ela parece… mais centrada. Menos assustada do que eu imaginava. A Alana está bem e a mãe do Thales é uma víbora, mas a Lorena está se segurando. Ela é forte, Rafael. Mais forte do que eu imaginava.

Um suspiro profundo, de alívio e orgulho, saiu do meu peito. Saber que ela estava se mantendo firme naquela guerra particular… era tudo.

— Eu amo ela — a confissão saiu baixa, no confinamento daquele carro.

Hoje, era na sopa. A velha adorava uma sopa cremosa no almoço.

Com movimentos rápidos, despejei a quantidade certa de quatro gotas, como a Glayce instruiu. Misturei bem, a substância era incolor e inodora.

Suspirei, tentando acalmar o nervosismo, e voltei a mexer o molho do macarrão.

Foi então que ouvi a chave na fechadura e a porta da frente se abrindo.

Um frio percorreu minha espinha da base até o crânio. Os passos eram pesados, decididos.

Thales apareceu na entrada da cozinha segundos depois, como se tivesse vindo direto para mim.

Seu rosto estava uma máscara de cansaço e de uma raiva profunda, não explosiva, mas contida, o que era pior.

Os olhos dele me escanearam, depois vasculharam a cozinha.

— Cadê minha mãe? E a Alana? — a voz era áspera, sem saudação.

Engoli seco.

— Alana está na aula de natação. Vai voltar daqui a uma hora e sua mãe… está dormindo.

Ele franziu o cenho, com uma preocupação profunda aparecendo entre as sobrancelhas.

— Dormindo? Essa hora? Ela tá doente?

A mentira saiu mais fácil do que eu imaginava.

— Parece que está começando um resfriado. Está mais quieta, com sono. — Apontei para o armário de remédios. — Tem aquele xarope para gripe. Se quiser, pode dar uma dose pra ela e um copo d'água.

Ele me olhou por um segundo, como se buscasse alguma mentira no meu rosto. Eu mantive a expressão neutra, preocupada apenas.

Ele resmungou algo, pegou o xarope e um copo, e foi em direção ao quarto de hóspedes.

Meu corpo inteiro tremia por dentro.

Terminei de fazer a comida com movimentos mecânicos, coloquei a mesa para três pessoas, separando a tigela de sopa da Célia. Sentei-me à mesa, tentando controlar a respiração.

Não demorou para Thales aparecer, praticamente carregando a minha sogra pelo braço.

Célia estava realmente abatida, com os olhos pesados e o andar arrastado.

Parecia genuinamente doente, o que tornava minha culpa um pouco mais aguda, mas também mais útil.

— Ela tá muito mole — Thales disse, com uma ponta de preocupação genuína na voz. — Acho melhor levar ao médico.

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