— Acho que é só descanso — respondi rápido, mantendo o tom suave. — Ela não tem febre. Só está com o corpo combatendo o vírus. Eu fiz uma sopa bem leve para ela. Pode ajudar.
Ajudei Célia a se sentar.
Ela mal reagiu, pegou a colher com movimentos lentos e começou a comer a sopa, quase sonambulesca.
Thales observou por um momento, depois se serviu do macarrão e sentou-se à mesa.
Eu me servi apenas do macarrão, comendo em pequenas garfadas, sentindo meu estômago embrulhado.
Eu observava os dois, a velha comendo devagar, ele comendo com uma fome bruta, como se estivesse descarregando a raiva no prato.
— Onde você esteve esse tempo todo? — perguntei, quebrando o silêncio, tentando soar apenas curiosa e não desesperada por informações.
Ele ergueu os olhos do prato.
Eram frios, distantes.
— São Paulo resolvendo uns assuntos.
A resposta vaga me deu um arrepio.
Coisas que tinham a ver com o telefonema furioso, com a Joyce, com Rafael… Meu Deus, com Rafael? A ansiedade voltou com força.
Foi a Célia quem falou em seguida, a voz pastosa e fraca.
— E a viagem, meu filho? A gente ainda vai pra praia?
Thales quase bufou, com um som de impaciência.
— Por enquanto não, mãe. Você não tá bem e eu… tenho coisas pra resolver ainda.
Um alívio tão intenso que quase me fez desabar na cadeia tomou conta de mim.
Não íamos mais viajar… Eu não ia ser levada para algum lugar isolado, longe de qualquer ajuda possível.
Ia continuar aqui, na minha cidade. Onde o Eduardo podia me encontrar e, se tudo desse certo, o Rafael… não, não podia pensar nele agora.
— É melhor assim — murmurei, quase para mim mesma, servindo mais um pouco de sopa para a Célia, que aceitou com a cabeça pesada. — Você precisa se recuperar primeiro.
Thales não disse mais nada. Continuou comendo, mas seu olhar perdido no espaço me dizia que a mente dele estava longe.
O dia seguinte começou com aquele ritual de sempre, acordar Alana, preparar o café, a mochila, o uniforme.
Mas hoje havia um fio de eletricidade diferente no ar. Eu tinha um objetivo. Ir à empresa.
Estava me afogando em preocupação dentro daquela casa, precisava me mover, fazer algo que parecesse normal.
Quando saí do quarto, arrumada com uma saia lápis e uma blusa social, ele estava na sala de estar.
Tomando café e lendo algo no celular com a mesma expressão carrancuda de sempre. Meu corpo travou por um segundo antes de eu forçar os pés a continuarem.
— Para onde você vai? — a pergunta dele saiu sem que levantasse os olhos.
— Para o trabalho — respondi, mantendo a voz firme. — Tenho dias de atraso. Ainda espero ter um emprego quando tudo isso passar.
Ele finalmente ergueu o rosto e um sorriso feio e cínico esticou seus lábios.
— Você não precisa ir.
— Eu vou — insisti, pegando minha bolsa. — As pessoas vão comentar se eu simplesmente sumir do nada… Mas… e a Joyce?
O sorriso desapareceu.
Ele me encarou por um momento, e então, com um tom que queria ser magnânimo, disse:
— Hoje à noite a gente faz uma chamada de vídeo com ela. Para a Alana não estranhar e você continuar obediente.
Meu coração deu um salto. Uma chamada, significava que ela estava viva. Pelo menos por enquanto. Assenti, sem confiar na minha voz, e saí.
No carro, o alívio da conversa sobre a Joyce durou pouco. No retrovisor, um carro preto comum começou a me seguir três quarteirões depois de casa.
Os homens dele. Eu era uma prisioneira com passe de saída vigiado.
Na empresa, o ar gelado do ar-condicionado e o cheiro de café velho foram quase reconfortantes.
Cumprimentei algumas pessoas no caminho, tentando parecer normal. Foi quando o Gael me viu e seus olhos arregalaram de surpresa.
— Lorena! Sumida! Tudo bem? A gente até ficou preocupado.
— Tudo bem, Gael, obrigada. Só um resfriado chato, mas já passou. — menti com uma naturalidade que me assustou.
Ele sorriu, aliviado, e seguiu seu caminho. Cada passo em direção à minha sala era mais pesado.
A porta de vidro estava entreaberta. Entrei, ainda me virando para fechá-la com o pé, quando um braço forte me puxou para dentro.
Um corpo quente e o cheiro inconfundível do perfume masculino dele me atingiu em cheio.
As lágrimas brotaram instantaneamente, antes mesmo que eu pudesse ver o seu rosto.
Meus olhos encontraram os dele, tão escuros, intensos e cheios de uma preocupação e um desejo que me tiraram o fôlego.
Parecia um sonho.
Um sonho perigoso.
Não dissemos uma palavra, porque não deu tempo. Eu me joguei nos seus lábios, meu beijo era desesperado, cheio de saudade, medo, tudo misturado.
Ele respondeu na mesma medida, suas mãos agarrando meu rosto, depois meu cabelo, puxando-me para mais perto.
As persianas da porta e da janela estavam abaixadas, sala em uma penumbra. Ouvi o clique da tranca na porta.
Ele me empurrou contra a parede, seu corpo todo pressionando o meu, e o beijo se aprofundou, tornou-se mais lento e devorador.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...
Esse é o terceiro livro, os dois primeiros caminharam bem, mas agora só dois capítulos por dia é muito pouco. Lembre-se de seu compromisso com os leitores...
Cadê o capítulo 319???????? Não tem?????...
Tá cada dia pior, os capítulos estão faltando e alguns estão se repetindo....
Gente que absurdo, faltando vários capítulos agora é 319.ainda querem que a gente pague por isso?...